Vampiros e Ciganos: Roberto Marttini percorre a Hungria

Vampiros têm muitos laços com os ciganos da Europa do Leste. Cada clã tem lendas ligeiramente diferentes que mudam com o tempo, presumivelmente, porque as histórias são passadas oralmente.  No geral, acredita-se nas lendas romani, que quando alguém morre sua alma paira em torno do túmulo e parte dela reside no cadáver.  As almas dos mortos podem ficar inquietas, então os ritos fúnebres são muitas vezes elaborados, entre os roma, principalmente da Europa do Leste, esse ritual tem nome de Polmana. Tenho ancestralidade cigana paterna, resolvi então ir na raiz, Europa do Leste, comprovar na biblioteca de Budapeste, tudo sobre as lendas que giram em torno dessa criatura milenar, vampiros.

Para os ciganos roma em geral, mule são os mortos o que literalmente significa alguém que está morto. Mule dhampir são a versão cigana do vampiro, mulô dhampir entre os roma da Hungria e Wlailolakas entre os roma da Servia, Slovenia e antiga Rússia.  Ciganos viam a morte suicida não natural, então mortes prematuras e assassinatos especialmente representam coisas ruins na cultura.  Mortes como essas podem resultar em um vampiro.  Dizem que esses vampiros perseguem a pessoa ou as pessoas que causaram a morte. Os principais candidatos a caça de um mulo, eram geralmente parentes do falecido que não tinha conseguido destruir os restos mortais, portanto a lenda de cravar enormes estacas de madeira no corpo do morto, forma essa que acreditavam os antigos roma, ter poder de prender a alma de um vampiro.

Os vampiros ciganos geralmente pareciam bastante normais, mas poderiam ter uma pequena mostra de seu poder sobrenatural, aparente em seu corpo físico, seja um apêndice perdido como um dedo ou talvez uma aparência animal.  Acreditava-se que vampiros eram vistos a qualquer hora do dia ou da noite, embora alguns vissem essas criaturas como estritamente noturnas.  Curiosamente, ciganos hungaros, eslavos e alemães acreditavam que os vampiros não tinham ossos, pois notavam que os ossos eram frequentemente deixados para trás nas sepulturas. As lendas ciganas na Romenia e Hungria revelam ciganos com fortes laços com vampiros, inclusive a descrição não está limitada a literatura leste européia. Bran Stocker, no clássico Drácula, descreveu os ciganos daquela região, como guardiões do caixão demoníaco do príncipe Wlad Tepes.

Segundo minhas pesquisas na biblioteca de Budapeste, vampiros estavam ligados a atividades medonhas, bem distante das fantasias românticas da Europa Ibérica e inglesa. Atacar parentes e sugar seu sangue, ou destruir propriedades e jogar coisas ao redor à noite, são apenas algumas delas.  Dizem que vampiros homens voltam dos mortos para fazer sexo com suas esposas, namoradas ou outras mulheres. Vampiros mulheres poderiam assumir vidas normais e possivelmente até se casar, embora o marido de uma vampira estaria exausto, já que essas criaturas fêmeas são consideradas insaciáveis. Não somente seres humanos poderiam se tornar vampiro. Animais maltratados pelos donos poderiam voltar, para se vingar de seus agressores e até árvores amaldiçoadas por uma bruxa, poderia atormentar os vivos, sugando sua energia vital.

Segundo as crenças ciganas, toda essas atividades vampiricas podem ser evitadas. O cigano que se dedica a sua família, aos pais e não nega comida aos mais velhos, está possivelmente longe de se tornar vampiro. Outra forma de evitar a perseguição de um vampiro seria ter um santo protetor como São Jorge e São Nicolau e lhes dedicar a slava. As fotos acima foram tiradas na biblioteca de Budapeste, castelo de Cachitce na Slovaquia e a última no barco do Rio Danúbio com fundo para o parlamento húngaro. Acompanhe as matérias todo mês de Roberto Marttini na Revista do Villa.

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