Xandy Novaski: desventuras barrentas e a arte de moldá-las

As adversidades são como tardes de chuva fina e quieta. Exigem que paremos por alguns instantes. A garoa molha. O silêncio nos seca por dentro.

Quando entendemos que um compensa o outro, liquidifica-se o chão duro em terra fértil.

O esperar, então, supõe esperança. E desse cultivo brota a argila da resiliência, de espessura delicada que, na sua olaria contorna até as sombras da alma.

Lidar com essa arte, a das situações adversas requer tato. Os dedos devem contornam as pressões, o giro afeiçoa a grande massa. A alquimia, então, acontece. Os problemas se moldam em oportunidade. A solidão vai pra fornalha. O isolamento se pinta de proteção.

A desventura barrenta, escorregadia e pegajosa, acaba de ganhar a forma que seu coração mandou. Aquilo que era nada, de repente se tornou o almejado.
É assim que entendemos a arte das adversidades, ora tão necessárias. E o quanto somos oleiros da própria alma.

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