Xandy Novaski entrevista a escritora, terapeuta e 'healer' Sandra Paes, que expõe sua percepção sobre a pandemia e os rumos da humanidade

Sandra Paes. Arquivo pessoal

A palestra ministrada em Curitiba no ano de 2019 pela escritora, terapeuta e healer Sandra Paes para uma plateia de mais de 450 mulheres, trouxe à época um assunto tão comum na vida de todos nós, mas que muitos tentam esquecer, sem sucesso, no fundo do baú das emoções: o MEDO.

 Um ano e meio após a conferência para o projeto Dona de Mim, Sandra nos dá uma entrevista esclarecedora sobre o tema e nos apresenta ainda as veredas que surgem diante de nossos olhos com a pandemia da covid-19.

 Graduada em Educação com especialização em Didática e Biologia, Sandra tem mestrado em Psicologia Educacional e Pós-Graduação em Jornalismo. Formou-se em Healing Science nos EUA onde se especializou em High Sence Perception e se tornou Master of Awareness pela escola Toltec. Sandra é também uma ministra ordenada na América e tem quatro livros publicados no Brasil: Alma Soberana, Sonho e Memória, Amores e Dores (Clube de Autores), e Medo (e-book encontrado na plataforma da Hotmart). É ainda autora do livro em forma de jogo Medos para Adultos – Reconhecer e Enfrentar (Editora Ideas).

Capa do E-book 'Medo'

1) A pandemia que assola o mundo escancarou um sentimento que já fazia parte do dia a dia de muita gente: o MEDO. Por que o medo é visto como ‘cruel’?

Se o ser humano sente ou cultiva o medo, por detrás disso existe o fato de que não existe clareza sobre as coisas. Existem segredos mantidos a sete chaves que vão desde a sexualidade, traição, informações culturais ou políticas, ou mesmo controles espaciais que levam o mundo a ficar acuado. Nem os governos, nem as famílias são transparentes, não têm um propósito de clarear as coisas para as outras pessoas. Isso assusta, porque no fundo as pessoas têm medo da morte. É o primeiro medo radical que as pessoas carregam dentro de si. Tá dentro da relação da fisicalidade, e as pessoas sabem que são fisicamente mortais. Ele é visto como cruel porque ‘Se eu não tenho como fugir da morte, ela é maior do que eu’. Isso é uma crueldade dentro de certos valores.

 2) Como dominar o medo para que haja um controle interno durante essa nova rotina?

É um processo de aprendizado: a) É preciso querer. b) É preciso identificar quais medos você carrega. c) Você precisa querer enfrentar os medos. Não tem outra forma, não existe outro caminho. Se isso está acumulado lá dentro, os medos se conglomeram na nossa psique, no nosso inconsciente. Para dominá-los, cheque a sua respiração, procure notar como está o ‘respirar’ diante de algo que te ameaça. Respire fundo, solte o ar e tente entrar em contato consigo. A partir daí as coisas se modificam.

 3) Mesmo diante do controle dos nossos medos, as mudanças devido à pandemia, tanto internas quanto externas, parecem ser inevitáveis. Por quê?

Porque são coisas que vão para além do controle que a espécie humana tem capacidade de dominar. O que é uma pandemia? É o ‘espalhar’ de um vírus ou uma doença de forma que ninguém controla. E por que ninguém controla? Porque ninguém previu a possibilidade de fazer isso. Daí, entramos em outras esferas relacionadas com a saúde, controle de doença, e eu considero que a espécie humana está doente, pois ela vive espremida entre a necessidade de viver, ser livre e respirar, e a necessidade de ganhar dinheiro para sobreviver. Isso, por si só, já é uma compressão complicada. As pessoas não sabem a origem desse vírus e nem até onde ele possa se espalhar. O grande problema é que os sistemas de saúde não têm uma infraestrutura para atender a uma demanda de muitas pessoas. Já na década de 70 eu dizia: “Se um dia acontecer algo relacionado com uma doença incontrolável os hospitais não darão conta de atender a todos”. As pessoas precisam se tranquilizar, pois eu tenho dentro de mim de que está tudo sob o controle. Não o controle das pessoas, mas do Divino.

 4) Essas mudanças são mesmo necessárias? Por quê?

São imprescindíveis. Em primeiro lugar, a espécie humana não está sendo tratada, muito menos conduzida e educada como precisaria. Estamos fazendo do planeta, que é o nosso lar, um lugar de destruição, e o que eu chamo de ‘reset planetário’ está sendo organizado por quem criou o planeta, e não foi o ser humano. Somos uma das espécies que habitam o planeta. Não temos o direito de destruir o habitat de tantas outras vidas. É o que estava acontecendo. Em nome da ganância e poder de manipulação, destruíram-se florestas, outras espécies, perfurou-se o planeta em busca de petróleo por causa de obsessão e ganância. Na verdade, o que se foi acumulando em termos de riqueza não foi distribuído pra todo mundo.  A quantidade de pessoas que tem dificuldade, que passa fome e não tem nem lugar pra morar é absurda. Isso tem que mudar. Virá da força de um ser humano? Não! Virá do choque de se descobrir que não há controle sobre a administração política que está acontecendo no mundo e essa economia tem de ser alterada. Pra ontem!

 5) Se antes as pessoas não davam tanto valor a um abraço ou aperto de mão, a quarentena e o isolamento social despertaram a necessidade do outro. Como lidar com todo esse distanciamento?

O distanciamento está sendo colocado como uma possibilidade de evitar o contágio. Mas a quarentena, na minha visão, tem o significado de a pessoa ter a possibilidade de fazer contato consigo mesma. Avaliar o mundo de outra forma. Não se ver apenas como um número ou uma pessoa que precisa de um status específico pra poder se valorizar. O valor do abraço está associado a aqueles que cultivam o afeto. Se o valor mudou e as pessoas passam a se ver em função da roupa que usa, do lugar onde mora ou do carro que dirige, eu não vejo o valor do abraço como algo tão importante pra essa pessoa, somente pra algumas comunidades ou famílias que ainda cultivam a relação afetiva. Mas isso será retomado e eu não tenho dúvidas. O distanciamento, no sentido físico, na minha visão abrirá a possibilidade para aqueles que quiserem aprender a se comunicar telepaticamente. Estamos muito dependentes da telefonia celular, do computador, as pessoas já não se encontravam mais, não sorriam mais, não andavam mais de mãos dadas. Já faz algum tempo que o distanciamento físico está acontecendo. O corpo humano também passou a ser descartável. Isso é visível pra quem presta atenção. Não se cultiva o templo da alma, chamado ‘corpo’, como um lugar sagrado onde se tem um espírito que está ali, habitado, para poder fazer da experiência do hábito de passar pela vida algo interessante.

 

CAPA DO LIVRO ‘MEDOS PARA ADULTOS - RECONHECER E ENFRENTAR’

6) Vivíamos num consumismo desenfreado. E de repente, em casa, notamos as peças nunca usadas no guarda-roupa, nos surpreendemos com a alquimia da comidinha caseira, e por aí vai. Como será essa questão do consumismo daqui pra frente? O que de fato acontecerá com o fluxo desse capitalismo que vivíamos até então?

A vida é maior do que o consumismo, do que as marcas de grifes que se espalharam por aí nos últimos vinte anos, e onde as pessoas julgavam as outras a partir de como elas se vestem ou em que lugar elas moram. Botou-se o dinheiro na frente de tudo, como a coisa mais importante. As bolsas de valores começaram a dar importância a determinados produtos que são feitos em meio à exploração de muitas vidas. E isso gera um desequilíbrio. É um fenômeno necessário para a retomada. Há situações jamais pensadas, como o petróleo batendo recordes negativos. Antigamente havia a corrida insana atrás de ter um automóvel como transporte, que é na verdade uma fonte de poluição pra todo o planeta. O consumismo desenfreado dará lugar à valorização do estar presente. Trará reflexões importantes. Eu sempre questionei pessoas que acumulavam objetos. Na verdade, ela está num vazio muito grande. Não está sabendo lidar com isso e nem preencher esse espaço de uma maneira mais sensível, objetiva e verdadeira. Quantos medos estão guardados ali dentro? Quantas são as ansiedades e desejos que não são trocados, nem nos olhares, nem na forma de convívio uns com os outros? Isso tudo vai ser modificado. Vejo uma Nova Era chegando. Se já temos o A.C. e D.C. (Antes de Cristo e Depois de Cristo), agora teremos o A.C. e D.C. (Antes do Coronavírus e depois do Coronavírus). Nunca um microrganismo teve o poder de paralisar todas as pessoas do planeta a ponto de permitir que as águas e o ar se renovassem e que a Terra pudesse respirar.

 7) Com a pandemia, animais se sentiram mais livres para ocupar seus espaços, e inclusive a ocorrência de OVNIs tem se mostrado mais frequente. Sobre este segundo assunto, vimos que o governo norte americano confirmou a veracidade de fenômenos aéreos não identificados. Contudo, no relatório divulgado em 14.05.2020, não há menção de que tais objetos possam ser de origem extraterrestre. Por que tudo isso veio a público somente agora? Estamos realmente sendo visitados?

Na hora em que a Terra passa pelo processo de ser renovada, e ser sacudida, isso chama a atenção do ponto de vista vibracional pra outros povos que convivem até em outras dimensões. Nós não estamos sós. Começam a aparecer notícias de visualizações de objetos voadores não identificados, e que em breve serão identificados, até porque saiu essa nota do Pentágono, que é o grande defensor da segurança dos EUA, abrindo a possibilidade da existência desse fenômeno. Isso vai mexer com muitas coisas, crenças, condutas e ameaças veladas e não veladas. Muitas pessoas nunca pararam pra pensar que existem outros povos. Há muito tempo sonhei a possibilidade de que seríamos apenas um cidadão da Terra. Se você for olhar, as fronteiras não existem. Elas são imaginárias para se ter controle de fronteira, pagar impostos e continuar alimentando os governos egoicos que existem por todas as partes do mundo.

 8) Nós, seres humanos, estamos vivenciando uma missão conjunta para um novo ciclo na Terra? Qual é a mensagem que você deixa para todos nós?

É tudo muito óbvio, ou seja, vamos, enfim, ser livres, retirar o véu das ilusões, nos dar as mãos de uma maneira verdadeira, ouvir os nossos corações. A Terra está indo pra outra referência vibracional, já que estamos na terceira dimensão, cuja referência de percepção é o tempo e o espaço. E o controle disso, que até então é feito de maneira rigorosa e rígida, vai acabar. A mensagem é: Fique em paz! Saiba que a vida é muito maior do que esses mecanismos de controle que botam nas nossas cabeças, de achar que você vai perder o emprego e não terá dinheiro pra fazer suas coisas… Esquece tudo isso! Foque no seu afeto, no seu amor, naquilo que você sonha do ponto de vista maior. Vá brincar de casa com a sua criatividade. Deixe-a aflorar. Valorize a vida aonde ela se manifestar, na planta, no lago, no pássaro, no céu azul que passou a ter na sua cidade, na água cristalina dos rios e mares. Comece a se coligar com aquilo que significa a vida como um fenômeno maior, e não o controle baseado no medo da falta que é a essência de toda a economia do planeta. Não veja tanta TV e nem dê tanta importância ao que estão falando. Isso é veneno pra nossa cabeça. Ouça o seu coração que é mais importante.

 

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