Xandy Novaski entrevista Gabriel Fávero, que tem na arte de interpretar o sentido para sua vida

Gabriel Fávero iniciou a carreira pelas artes cênicas ainda na adolescência. Até tentou outra profissão, mas foi laçado por essa magia que vem dos palcos e das telas. Hoje, com 23 anos, o rapaz do interior de São Paulo conquista seu merecido espaço como ator no Rio de Janeiro.

Acompanhe a nossa entrevista e se emocione com a gente!

1) Você iniciou os estudos em artes cênicas na região em que nasceu, Jaguariúna, interior de São Paulo. O que te fez buscar a arte como profissão?

O curso livre de Teatro que iniciei em 2010, foi o meu primeiro contato com o palco e intensivamente com a arte. Eu adentrei sem receio no universo artístico que sempre admirei. Acredito que esse primeiro contato intensificou minha admiração e sem dúvidas me apaixonei pela arte.

2) Ainda no início da carreira, você participou de musicais vivendo personagens marcantes da dramaturgia. O que isso trouxe de diferencial na sua carreira?

Viver personagens marcantes foi um processo importantíssimo, afinal, antes eu pertencia ao público. Como ator, trazer o meu diferencial para os personagens marcantes é de fato um grande presente. Assim aconteceu com o Peter Pan. Eu e ele num certo momento recusamos a crescer e nada mais importava além dos sonhos. Cada troca me fez entender a importância relevante diante do mercado artístico. Isso me deixa feliz e grato.

3) Por falar em personagens marcantes, você é fã da novela “O Cravo e a Rosa”, trama de Walcyr Carrasco que tem algumas costuras da peça “AMegera Domada”, do Shakespeare. Qual é a comparação que você faz dosdois textos?

Realmente eu sou um fiel noveleiro. “O Cravo e a Rosa”, foi a primeira trama que acompanhei ainda criança. Fiquei surpreso com o produto final e me apaixonei pela dramaturgia brasileira. Essa costura é fascinante. A peça e a telenovela não são produtos igualmente populares, pois a peça de Shakespeare é de uma linguagem arcaica e digo complexa para padrões contemporâneos. Walcyr adaptou uma peça de cinco atos em duzentos e vinte e um capítulos da novela. Seguindo a ênfase na “divisão do mundo antes e pós Shakespeare”, Claramente a relação textual acontece na primeira fase da telenovela, teoricamente baseada na ordem cronológica da peça. Depois seguimos a novela com uma visão de comédia romântica. Shakespeare sempre foi e sempre será atemporal.

Crédito: Fernanda Tavares

4) Mesmo pensando em seguir outros rumos (você foi cursar Comercio Exterior), o teatro lhe mostrou o quanto faz parte da sua vida. Quando você viu que não tinha jeito, que era isso mesmo que queria?

Eu já estava no final do primeiro semestre da faculdade e percebi que não poderia viver longe da minha maior motivação. A arte me completa como ser humano, me leva para outra dimensão de sentimentos, percepções e desafios. No caminhar da vida e na roda de uma canção, me sinto livre. Eu ouso dizer que represento tudo o que guardo no coração.

5) Deixar o interior para desbravar a capital paulista foi difícil? Por quê?

Na verdade, foi um grande desafio. Minhas aulas do curso profissionalizante aconteciam aos sábados, então, era necessário sair bem cedo da minha cidade e passava o dia todo na capital paulista. Chegava em casa por volta das onze horas da noite e muitas vezes exausto. O mais importante foi permanecer firme diante das dificuldades e escolher todos os dias a arte como profissão. Sou grato por todos os aprendizados e oportunidades que obtive nessa fase.

6) Um dos principais desafios de sua vida como ator foi num workshop de um congresso de medicina. Como foi a experiência?

Até hoje foi o meu maior desafio como ator. Meu personagem (Marcelo) era um jovem esquizofrênico. A cena especificamente relatava um Atendimento Psiquiátrico Emergencial, o qual Marcelo estava intensamente em crise. Aceitar dar vida ao Marcelo foi uma mistura de sentimentos, pois claramente a responsabilidade emocional era totalmente minha. Apeguei-me nessa responsabilidade e comecei a estudar intensamente, buscar referências e mergulhar neste universo. Durante o processo de criação meu emocional foi abalado e acredito que foi o grande diferencial para transcender a dor, o medo e a insegurança dele. Foi dessa forma que tentei entender a esquizofrenia. Após a cena acontecer, involuntariamente comecei a chorar sem parar e senti meu corpo anestesiado. Foi o momento de despedida do nosso encontro. Essa troca me transformou, e espero viver muitas como essa.

Crédito: Victor Colares

7) Você passou um tempo em Nova York, mas pelo que me parece, a grande provocação do destino em sua trajetória pelas cidades foi conquistar a cidade maravilhosa. Você recebeu apoios? De quem?

O Rio de Janeiro definitivamente é a minha casa. Meus amigos estiveram ao meu lado em todo processo de mudança para o Rio. Recebi intensamente força e motivação deles. Com a minha família (pai, mãe e irmãos), houve um receio no início, mas permaneci firme, pois sabia que era um receio por proteção em relação ao mundo artístico. Isso passou após alguns meses. Em especial, sempre tive o apoio da minha avó paterna. Ela sonhava em vida me ver na tela da sua televisão. Ela me encorajou a seguir a minha felicidade e aceitar o “sim” do meu coração. Tenho meus tios e minha prima que, de maneira incrível, estão sempre comigo. Eu sou grato por todo apoio, carinho e a força que recebo deles. Não posso deixar de falar da principal pessoa, regente de muitas conquistas: o Sérgio Mattos (Diretor da 40º Graus Models no Rio). Ele sempre me incentivou a acreditar no meu potencial e buscar a minha carreira com foco e paixão. Hoje eu tenho a minha grande “Família 40”, é assim que refiro a minha agência mãe. Sou grato por fazer parte deste time tão envolvente, forte e incrível. Serginho me trouxe para perto da sensibilidade poética, através do Projeto: Era uma vez um poeta… Atualmente estou intensificando o meu mundo artístico e trocando com cada poeta sonhador do nosso grupo. Oportunidade única.

8) Ser ator é também ser um eterno estudante. O que você tem a dizer sobre isso aos que iniciaram agora na profissão?

Estude, estude e estude (risos). Eu sempre digo que primeiramente precisa querer muito ser artista para representar e acreditar no poder da arte. Nunca encare a fama como motivação, pois ser famoso não é ser artista. A escolha pela arte é diária, afinal, fora dos palcos e, com as câmeras desligadas, vivemos uma realidade árdua. Busque um bom curso profissionalizante e em conjunto uma agência confiável e respeitada no mercado artístico. E claro, acredite em você, mantenha a sua fé e força alinhadas. E batalhe muito.

Crédito: Rafael Lazzini

9) O teatro é a grande escola na carreira de um ator. O que sempre te espera após o terceiro sinal?

No primeiro instante o frio na barriga, pernas levemente trêmulas e sem dúvidas o grande encontro. O encontro especial que acontece diretamente com o público eu refiro como a grande magia do Teatro. O “agora” se intensifica e sua primeira troca com o público será importante até o final do espetáculo. Não existe ‘corta’. No palco é como na vida real. Olhos nos olhos e a intensidade das emoções guiadas por uma linda história.

10) O que cada personagem vivido na carreira deixou de legado na sua vida pessoal?

A despedida que muitos atores/atrizes relatam após o final de uma obra ou peça, realmente acontece. Viver um personagem é uma troca intensa. É uma razão de um trabalho duro, frágil e de muitas noites em claro. O seu personagem conhece você, tem vida por você, e tem sim uma dose da sua vida na construção. O tempo de convívio consegue dimensionar essa troca vivida intensamente. Eu particularmente sempre me surpreendo ao dizer adeus. Após cada personagem, algo novo surge dentro de mim e na maioria das vezes criam raízes e florescem. Eu tenho sede por essa troca, meu corpo e a minha alma impulsionam todo processo vivido.

Crédito: Fernanda Mac
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