Flávio Santos: O Banco Português do Brasil

Fonte: Revista da Semana, 1918.

Em 1918 o mundo ainda sofria com a primeira Grande Guerra Mundial. Na Rússia revolucionária, os bolcheviques assinavam um tratado de paz com a Alemanha. Começava em Janeiro a pandemia do vírus influenza, a gripe espanhola, que deixaria um rastro de dezenas de milhares de mortos em Portugal e no Brasil. Este, passava por uma política forçada de substituição de importações de produtos da Europa e de valorização do café, principal produto nacional. Portugal estava sob a presidência do “Príncipe-Rei”, Sidónio Pais, que além sofrer dura derrota com muitas baixas na Batalha de La Lys, se vê sem recursos para fazer retornar seus soldados.

Os membros da comunidade portuguesa no Brasil, capitaneada pela Câmara do Comércio, os senhores Alberto de Oliveira e Duarte Leite, diplomatas no Rio de Janeiro, nunca deixaram o intercâmbio comercial luso-brasileiro diminuir nesses tempos de incertezas.

Idealizado pelo capitalista Cândido Souto Maior, a história do “Banco Portuguez do Brasil” começa no dia 18 de Março de 1918 com a reunião da primeira assembleia de acionistas. Reunidos na prestigiosa casa comercial Sotto Maior & C.o, na rua do Conselheiro Saraiva, n. 38. Ficou estabelecido que o início das operações se daria no dia 1.o de Abril do mesmo ano, provisoriamente funcionando na antiga sede do Banco Hespanhol do Rio da Prata. Sob a presidência de José Antônio de Souza, a assembleia votou os novos estatutos e foi eleito diretor o Visconde de Moraes, que estava em Lisboa e foi comunicado do resultado por mensagem de telégrafo.

Na concorrência pelos mil-réis e Escudos dos patrícios estava o Banco Nacional Ultramarino, instituição portuguesa fundada em 1864 com filiais em várias praças do Brasil. Disputava os correntistas com propagandas nas revistas e jornais brasileiros: “O Unico Banco Portugues no Brasil com Séde em Lisboa”.

Fonte: Revista da Semana, 1918.

Seis meses após a abertura do banco a Revista da Semana já noticiava o valor dos depósitos em contas-correntes no Brasil e no exterior de 98,000:000$000 (noventa e oito mil contos). Poucos anos depois a assembleia de acionistas resolveu dobrar a aposta e elevar o capital da empresa de 25 para 50 mil contos de Réis. Mais uma vez a comunidade correspondeu e assim foi por mais de sessenta anos.

O último presidente da instituição, José da Silva Gordo, já em 1972, ensaiou uma fusão com o Banco Geral do Comércio, do Grupo Sebastião Camargo. Depois de contínuo período de expansão e visibilidade das operações (incluindo compra de jogadores de futebol e patrocínio do piloto José Carlos Pace), o “Banco com um Grande Coração” foi incorporado pelo Banco Itaú, em fevereiro de 1973. Apenas o embrião da concentração bancária no Brasil. Naquele tempo, caminhando pelo setor bancário do centro do Rio de Janeiro, você poderia contar trinta casas bancárias diferentes. Hoje, apenas cinco dominam o mercado no Brasil.

Fontes:

Periódicos:

Revista Nacional, Junho de 1919. Ed. 0001;

Revista da Semana, 23/3/1918, Ed.0008; 20/7/1918, Ed.0024;

Revista da Semana. Artigo Um Amigo do Brasil. 7/12/1918, Ed.0044;

Revista da Semana. Artigo. O Momento Financeiro. 28/12/1918, Ed. 0047;

Jornal do Brasil, 10/09/1918, Ed.0251; 20/12/1972, Ed. B0244; 28/2/1973, Ed. 0312;

Jornal O Paiz, 24/1/1918; 18/3/1918; 19/3/1918;

 

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