Xandy Novaski entrevista o escritor Oliver Fábio, autor de "7mbro eterno” e “E o céu de Miramar?”

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Antes mesmo de chegar à maioridade, o escritor OLIVER FÁBIO já havia escrito quatro livros. Com duas obras publicadas, seu compromisso sempre será com a boa narrativa. Conheça um pouco da trajetória literária do autor, além de uma dica fantástica para quem deseja iniciar no mundo da escrita criativa.

1) Quando surgiu a paixão pela literatura?

Acho que com uns 6 anos, através de cordéis, e comecei a escrever aos meus 13 anos. Eu não lia muito por não ter livros, e nem sei bem de onde surgiu esse gosto. E confesso que na minha adolescência tive problemas de ler os livros escolares, devido às palavras rebuscadas. Pensei no porquê de os livros não serem tão fáceis. Na verdade, aqueles livros não eram destinados para adolescentes. É um pouco cultural, não temos muito o hábito de ler. Os livros não me motivavam. Acredito que as escolas deveriam adotar livros que os adolescentes gostem e os motivem a ler mais, não o contrário. A literatura brasileira é muito pesada para alguns adolescentes.

2) Quem te incentivou a escrever? Por quê?

Comecei a escrever aos meus 13 anos, eu não lia muito e nem sei bem de onde surgiu esse gosto pela literatura.  Aos 18 anos deixei de escrever e só retornei 10 anos depois, após ler muitos livros entediantes, chatos e cheios de encheção de linguiça (livros nacionais e internacionais). Propus-me a escrever algo fluido e que prendesse o leitor. Através dos feedbacks que tenho recebido, seja através de resenhas ou opiniões de leitores, acho que consegui. Estou bastante feliz com isso. Uma leitora chegou a ler o livro em 24 horas (420 páginas)! Se fosse chato acredito que ela não teria lido assim, tão rapidamente. E pretendo realmente seguir esta carreira e escrever vários livros. 

3) Você tem três livros inéditos, escritos na adolescência. Sobre o que falam?

Antes de completar 18 anos já tinha escrito quatro livros. São bem fraquinhos, mas me serviram de laboratório. Porém, ainda penso em pegar alguns elementos deles e criar um livro mais maduro.  Sempre gostei de tocar em vários temas. O primeiro foi um romance de época, o segundo um livro sobre uma mulher ninfomaníaca, e o outro sobre um casal de adolescentes homossexuais. 

Lançamento 7mbro Eterno - divulgação

4) Um livro também tem sua hora para nascer? Comente.

Sempre. Não adianta forçar, pois vai sair algo fraco. Meu processo de escrita é geralmente lento. Tenho um compromisso com uma boa narrativa. Não escrevo só para apresentar algo, prefiro não fazer assim. Já deixei de participar de alguns concursos, devido o pouco tempo para a produção. Porém, o segundo livro eu escrevi em duas semanas. Ele já estava todo pronto em minha mente. Não precisei criar muitas outras coisas. Era sobre minhas viagens e coisas da vida.

5) Você é Designer Gráfico e também trabalha com criação publicitária. Ou seja, une grandes paixões. Dentre elas, há uma que tem um carinho especial? Por quê?

As duas áreas estão interligadas pela criatividade, pela ideia de criar algo belo. Eu adoraria viver só da escrita, mas isso é bem complicado, porém, um sonho que persigo.

 

Oliver Fábio entre amigos durante o evento de lançamento. Foto divulgação

6) Fala pra gente sobre suas obras publicadas “E O CÉU DE MIRAMAR?” e “7MBRO ETERNO”. Como elas nasceram, do que falam e onde encontrá-las?

“E O CÉU DE MIRAMAR?” é bem intenso e levou cerca de 4 anos para ficar pronto. É um drama com suspense, romance e uma pitada de fábula. Os personagens são de fácil identificação e o leitor vai se envolver rapidamente. Por 4 anos vivi o universo dos personagens, então, tenho um pouquinho de cada um deles. Porém, os que mais me identifico são: Amaya e Clara, devido elas terem uma vontade imensa de conquistar algo. Como disse Adriana Calcanhotto: “Eu gosto dos que têm fome, dos que morrem de vontade, dos que secam de desejo”, geralmente estes vão à luta e conseguem o que desejam e merecem palmas. O livro surgiu após a minha primeira viagem para a Argentina em 2008, para Mar del Plata. Na verdade, comecei a escrever após ter lido algo com zumbis e pensei em trabalhar esse tema, porém, essa ideia se dissolveu no livro e a história ganhou outro viés. Quando comecei a escrever eu não sabia onde seria ambientado, só decidi isso na minha segunda viagem em 2011, para Buenos Aires, onde minha paixão aumentou avassaladoramente por aquele país. Em 2008, um casal de amigos me levaria para Miramar e acabou que não deu e acho que isso ficou gravado na minha mente. Eu desejava saber como era a cidade, acabei pesquisando e ela se tornou o local para a intrigante família García ganhar vida. O primeiro título era: “No dia em que não olhei para trás”, porém, achei muito grande e pensei em “A travessia”, mas era bem vago. E após 02 anos do início, resolvi mudar para “E o céu de Miramar?”.

Sobre “7MBRO ETERNO”, era para ser um romance-drama-suspense, mas tirei o romance. A história se passa em Brasília, porém, não tem nada ligado a políticos ou corrupção. No entanto trata das nossas políticas pessoais e da nossa corrupção diária (não somos perfeitos e sempre queremos burlar algo ou nos darmos bem e pretendo abordar esse nosso lado negro). Citando Calcanhotto: “Confessando bem, todo mundo faz pecado logo assim que a missa termina”, essa é a premissa. 

Os livros podem ser adquiridos diretamente comigo pelas minhas redes sociais.

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7) Quando um livro é adaptado para TV ou Cinema, geralmente o leitor reclama da obra audiovisual. Você já viu algo acontecer ao contrário, ou seja, a obra televisiva ou cinematográfica ultrapassar as expectativas da literária? 

Tem sim. No caso, o filme teve mais marketing que o livro. Por exemplo: “Preciosa”, “O Diabo Veste Prada”… Na verdade, tem muitos filmes e séries que só são sucesso por serem adaptações. No entanto, um livro será sempre mais rico nos detalhes. Apenas ver a história acontecendo é diferente de criá-la em sua mente.

8) Hoje há diversas formas de editar um livro. Uma delas é a autopublicação. O que acha dessa nova porta que se abre para os autores?

A  autopublicação é uma boa solução para o autor lançar seus livros, já que praticamente todas as editoras cobram um valor bem salgado. Existem as plataformas onde você pode escrever e, se sua história engajar, é possível que uma editora te convide. Isso é bem raro. Por isso, optei por lançar de forma independente e fazer meu próprio marketing. Fiquei bastante satisfeito com o resultado.

 

7MBRO ETERNO - E O CÉU DE MIRAMAR - Crédito Divulgação

9) Quando pensamos em literatura estrangeira e as estrondosas edições na Europa e Estados Unidos, notamos que no Brasil o autor ainda luta muito para que sua obra seja publicada e lida por alguém. Que opinião você tem sobre o motivo de ainda engatinharmos nessa questão?

As editoras brasileiras querem ganhar dinheiro basicamente. Poucas pegam um escritor e investem na carreira dele como lá fora. Por isso que peço aos leitores: “Por Deus, se libertem dessas modinhas!” Alguns desses livros só servem para perdermos tempo e não nos agrega nada de conhecimento. Gente que começa a escrever por ter fama em outra área está fora da minha lista. Infelizmente as editoras estão se rendendo aos ‘likes’ dos outros. Contratam alguém que já tem uma legião de seguidores e começam a publicar livros descartáveis.

10) Antigamente não víamos cursos de Escrita Criativa no Brasil. Hoje há diversos, inclusive EAD (Estudo à distância). Uma escola é suficiente para alguém escrever uma obra literária? Por quê?

Não. Uma escola vai te ensinar uma técnica e aprimorar seu português. Porém, para escrever precisamos de criatividade. Já li livros com uma escrita rica e fabulosa, no entanto, a história era chata e não me prendeu. Tenho vários livros aclamados, e que é um tédio. Já não funcionam para o mundo dinâmico de hoje.

O autor e seus livros. Foto divulgação

11) Por que escrever muitas vezes é tão difícil para as pessoas?

Simplesmente pela falta de criatividade. Essa é a maior trava. A primeira frase é a mais difícil, mas depois começa uma avalanche de ideias, que acabo até me perdendo. Com o livro “E o céu de Miramar?” foi mais ou menos assim, tive que sair cortando várias partes e a obra ainda ficou com 420 páginas. Entretanto, foi o importante para manter uma narrativa envolvente e atrativa. Na segunda edição eu cortei alguns trechos e retirei 20 páginas.

12) O que tem a dizer aos novos autores que rabiscam os primeiros sonhos?

Apenas leiam o que tiver pela frente e escreva sempre qualquer coisa. Leia o que chama a sua atenção. Você precisa ter uma bagagem para escrever histórias relevantes. Temos gostos diferentes e por esse motivo prefiro não indicar um livro específico. Ler bastante é o ponto mais importante.  Perceber os ‘nós’ das narrativas, o porquê do livro existir e no que sua história vai agregar à vida do leitor. É muito importante: passar uma mensagem, de preferência que seja algo positivo. Um escritor deve ter consciência do que está escrevendo e quais os objetivos com aquele livro. Deve conhecer bem os fatos históricos, não para escrever um livro didático, mas para que possa dominar o assunto e ilustrar de uma forma leve e verdadeira. Também deve ser um confeiteiro (isso é muito importante!), para colocar um pouco de magia e doçura em nossas vidas. 

 

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