'Bibi Ferreira, uma Vida no Palco': fotobiografia ganha nova edição nos 98 anos da artista

Bibi Ferreira

Com uma carreira profissional que se estendeu por quase 80 anos, a atriz, diretora e cantora Bibi Ferreira foi uma das mais importantes figuras da cultura brasileira.

Nesta segunda-feira, 1º, dia em que são lembrados os 98 anos de nascimento e, entre os eventos comemorativos, surge uma nova edição de Bibi Ferreira – Uma Vida no Palco, biografia fotográfica que mostra seus principais momentos, até pouco antes de sua morte, em fevereiro de 2019.

A obra tem coordenação editorial do empresário e mestre de cerimônias Nilson Raman, amigo da biografada, e entrevistas realizadas por Maria Alice Silvério que registram a trajetória de um dos maiores nomes do teatro nacional. A nova edição do livro, que atualiza as duas últimas décadas da carreira de Bibi (1922-2019), está disponível a partir desta segunda-feira (1º), quando ela completaria 98 anos. A versão virtual é gratuita, e a física tem uma tiragem limitada de 800 exemplares.

Com 292 páginas, a nova edição mostra o início de Bibi no circo, passando por todas as suas produções nas artes cênicas, pela televisão, grandes interpretações – como a de Édith Piaf, seu papel mais longevo – até chegar ao dia de seu falecimento, em 13 de fevereiro de 2019. A própria atriz sempre conseguiu opinar sobre o material: ela ia sendo atualizado aos poucos por Raman, que visita cada projeto dela com recortes de jornais e fotos.

Nascida Abigail Izquierdo Ferreira, em 1922, no Rio de Janeiro, filha do ator Procópio Ferreira e da bailarina argentina Aída Izquierdo, Bibi estava predestinada pelo pai à carreira artística.

“Não quero mais morrer! Nasceu a primavera da minha vida. Ganhei uma filhinha de nome Abigail, a quem chamarei de Bibi. Ela vai cantar, representar e fazer muitas coisas bonitas em um palco”, escreveu Procópio a um amigo.

Para isso, Bibi estudou diversos idiomas quando jovem, a fim de se preparar para qualquer carreira. Estudou em casa porque, aos nove anos, teve a matrícula negada no Colégio Sion do Rio por ser filha de um ator de teatro.

Sua estreia profissional nos palcos aconteceu em 28 de fevereiro de 1941, quando interpretou Mirandolina, na peça La Locandiera. Em 1944, montou sua própria companhia teatral, reunindo alguns dos nomes mais importantes do teatro brasileiro, como Cacilda Becker, Maria Della Costa e a diretora Henriette Morineau. Pouco mais tarde, foi para Portugal, onde dirigiu peças durante quatro anos, com grande sucesso.

Em 1983, ela voltou a brilhar em Piaf, homenagem à grande cantora francesa Edith Piaf. Sob direção de Flávio Rangel (1934-1988), Bibi não deixava mais dúvidas sobre seu talento dramático. Piaf ficou oito anos em cartaz, entre Rio, São Paulo e demais estados brasileiros.

Quando finalmente se apresentou no Lincoln Center, em Nova York, em 2012, em comemoração aos seus 90 anos, a felicidade era pelo ponto alto atingido pela filha de Procópio. “Estou na América”, saltitou ela, tão logo desembarcou no aeroporto.

Raman conta ter organizado treinos com quantidade reduzida de pessoas no quarto de hospital, pois planejavam fazer um espetáculo em homenagem aos 10 anos de falecimento de Dorival Caymmi.

— 2018 foi um ano difícil para ela. Foram três hospitalizações e, na última, ela perdeu o movimento das pernas. Para uma pessoa que teve uma vida de aplausos, não deve ter sido muito satisfatório ficar um ano olhando para um teto branco. É algo da vida mesmo — diz Raman.

O autor acredita que o que manteve Bibi viva e tão ativa até o final foi a paixão pelo teatro.

— Não foram as viagens, ass turnês nacionais, e sim o palco. Era o palco que mantinha ela viva. A Bibi era a Bibi no palco. Quando saía dali, era uma senhora clássica de 90 e poucos anos. Tinha vezes que queria papo, em outras, não. Ela era muito engraçada, divertida, religiosa… E fazia questão de cumprimentar cada um, independente de quem fosse, ao sair do teatro — lembra Raman em entrevista a jornalistas. 

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