Xandy Novaski entrevista a artista plástica e colunista Ana Jardim

Cartaz do programa de rádio Crianças no Ar - Crédito Arquivo Pessoal

Ela já apresentou programas de rádio e televisão, atuou no setor de propaganda e marketing, é artista plástica, foi professora, entretanto, ANA JARDIM afirma que a principal função em vida é ser mãe. Lindo, né!

Conheça a trajetória dessa mulher que transcende através de sua arte!

1 – As artes plásticas tem um papel fundamental em sua vida. Esse amor começou lá nos Estados Unidos, na Easton Area High School, ou há um parêntese que te leva a um passado ainda mais remoto?

O motivo de a arte ter passado a ser fundamental em minha vida, com certeza, se deve ao fato de eu me interessar por um pouco de tudo que aguce minha sensibilidade. A arte é bastante generosa com quem se interessa por ela, o que a torna apaixonante. Eu fiz um curso de artes, nos Estados Unidos, onde morei durante um ano como bolsista do Rotary Clube Internacional, mas desde criança, eu adorava tudo que se relacionasse a ela. Me encantava ver minha mãe fazendo desenhos incríveis, na primeira página dos cadernos de seus sete filhos. Os mesmos, reproduzi nos cadernos do meu filho, os quais guardo até hoje.

Entrega de camisetas para o evento do futebol dos artistas - Crédito Arquivo Pessoal

2 – Como as artes plásticas podem ajudar as pessoas que hoje vivem o isolamento social em função da pandemia por causa da covid-19?

A arte, nas suas diversas manifestações, pode ajudar as pessoas em qualquer etapa de suas vidas, tanto como terapia, quanto como profissão. Especificamente nestes tempos de isolamento social, é ótima companhia por ser tão democrática. Quando me vejo diante de uma tela, sinto como se eu estivesse em belas viagens. Tocando-a, fico imaginando o que ela possa estar me pedindo. Algumas vezes, faço poesias durante o processo de manifestação do que está surgindo. A arte me relaxa, tanto que esqueço tudo a minha volta. Meu mundo passa a se resumir em uma tela, pincéis e tintas, que me levam onde eu quiser ir. Estou falando especificamente de pintura em tela, mas existem várias outras formas de chegar a este êxtase. Cozinhar com amor, cantar, dançar, tocar um instrumento musical, escrever, conversar consigo mesmo ou com outrem. Tudo é arte, portanto, traz um relaxamento indescritível, tão necessário nos momentos de tensão.

3 – Numa visão geral, qual é a verdadeira função da arte da vida das pessoas?

A arte é um dos meios de comunicação entre as pessoas e os povos. Ela tem um compromisso com a verdade de uma história para que possa se perpetuar.

Camarim Rede Globo com Christiane Torloni - Crédito Arquivo Pessoal

4 – Outra área importante em sua trajetória profissional é a comunicação social. Você já atuou no setor de propaganda e marketing, foi âncora em programas de rádio e TV, e também trabalhou como relações públicas. Ou seja, tem um conhecimento amplo sobre esse campo. O que mais lhe fascina na comunicação?

A comunicação social entrou em minha vida, quando eu fazia palestras, como uma estudante embaixadora do Brasil nos Estados Unidos. Esta é uma das funções do bolsista do Rotary Clube. De volta ao Brasil, sabiamente, minha mãe me influenciou a fazer vestibular para Letras na UFMG. Muito completo, o curso aprimorou meus conhecimentos nas áreas de Propaganda, Marketing, Psicologia, Sociologia e em várias outras. Durante os anos que trabalhei na empresa do meu saudoso pai, ousei produzir propagandas publicitárias, as quais eu gravava na emissora de rádio local. Daí em diante, tudo começou a acontecer em efeito cascata. Como minhas propagandas eram diferenciadas, outras empresas contratavam meu trabalho. Através da rádio, fiz um curso intensivo de propaganda em Belo Horizonte, administrado pelo proprietário de uma produtora paulistana. Curso este que aumentou minha confiança no trabalho, já que descobri que eu só precisava aprender o nome do que eu já fazia. Em seguida, vieram os convites para fazer um programa infantil nessa mesma emissora de rádio e, paralelamente, em uma rádio no norte de Minas Gerais, para onde eu mandava os programas gravados. Ao vivo, só uma vez por mês. O programa em TV local foi consequência da experiência que adquiri na área de comunicação e do sucesso alcançado em um evento, que fizemos para nossa empresa familiar em comemoração aos seus 45 anos. Foi um evento que está na memória até hoje, dos Lafaietenses que prestigiaram a festa. Anos depois desse evento, fui convidada por Milton Campos, para trabalhar em sua produtora no Rio de Janeiro. Eu trabalhava junto ao Milton como Relações Públicas, o que me levava a fazer visitas ao Projac, para fechar possíveis contratos com artistas para a participação de eventos. O que mais me fascina nesta área, além de interagir com pessoas de vários segmentos, é a possibilidade de promover pessoas e produtos. Quanto ao que eu realmente desprezo, são as fake news e propagandas enganosas. Já descartei várias propostas, por não acreditar no produto ou empresa que eu fui chamada a propagar. Sou movida pelo coração.

5 – Você apresentou um programa infantil numa rádio. Como era se dirigir ao público infantil através dessa mídia?

A alma infantil é um terreno fértil. Se sua mensagem for passada com carinho, amor e verdade, o sucesso é garantido em qualquer meio de comunicação. Amo crianças, por isto, tenho facilidade em cativá-las. Elas sentem a verdade em mim.

Ana Jardim com o filho Renato. Arq. pessoal

6 – É verdade que o programa fez tanto sucesso que passou a ter auditório? Comente.

Sim, o “Crianças no Ar”, realmente fez muito sucesso. Ainda guardo cartinhas de crianças de minha cidade, Conselheiro Lafaiete-MG, e de várias outras cidades da região. Receber uma carta era sempre uma grande emoção. Como o programa era ao vivo, crianças apareciam para me conhecer e participar.  Assim, o estúdio ficou tão pequeno, que foi transferido para um auditório que comportava mais de 400 pessoas. O dia que me pediram o primeiro autógrafo foi inesquecível. Eu não esperava.

7 – O programa ‘Sintonia’, que também contou com a sua participação como âncora, era um projeto de variedades. O que o projeto deixou como marca na trajetória profissional da Ana Jardim?

O programa de televisão me ensinou a lidar com as câmeras com naturalidade, já que comunicar com o público não apresentava mais nenhum problema para mim. Como a TV tem uma dinâmica diferente da do rádio, aumentei meus conhecimentos em mais um meio de comunicação.

8 – Assim como diziam que a rádio morreria devido ao boom da TV, hoje muita gente aponta o fim do sinal aberto e fechado da telinha por causa da internet. O que você tem a dizer sobre isso?

A rádio não morreu, assim como a televisão não vai morrer, desde que se transforme atendendo as demandas atuais, que exigem alta tecnologia para continuar atendendo as exigências dos consumidores que naturalmente mudam com o passar do tempo. O mundo está conectado e a evolução está acontecendo o tempo todo, em uma velocidade absurda. Enfim, a TV tem que dançar conforme a música e em um ritmo muito mais acelerado, para conseguir manter a audiência e publicidade drasticamente reduzidas pela internet. Vale lembrar, que nem todos têm condições ou preferência para pagar por serviços mais inteligentes.

OBRA - ANA JARDIM - Crédito Arquivo Pessoal

9 – Regressando ao seu tempo nos Estados Unidos, nota-se que país foi o alicerce para que, na sua volta ao Brasil, você se formasse em letras e atuasse como professora de inglês. Vivenciar a língua natal de uma nação traz qual diferencial na hora de repassar isso como docente e comunicadora?

Vivenciar a língua natal de uma nação amplia imensamente nossos horizontes, derrubando fronteiras, o que facilita a relação entre alunos e professores, assim como, entre pessoas do mundo inteiro.

10 – Revendo toda sua trajetória, há algo na carreira que não faria novamente ou passaria por tudo de novo? Por quê?

Eu não me arrependi de nada que eu fiz. Só cresci e pretendo alçar novos voos. O convite para ser colunista de uma revista tão bem conceituada como a do Villa, foi um presente surpresa. Meu primeiro livro está em andamento. Já fiz aulas de teatro, que me levaram a protagonizar uma peça infantil. Faço aula de música e agora falta sentir o gostinho de fazer cinema. Quem sabe? Eu não acredito no impossível. O que me faz feliz? Agir com coerência entre o que penso e faço. Música que marcou? “Evidências”, de Chitãozinho e Xororó. Meu maior desejo? Já foi conquistado: ser mãe e, assim, conhecer o amor incondicional tão almejado.

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9 Comentários

  • Lindo! Parabéns! Ana!!!👏👏👏👏🙏💐💐

  • Como sempre, “Maravilhosa”!
    Acompanhei parte da trajetória da Ana, sei o quanto é inteligente, dedicada, inspiradora. Parabéns! Você é muito “Especial”

  • Que bom saber mais sobre a trajetória da Ana Jardim! Parabéns pela entrevista!!

  • Muito bom reviver histórias e trajetórias. Parabéns. A gente leva dessa vida a vida que se leva.

  • Muito legal a história que acompanho há algumas décadas com detalhes que não conhecia!
    Parabéns pela luta do dia a dia e pelos resultados!!

  • Parabéns Ana, pela bela trajetória de puro sucesso.A arte faz parte da sua vida.

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