Daniel Braga: o Dragão Chinês e um mundo de oportunidades

Fonte: reprodução internet

País de cultura milenar, historicamente palco da disputa de muitos guerreiros e criadora da maior rede de comércio no Mundo Antigo com sua Rota da Seda, a China, ainda é um mistério para a maioria dos brasileiros e sua imagem ofuscada por ideias carregadas de preconceitos e ingenuidades ideológicas. Conhecer melhor aquela cultura e estar atento aos ambiciosos projetos socioeconômicos da China pode garantir oportunidades para as empresas brasileiras, em especial, o agronegócio. Para iniciar nossa leitura, devemos ter em mente que países não têm amizades, mas interesses. Ao Brasil, é urgente preparar-se para atuar neste contexto e maximizar seus ganhos no contexto internacional emergente.

São descobertas atribuídas aos chineses: o papel, o macarrão, o arado de ferro, a plantação em fileiras, a irrigação, a tinta, a sericultura, a bússola, o carrinho de mão, as pipas entre outras utilidades. O Canal Jing-Han, uma obra milenar que merece destaque, ao possibilitar em eras remotas, a navegação e as trocas comerciais em uma rede fluvial de mais de mil quilômetros pelo território chinês e a Grande Muralha e seus vinte mil quilômetros são provas de que a China se move por grandes desafios e impressionantes números. Os preceitos do Confucionismo e Taoísmo que se sustentam nas tradições, ética, hierarquia, ordem e respeito às lideranças moldam a forma de pensar e agir de sua população de mais de 1.3 bilhão de pessoas.

Antes de Cristo, inúmeras dinastias coexistiam, nem sempre harmonicamente, no atual território deste extenso país asiático. Alternando momentos de crise e prosperidade, o “reino do centro do mundo” – uma das traduções da palavra China – já se relacionava comercialmente com outros povos por uma malha de escoamento de produção que garantiu muito mais do que a troca de mercadorias, mas também, o intercâmbio de culturas, religião e tecnologias entre os impérios do extremo, médio Oriente e do Mediterrâneo. Seu protagonismo e influência eram determinantes no mundo. No final da Idade Média, o mercador veneziano Marco Polo encantou-se pela pujança e prosperidade das cidades chinesas chegando a constar no Livro das Maravilhas um relato que dizia “há mais riqueza em uma rua de mercado de Pequim que em uma cidade inteira da Europa”.

Fonte: reprodução internet

 Para entender a China contemporânea, devemos dedicar um pouco de atenção aos acontecimentos que se sucederam após a Revolução Comunista de 1949 com a ascensão de Mao Tsé Tung e seu regime autoritário. Suprimindo liberdades, coletivizando e estatizando propriedades e fechando o país às relações internacionais suas medidas não foram capazes de trazer ganhos à população, tendo como consequências, violência, fome e retrocessos econômicos. Isolada, rural e improdutiva, esta realidade muda, drasticamente, no final da década de setenta com o governo Deng Xiaoping que, a partir das “Quatro Modernizações” baseadas em planejamento estratégico de longo prazo; reformas sociais, educacionais e econômicas; restauração da propriedade e produção privada; restabelecimento das relações internacionais com parceiros estratégicos; atração de investimentos estrangeiros (principalmente norte-americano) e a criação da maior plataforma de exportações do mundo geraram rápidas transformações em três décadas a índices de crescimento acima da média global. Entre 1980 e 2018, o PIB chinês cresceu 37 vezes. Aplicando um “socialismo de mercado”, a máxima de Deng foi aplicada à risca nas oportunidades de ganho. Para ele, não importava a cor do gato, o importante era que pegasse o rato!

Produtos Made in China passaram a ocupar as prateleiras do mundo. Baixo custo de produção, eficientes sistemas de promoção, venda e distribuição de sua imensa produção e alianças comerciais bem costuradas garantiram para o país a posição de maior exportador global. Os excedentes monetários de suas vendas permitiram à China, também, a possibilidade de se tornar agressiva investidora internacional. Impressionantes obras de infraestrutura no território chinês e em outros países, como estradas, portos, trens de alta velocidade, hidroelétricas, aeroportos como também realizaram a aquisição de títulos das dívidas nos Estados Unidos e Europa, além da compra de ações de empresas até no Brasil e sua eterna instabilidade. 

O atual governo de Xi Jinping já deixou claro seu objetivo: fazer da China a maior economia do mundo em 2049, quando se comemorará o centenário da Revolução. Especialistas na economia do país apontam que Xi adotará uma mudança nos rumos que vinham sendo implementados nos últimos quarenta anos, alterando a base do país de plataforma de exportações de produtos de baixo valor agregado e forte investimento internacional para um momento de retorno ao mercado interno. Elevar a renda de sua população; promover a emersão de mais de 700 milhões de habitantes à classe média; estimular o crescimento do poder de consumo desta massa de forma sustentável; aumentar e equilibrar o processo de urbanização; assegurar competitividade às empresas; enfrentar tensões sociais internas fruto das reformas e reduzir os índices de degradação ambiental e respeito às tecnologias limpas estão no rol dos objetivos em curso de seu governo.

Dentre as ambiciosas medidas chinesas, merece destaque o projeto “One Belt,One Route”, também conhecido como a “Nova Rota da Seda”. Esta política de desenvolvimento econômico, que visa o triunfo do país como o principal centro mercantil do mundo, como fora há séculos, baseia-se na construção da maior rede de investimentos da história contemporânea, avaliada em mais de 1 trilhão de dólares. Para conectar a China aos demais continentes serão construídos seis corredores econômicos para facilitar as trocas comerciais e interconectar os países de forma mais eficiente. As “pontes” serão terrestres (rodovias, ferrovias, gasodutos, oleodutos); marítimas (sistema integrado de mais de trinta portos); aérea (aeroportos e voos regulares entre as principais cidades) e digital (satélites, cabos transcontinentais, dinamização da troca de informações e de tecnologia 5G, Big Data além do comércio virtual).

Fonte: reprodução internet

A despeito das dificuldades da recuperação após a atual crise sanitária e da “Cassandra” que balbucia inverdades aos quatro cantos, comportamento habitual de brasileiros mal informados; devemos observar a China sem ingenuidade a fim de detectarmos oportunidades de negócio nesta nova etapa do desenvolvimento daquele país. Pesquisarmos a história, a cultura, os rituais e costumes facilitam a investigação de inteligência de mercado. A gradual elevação da renda da população e a entrada de quase três populações do Brasil na faixa de consumo estimularão o consumo de proteínas animais e vegetais, papel e celulose, laticínios, bebidas alcóolicas, frutas, cosméticos e artigos de maior valor agregado. Inovação, produtos orgânicos e saudáveis, ciência e manejo agropecuário, tecnologias energéticas limpas e biossegurança deverão ser demandados em quantidades consideráveis. O dragão precisa alimentar mais de um bilhão de pessoas e quer comprar; estamos preparados para vender?

A tendência de julgarmos as realidades diferentes da nossa como boas ou ruins; a falta de planejamento e visão de futuro das nossas políticas públicas e privadas; o desconhecimento das especificidades da cultura oriental e das rápidas mudanças que vêm sendo implantadas em toda Ásia; a baixa agressividade comercial e todas as ineficiências do Custo Brasil, o que não cabe aprofundamento neste texto, podem deixar nosso país à margem do processo de expansão e ganhos deste movimento. É tempo de somar esforços, inciativas e conhecimento para explorarmos os nichos que estão se formando e resolvermos, para ontem, nossas deficiências, abrindo novos caminhos.

Para se fechar um “negócio da China”, estudar é preciso! Orgulhosos de suas tradições e exímios anfitriões, os chineses gostam de cultivar amizades e estabelecer parcerias duradouras, com base na confiança. Não gostam de perder tempo (muito menos dinheiro) e trabalham visando o futuro. Dominar o máximo de informações sobre o que se pretende comercializar, ter paciência com os rituais locais, evitar a abordagem temas delicados (como política, por exemplo), obedecer prazos e compromissos e respeitar o protocolo do uso dos cartões de visita são diferenciais sutis mas fundamentais ao sucesso nas relações comerciais com o dragão.

Segundo um pensador da filosofia Tao, a delicadeza vence a força. Devemos falar doce e claramente; praticar coisas boas a todo instante, pois a vida é cíclica e estamos em constante movimento: não podemos ficar parados! Para maiores informações sobre a China e as oportunidades de seu mercado, contate-me pelo Instagram @danielbsb ou e-mail: dmachadobraga@uol.com.br 

Fonte: reprodução internet
Compartilhe nas redes sociais
Publicação Anterior

LIVE Mindfulness Educacional com Renata Esteves

Próxima Publicação

Alvaro Assad estreia série de lives Comicidade & Trajetória

9 Comentários

  • Inteligentíssimo texto. Fechando c chave de ouro: a delicadeza vence a força – Tao!

  • A China foi dos lugares, senão O Lugar mais surpreendente que já visitamos nesse mundo. Impressionante sob inúmeros aspectos.

  • It is actually a nice and useful piece of info.
    I’m glad that you simply shared this helpful info with
    us. Please stay us up to date like this. Thank you for sharing.
    adreamoftrains web hosting sites

  • Hello, constantly i used to check web site posts here early in the dawn, because i enjoy
    to gain knowledge of more and more.

  • Hey there! I’ve been reading your website for a while now and finally got the
    bravery to go ahead and give you a shout out from Houston Texas!
    Just wanted to tell you keep up the excellent work!
    34pIoq5 cheap flights

  • Hey There. I found your blog using msn. This is a very well written article.

    I’ll be sure to bookmark it and come back to read more of your useful information. Thanks for the post.
    I will definitely return.

  • … [Trackback]

    […] Info to that Topic: revistadovilla.com.br/2020/06/11/daniel-braga-o-dragao-chines-e-um-mundo-de-oportunidades/ […]

  • … [Trackback]

    […] Info to that Topic: revistadovilla.com.br/2020/06/11/daniel-braga-o-dragao-chines-e-um-mundo-de-oportunidades/ […]

  • … [Trackback]

    […] Find More on that Topic: revistadovilla.com.br/2020/06/11/daniel-braga-o-dragao-chines-e-um-mundo-de-oportunidades/ […]

Deixe uma resposta para Fred Garschagen Cancel reply

O seu endereço de e-mail não será publicado.