Petro Pupe apresenta o mito no mundo da moda: Chanel

A exclusividade e elegância do império chamado Chanel. A alta-costura, roupas, bolsas, sapatos, joias, acessórios, cosméticos e perfumes são tendências para milhões de mulheres do mundo inteiro.

Considerada uma das forças do movimento feminista do começo do século passado, Coco Chanel criou uma moda elegante até os dias de hoje, sinônimo de elegância e conforto. A responsável por grande parte das principais mudanças no vestuário feminino e na moda ocorridas no século XX.

Grande nome da moda: Coco Chanel.
A história 
 
Para contar um pouco da história da marca CHANEL é imprescindível conhecer um pouco da vida de sua criadora. A estilista francesa, que se tornou símbolo de uma revolução nos hábitos e na postura da mulher no cenário social, adquiriu a elegância e simplicidade como formas de sobrevivência. Mitômana (uma mentirosa compulsiva), nunca quis admitir sua origem pobre. Foi apenas após a sua morte, em 1971, que os reais fatos de sua infância ficaram conhecidos do público. Nascida no interior da França, na pequena vila de Saumur em 19 de agosto de 1883, Gabrielle Bonheur Chanel ficou órfã de mãe, que era costureira, aos treze anos de idade. Seu pai, Albert Chanel, a mandou para um convento da cidade francesa de Auvergne, onde permaneceu até o fim da adolescência. Porém, a vida simples da cidade do interior não condizia com a ânsia de Coco Chanel. Trabalhou como balconista em uma loja de tecidos (onde aprendeu a profissão de costureira e manejar a agulha com perfeição).
 
O intuito de vencer na vida era mais forte e, para isso, ela decidiu sair à procura de amantes, de preferência homens ricos, que pudessem lhe ajudar. Esse foi o primeiro grande confronto de Coco Chanel com a sociedade machista do início do século XX. O envolvimento com o milionário oficial da cavalaria Etienne Balsan levou-a a Paris e a inseriu na alta sociedade da capital francesa. Com a ajuda do cobiçado playboy inglês Arthur Capel (que muitos dizem ter sido o grande amor da estilista e morreu jovem em um acidente automobilístico em 1919), montou sua primeira loja, a Casa Chanel (Chanel Modes) em 1910, no piso térreo de um edifício em Paris. No começo, vendia elegantes chapéus femininos e acessórios. A loja estava localizada na região da Balsan, que era ponto de encontro dos burgueses e políticos franceses e suas amadas, e uma oportunidade para Coco vender seus famosos e impecáveis chapéus. O estilo simples encantou as damas parisienses que frequentavam o jóquei clube da cidade. Coco Chanel decidiu dedicar-se à costura. Arthur viu em Coco uma futura mulher de negócios e a ajudou a adquirir um imóvel.
 
Seus cortes simples encantaram, em 1913, antes da Primeira Guerra Mundial, inaugurou, simultaneamente, duas butiques de moda, em Deauville (um dos elegantes centros da França na época) e em Paris. Nesta época ela começou a criar roupas esportivas femininas. Em 1915, quando já chefiava um exército de 300 funcionários, abriu uma loja de alta costura em Biarritz e, em 1918, fixou-se definitivamente no mítico n.º 31. Ainda nesta época foi ousada ao se tornar a primeira estilista a lançar um perfume com sua assinatura. Coco costumava dizer que no mundo da moda havia um excesso de homens que não sabiam como proporcionar o conforto às mulheres. Foi por isso que o estilo criado por ela revolucionou o século XX: ao libertar a mulher das faixas e corpetes apertados em saias cheias de babados, permitiu que se sentissem livres e poderosas, vestidas de maneira simples e prática. “Não há mulheres feias, há mulheres mal cuidadas”, costumava dizer. Com essa filosofia, queria atingir o maior número de mulheres que pudesse através de suas roupas de cortes retos e elegantes. Não se importava em ser copiada por outros estilistas; o que mais a alegrava era ver mulheres vestindo suas criativas inovações.
 
Jérsei, cardigã, vestidos de corte, jaquetas, saias plissadas, tailleurs, bolsas com alça de corrente dourada: a renovação do guarda-roupa feminino para servir a beleza e prazer das mulheres de bom gosto. Criando em 1919, o vestido preto de crepe com mangas justas e compridas (que ficou conhecido como “Little Black Dress” ou “Pretinho Básico” em português) seria outra de suas grandes invenções que se tornaria célebre e ousada, afinal era uma cor inédita para a alta-costura normalmente atribuída ao luto. Saindo das festas de gala e dos momentos de luto, se transformaria no curinga e, de antemão, marcaria o perfil da mulher moderna, preparada para ser uma profissional e parecer feminina e elegante em qualquer situação. Utilizado pela primeira vez em 1926, o modelo foi chamado pela conceituada revista Vogue como o “Ford dos vestidos” (uma alusão aos carros da marca americana que eram produzidos e vendidos em larga escala).
A fama internacional chegou na década de 1930, quando as atrizes de Hollywood começaram a utilizar produtos CHANEL. É o período de maior sucesso nos negócios, a consagração maior da estilista. Neste auge da fama, a empresa empregava 4.000 funcionários e chegou a vender 28.000 peças em um único ano. O segredo do sucesso de Chanel era simples: apenas desenhava roupas que gostava de vestir. Não criava-os em cima do tecido, mas no corpo da modelo. Isso porque era a roupa que deveria se adequar ao corpo, e não ao contrário, como gostava de dizer. Neste período, Coco Chanel conheceu muitos artistas importantes, vestindo estrelas reluzentes como a princesa Grace Kelly, atrizes como Marlene Dietrich, Marilyn Monroe e Ingrid Bergman, a primeira-dama americana Jacqueline Kennedy, entre outros grandes nomes da alta sociedade mundial. 
 
Em 1954 voltou a Paris e retomou seus negócios na alta-costura. Sua carreira teve um renascimento nesta época. O cardigã, o vestido preto e as pérolas tornaram-se marcas registradas do estilo CHANEL de fazer moda. Quando apresentou a coleção de 1958, as francesas ficaram maravilhadas. A tradicional revista Elle escreveu em destaque: “Dez milhões de mulheres votam CHANEL”. Suas inovações, de fato, retocaram toda a silhueta feminina. O novo comprimento de suas saias mostrou os tornozelos das mulheres, cujos pés passaram a contar com sapatos confortáveis de bicos arredondados. Pérolas em especial, e bijuterias em geral, ganharam lugar de destaque entre os acessórios, cachecóis enrolaram-se com classe nos pescoços e seu corte de cabelo tornou-se simétrico, reto, mostrando a nuca – o eterno CORTE CHANEL.

No ano de sua morte, no dia 10 de janeiro de 1971, aos 87 anos, no luxuoso Hotel Ritz de Paris, Coco Chanel ainda trabalhava ativamente desenhando uma nova coleção. Assim como toda a história de sua vida, o momento da morte também foi marcado por glamour e boatos. Sozinha, no quarto do sofisticado Hotel Ritz, onde viveu por aproximadamente 33 anos, a estilista teria dito a uma camareira que estava presente: “Vê? É assim que se morre. Sozinha, mas sempre chique”. O seu funeral foi assistido por centenas de pessoas que vestiam suas roupas em sinal de homenagem. Depois de sua morte, o empresário francês Jacques Wertheimer, que mantinha proximidade com Coco Chanel desde 1954, comprou a marca e a manteve sem grandes inovações, lucrando com a venda de perfumes, cosméticos e acessórios. Seu filho, Alain, fez disparar as vendas da fragrância Chanel nº 5 ao diminuir sua produção e retirar o perfume das prateleiras das lojas, atribuindo-lhe um conceito de exclusividade, além de investir uma fortuna em publicidade. O ano de 1978 foi marcado pelo lançamento da coleção prêt-á-porter. Já o ano de 1983 foi marcado pela chegada de Karl Lagerfeld à empresa como diretor artístico da marca tanto para a linha de alta-costura quanto para a de prêt-à-porter. Era o início de uma nova e glamorosa fase para a marca CHANEL comandada pelo “Kaiser da Moda”, que na época possuía apenas 19 lojas em todo o mundo.

O estilo clássico criado por Chanel, revitalizado por Lagerfeld, atravessou o século XX e se tornou atemporal. Nos anos de 1990, a CHANEL inaugurou mais de 40 lojas próprias nas mais elegantes e sofisticadas avenidas e cidades do mundo, incluindo a primeira loja em Tóquio (1994), para delírio das japonesas, fãs incondicionais da marca. Sob o comando do executivo Françoise Montenay, a CHANEL ingressou no novo milênio revigorada e cheia de novidades, que começaram com a inauguração em 2001 da primeira butique da marca especializada somente em acessórios. E seguiu em 2002, com uma luxuosa loja em Nova York especializada somente em joias e relógios.

Os incríveis cenários dos desfiles da Chanel

Além disso, a marca expandiu seu portfólio com o lançamento de cosméticos, óculos de sol e de grau. Mais recentemente, em 2017, a primeira flagship da CHANEL, aberta em Tóquio em 1994, reabriu no seu endereço original em um novo prédio projetado pelo arquiteto Peter Marino. Foi desta maneira que a grife CHANEL se tornou mundialmente reconhecida como um dos maiores impérios da moda, sempre exaltada pelos críticos por seus artigos de extremo luxo e altíssima qualidade. 

Coco Chanel, transformou gotas de perfume em símbolo de sensualidade e ajudou a libertar as mulheres dos desconfortos e formalidades da moda.

O Chanel nº 5 foi o primeiro perfume sintético a levar o nome de um estilista. “Um perfume de mulher com cheiro de mulher”. Revolucionando o mundo das fragrâncias, o perfumista utilizou em sua fórmula uma nota sintética (o aldeído, extraído do petróleo o ingrediente potencializa o aroma das flores) em proporções inéditas até então: eram mais de 65 substâncias em sua composição, entre as quais, rosas, jasmins de Grasse, flores raras do oriente e sândalo, além da luxuosa essência do pau-rosa, árvore tropical ameaçada de extinção e que encantou os europeus desde o século XVIII por sua exuberante fragrância. O cinco era o seu número da sorte, tanto que Coco apresentou o perfume oficialmente no dia 5 de maio de 1921. 
 
O perfume alavancou seus negócios e se tornou lendário. Mas foi Marilyn Monroe quem tornou o perfume um verdadeiro sucesso. Ao ser entrevistada em 1955, perguntaram o que vestia para dormir. Marilyn respondeu: “Apenas algumas gotas de Chanel nº 5”. Com a resposta, as vendas do perfume dobraram naquele ano. A composição da fragrância permaneceu praticamente inalterada ao longo de mais de meio século de existência, algo incomum mesmo entre marcas de prestígio. 
 
Em 2016, a marca lançou o Chanel Nº 5 L’Eau, um perfume voltado para um público mais jovem.
 
Em 2004 foi lançada uma estonteante campanha publicitária do perfume estrelada pela atriz Nicole Kidman, então o novo rosto do CHANEL nº 5 para encarnar a elegância e modernidade do produto.
 
O tradicional design do frasco é um capítulo a parte. Em 1921 ele se destacava pelas características minimalistas que contrastavam com o estilo rococó da época. Coco Chanel costumava dizer que não era o frasco que fazia o perfume, mas sim o que ele tem em seu interior, e por isso escolheu um modelo simples, de vidro, ao qual acrescentou uma etiqueta branca. Desde o seu lançamento, foram feitas apenas pequenas modificações ao design original.

 O scarpin Chanel, aberto atrás, com alças finas, perfeitamente ajustadas aos tornozelos por meio de inéditos elásticos laterais, fez um enorme sucesso, principalmente em pés famosos. Sapatos perfeitos, delicados e confortáveis. Eles alongavam as pernas e, ao mesmo tempo, deixava os pés mais delicados e femininos. 

Sem nunca perder as linhas clássicas do design original, o scarpin ganhou ao longo dos anos uma infinidade de variações – bico fino, acabamento de seda preta, pequenos laços, saltos quadrados. 

Chanel era fascinada por batons. Sua primeira criação foi lançada em 1954 através de um batom cremoso em formato de stick, que foi inserido em uma embalagem retangular, uma réplica exata do frasco spray do perfume CHANEL Nº5. O batom se tornou um ícone para a CHANEL que a grife passou a reservar um compartimento especial em suas bolsas somente para guardá-los. Este batom histórico passou por muitas adaptações, seguindo as inovações tecnológicas a cada ano.

O tradicional e reconhecido logotipo da marca CHANEL com dois “C” entrelaçados (Double C) foi criado pela própria estilista em 1925 e deriva das iniciais de seu apelido e sobrenome: “Coco Chanel”.

Viva o império Chanel! 

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