Xandy Novaski entrevista a atriz, historiadora e palestrante Laysa Machado

LAYSA MACHADO - PERSONAGEM JULIANA - MULHERES EM SÉRIE, de Renata Freire - Crédito Cristiano Soares

Um castelo desenhado no chão foi seu primeiro palco lúdico quando pequena. Daí em diante, LAYSA MACHADO entendeu que sonhar ia além do ‘esperar acontecer’. E foi realizar tudo aquilo que a vida lhe mostrava que era possível, enquanto muitos gritavam ‘não’. Conheça a linda trajetória de uma atriz e historiadora premiada, e muito, mas muito amada!

1 – Quero iniciar com a primeira grande decisão de sua vida. Quando entendeu que sua terra natal estava pequena demais para seus sonhos?

Então, foi no último ano da década de 99. Precisamente em dezembro de 1999. Em Guarapuava eu iria ser um bom professor. Eu queria ser uma boa professora e uma ótima atriz.

LAYSA MACHADO - PERSONAGEM DEISE - SÉRIE CONTRA CAPA, de Guto Pasko e Andréia Kaláboa - Crédito GP7 Produtora

2 – Você é uma atriz nata, nasceu com o dom. Em que momento despertou a vocação?

Em tinha 6 anos de idade, uma criança num lugar extremamente pobre. Eu não queria nada daquilo. Não queria passar fome, não queria mais ouvir as brigas dos meus pais, não queria mais ser agredida e lida como menino. Um dia, fui num terreno baldio, peguei uma varinha e desenhei no chão um castelo. Lá eu poderia ser uma princesa. A arte era um subterfúgio para fugir de tudo que não tinha, e ser o que eu queria ser. Uma princesa, ora uma bailarina, uma cantora, uma professora( …)

3 – Seu rosto é marcante no nosso cinema nacional, com prêmios inclusive no exterior. O que ainda não viveu na sétima arte, mas que está aí dentro querendo nascer?

Eu já fiz algumas personagens. Eu queria fazer o papel de uma mãe, com parto e tudo. (Risos). Mãe de um recém-nascido. Queria interpretar uma ativista lésbica, uma freira. Personagens fortes. Gosto muito.

4 – Além de atriz, você também migrou para a docência. O que te instigou à formação em História?

Na verdade, quando fui prestar o vestibular não tinha artes cênicas na época, na Unicentro. Então, o que se aproximava da arte era História, pois é uma ciência humana, conta fatos reais. Para interpretamos uma personagem, temos que acreditar que é real e passar toda verdade.

LAYSA MACHADO - CARTAZ DE MALDITA, um filme de Laysa Machado - Crédito Guilherme Lourenço

5 – O que a profissão de historiadora lhe garantiu nessas veredas da vida?

Eu acho que gostar de ler, investigar, conhecer as verdades, ir à fonte, ter profundidade no que acredito. Me conhecer e me reconhecer como agente do tempo e da história.

6 – A Laysa sempre foi uma menina sonhadora. Havia ali a lutadora em uma militância, a atriz que já dava sinais em reinar, aquela vontade de ser professora, o desejo de amar e ser amada… Qual desses foi seu maior sonho e por quê?

Sou geminiana e isto influencia minha personalidade multifacetada. Gosto de escrever, amo poesia, gosto de atuar e também estar na produção. Gosto da arte mambembe e botar a cara no sol. Se tem um projeto que quero fazer, ah eu faço. Então tudo se mistura em mim.

7 – Existe uma Laysa antes e depois do casamento? Por quê?

Sim. Você me conhece mesmo! Existe. Hoje sou uma Laysa mais serena, mais calma. Me sinto plena no casamento porque encontrei o amor e ele me encontrou. Não sofro mais quando algo não dá certo. Penso que não era pra ser. E acabou a sensação de solidão.

LAYSA MACHADO em sua rotina como professora - Crédito Arquivo Pessoal

8 – O que ficou da Laysa professora?

Nenhum desafio é maior que o desafio de ser professora no Brasil. Em meio a milhões de cobranças e perdas de direitos, etc. Sempre terá os alunos dizendo: “Professora, amamos você!”

9 – O matrimônio te levou para terras catarinenses. Agora também atua no empreendimento do marido, um restaurante requisitado à beira da estrada. Como estão se virando em tempos de pandemia?

Então, por ser um restaurante de BR (o restaurante Knop fica na 101, km 9.6 em Guaruva/SC) que tem como clientela os queridos caminhoneiros, embora o público tenha diminuído, sempre temos clientes. O Restaurante atende das 6h00 da manhã até as 22h30. A comida é caseira e uma delícia.

10 – O que você tem a dizer às pessoas que vivem nos casulos de seus sonhos, e por medo, não saem para viver suas glórias?

Cada pessoa tem sua vivência e seu tempo. Cada pessoa tem os seus motivos de ficar em seus casulos. Porém, o que me ajudou a quebrar os padrões e armário foram as referências, o ativismo, o movimento social. Precisamos de pessoas dando a “cara à tapa”. Fiz e faço isso e farei até o final da minha vida. Acredito que a mudança vem, ela pode ser lenta, mas ela sempre vem.

LAYSA MACHADO - ESPETÁCULO MORADA TRANSITÓRIA - Crédito Jéssica Michels
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