Dr. João Paulo Figueiredo: a vaidade e a arte

Homem Vitruviano, de Leonardo da Vinci,

Se em um dia qualquer, parassem você na rua e perguntassem qual a sua definição de beleza, o que você responderia? Qual o significado de “belo” em sua vida? Como ele é identificado e quais são os argumentos necessários para uma qualidade tão procurada, e disputada, entre os seres humanos?

O mundo muda a cada dia, e com essas mudanças a procura do “belo” é cada vez mais exacerbada e explícita. Sua aquisição, seja natural ou não, é capaz de confortar aspectos relacionados a inserção social, sensualidade, sexualidade e autoestima. Mas sendo tão importante e procurada, é possível defini-la? 

Muitos estudiosos procuram essa definição, e esta busca não é contemporânea, Leonardo Da Vinci, considerado um polímata, por estudar várias ciências, já produzia escrituras sobre proporções corporais no século XV, demonstrando o corpo perfeito através do Homem de Vitrúvio. 

Será que todos que observam uma pintura impressionista de Monet, como “o nascer do sol”, vão ver beleza na pintura, ou é preciso um entendimento intelectual para se enxergar o belo?

Definições como, “Belo é tudo aquilo que quando vejo, me faz bem”, são as mais frequentes, mostrando uma íntima relação a estados psicológicos ao que é belo. Exemplo: Você já viu alguma capa de revista de beleza, com uma modelo chorando?

Situações químicas também são importantes, para tudo que sentimos existe uma descarga de neurotransmissores que nos trazem satisfação, ou não, quando expostos. Exemplo: Duas pessoas podem sentir sensações diferentes ao provar um mesmo chocolate amargo, o mesmo ocorre para a visão, olfato, tato… portanto podemos relacionar “beleza” com estados químicos.

Sendo assim, percebemos que definir beleza é algo muito mais complexo do que imaginamos, é possível relacionar beleza com estados psicológicos, intelectualidade, proporções corporais, estados químicos (genética), situações sociais, entre outros. Porém, o grande problema é que a busca do “belo” pode ser patológica, e esta procura não ser jamais alcançada, pelo simples fato de não se poder defini-la.

Portanto, os bons profissionais devem saber pesar seus feitos, de modo a nossa experiência fazemos com os pacientes que operamos, e a nossa reputação fazemos com os que não operamos.

Quando encostamos o bisturi na pele de um paciente, estamos mudando o seu destino, e quando não, também.

 

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