Chico Vartulli entrevista o conceituado arquiteto Miguel Pinto Guimarães

Momento de descontração do arquiteto Miguel Pinto Guimarães. Arquivo Pessoal

 Miguel começou sua trajetória de maneira diferente da maior parte dos seus colegas. Começou a estagiar antes de entrar na faculdade. Sempre soube que seria arquiteto e, assim, começou a trabalhar no escritório do Cadas ainda com 15 anos de idade. Pouco tempo depois, foi contratado como estagiário no escritório do Claudio Bernardes, onde reencontrou com o Thiago, que tem exatamente a mesma idade e era seu amigo de infância. Thiago já estagiava no escritório do pai. A partir daí, entraram na faculdade, Thiago na Santa Úrsula, e ele na UFRJ.  

 Com o aumento das encomendas, resolveram sair do renomado escritório Claudio Bernardes e Jacobsen, um dos mais importantes da época, resolveram abrir o próprio escritório que se chamava Miguel Guimarães e Thiago Bernardes Arquitetos Associados. A carteira de clientes cresceu rapidamente e ficaram conhecidos no mercado de projetos residenciais.  

Miguel formou-se aos trancos e barrancos, com atraso de dois períodos. Só depois de mais velhos, com escritórios independentes e estabelecidos, é que puderam se dar ao luxo de dedicar parte do tempo para pesquisas, concursos e concorrências.

Em seus projetos, existem vários nomes que muito admira ao redor do mundo. “Sou fascinado por todos os japoneses contemporâneos como Toyo Ito, Shigeru Ban, Kengo Kuma. 

 No Brasil, Claudio Bernardes sempre foi uma referência, mas admiro também o trabalho dos colegas Thiago Bernardes, Paulo Jacobsen (esses dois foram meus sócios), Arthur Cadas, Marcio Kogan, Isay Weinfeld e FGMF”.

Casa Museu Stefan Zweig em Petrópolis. Em aprovação. Arquivo Pessoal

  Miguel, no início de sua carreira, não escolheu a especialização em arquitetura residencial, embora estas sejam maioria no seu portfólio. Aliás, essa sua versatilidade é que ajudou o escritório a passar pela crise de 2016-2018. O perfil de seus projetos mudou bastante para se adaptar aos clientes e ao mercado. “Tenho a opinião de que o arquiteto que tem a capacidade de observar e de pesquisar é capaz de fazer qualquer projeto. Outra regra básica é entender a escala humana. É saber que o usuário final de qualquer projeto de arquitetura ou de urbanismo é o indivíduo. Quando se domina essa escala, qualquer projeto é factível”, diz. Miguel tem diversos projetos como residências comerciais, hoteleiros, restaurantes.

 

Casa ZC na Quinta da Baroneza, interior de São Paulo. Arquivo Pessoal

  Nosso arquiteto tem dois projetos em licenciamento ambiental, um no Joá, com quarenta bangalôs, e outro em Una, na Bahia, com cem bangalôs.  A Escola Eleva com três campus em operação, Botafogo (Casa Daros), Barra e Brasília e mais duas unidades em projeto, além de museus, várias galerias de arte e arenas esportivas.

 Em museu, destaca-se: Casa Stefan Zweig, em Petrópolis. A primeira fase foi executada, com toda a restauração da residência. A ampliação está em fase de aprovação pelo patrimônio. O projeto era tocado pelo jornalista Alberto Dines, que faleceu recentemente.

  Em na área de parques: a Praça do Tablado é um projeto que Miguel tem muito orgulho. Outro projeto bastante importante é a reforma completa do Jardim de Alah, em parceria também com Sergio Conde Caldas. “Esse projeto começou a ser desenvolvido no final da gestão do Eduardo Paes, e ficou paralisado com a decadência do Rio de Janeiro”, comenta Miguel.

 Um dos projetos urbanos mais importantes em que está trabalhando é o do Mercado do Porto do Rio. O principal mercado gourmet da cidade, inspirado em vários mercados do mundo como o Time Out em Lisboa, o São Miguel em Madrid, o Markthal em Rotterdam, o La boqueria em Barcelona. 

Escola Eleva Campus  Barra. Arquivo Pessoal

   E tem mais: o arquiteto está  projetando uma cidade totalmente sustentável no litoral do Ceará para um grupo de investidores internacionais. Com escola, hospital, hotéis, spa, coworking e moradias. A ideia é receber moradores sazonais, jovens da área de tecnologia que tem a possibilidade de trabalhar remotamente. Esse projeto é desenvolvido pela OPY.

 O  marco na carreira de Miguel  Pinto foi o concurso internacional para o Parque Olímpico dos Jogos do Rio 2016, em que ficou em segundo lugar. Mesmo assim, o arquiteto não se conformou em receber uma Olimpíada e não participar, de alguma forma. Assim que foi aberto o concurso, com apenas dois meses para a entrega dos projetos, resolveu montar uma equipe internacional com capacidade para desenvolvê-lo. Juntou seu escritório, MPG, com o carioca CDC e os internacionais Gensler e SWA. Foram quase 30 dias só para juntar a equipe e os colaboradores, e os outros trinta dias ficou hospedado na Califórnia, desenvolvendo o projeto. Ele tem muito orgulho em saber que a maior parte das soluções saíram da cabeça e das pranchetas dos brasileiros envolvidos.

 

Concurso para o Parque Olímpico Rio 2016. Arquivo Pessoal

   Os profissionais dos escritórios de Rio e São Paulo estão em isolamento total desde o dia 16 de março, são 25 profissionais no total. A estrutura interna já funciona descentralizada. Cada equipe cuida com autonomia de um número x de projetos. Miguel faz os projetos remotamente e os envia para as suas equipes. Tem reuniões diárias por zoom internas com o pessoal dos escritórios. Assim, neste  período de pandemia, ninguém foi afastado, uma vez que elaboraram um plano de emergência para a manutenção dos salários. 

 Segundo Miguel, carreira é muito dura. apenas os fortes sobrevivem. 

“É muito importante observar sempre, tudo e todos. As maiores inspirações vêm do dia-a-dia, de uma paisagem, de viagens, da música, da gastronomia, da natureza. Seja poroso, uma esponja. Absorva todos os estímulos e informações que nos dispusermos ao nosso redor. Tudo isso será transformado em um repertório imagético poderosíssimo para ser usado no futuro. A boa arquitetura, muito mais do que vista, há de ser percebida. Somos apenas filtros de todos os bons estímulos que recebemos ao longo de toda a vida e que temos de ser capazes.

   A experiência nos traz, principalmente, a simplicidade. Hoje, temos a segurança em saber que o melhor projeto será sempre o mais simples. Temos a clareza de enxergar se o caminho que um estudo está seguindo é bom ou ruim e economizar tempo quando temos que descartá-lo ou começar de novo”, finaliza Miguel.

 

Esse é um Stander, projeto do prédio da Mozak na Praça Baden Powell. Esquina da Venâncio Flores com Visconde de Albuquerque. Interiores MPG e arquitetura MPG e Sergio Conde Caldas. Arquivo Pessoal
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