Xandy Novaski entrevista o ator Patrick Alves

PATRICK ALVES - Crédito Eduardo Coelho

PATRICK ALVES mirou as terras da Guiana Francesa no intuito de participar dos primeiros testes para o teatro. De lá, voou para a França, onde se aprimorou no idioma e entrou para uma Cia. Seu trabalho na Europa já conta com um monólogo e inclusive clássicos da língua francesa. 

Confira mais uma história de desafios, conquistas e vitórias na carreira internacional de um ator brasileiro. Você vai se apaixonar!

1 – Você iniciou a carreira nos palcos há 15 anos em Macapá. Como foi esse início?

Sim, comecei em Macapá. Através de uma amiga que era atriz e me convidou pra ver um ensaio do espetáculo de um velório no Brasil, dirigido pelo diretor amapaense Geovane Coelho. Nessa visita li umas das cenas da peça e acabei fazendo um teste na hora e acabei ficando no espetáculo.

2 – De Macapá você foi para Paris estudar teatro e cinema. Conta pra gente em que momento você tomou essa decisão e quais as dificuldades encontradas nesse percurso?

Na realidade, eu via muitos amigos artistas deixando Macapá para ir pro Rio de Janeiro, São Paulo, Belém, e eu fiquei na minha cidade até conseguir umas férias e fui pra Guiana Francesa. Lá eu fiz um teste para fazer uma participação pra um espetáculo, e pensei como comigo mesmo “Por que não tentar?” Fiz o teste e passei, dai eu tomei a decisão de fazer parte do teatro francês e me aperfeiçoar na linguagem francesa. Também fiz os exames pra escola Cours Florent e passei pro segundo ano direto, já que eu tinha experiência no teatro. Porém, tive algumas dificuldades com a língua, a vida corrida em Paris, adaptação de inverno, mas no fim tudo correu bem.

PATRICK ALVES - Crédito Eduardo Coelho

3 – Eu sei que muita gente tem a curiosidade sobre o ator interpretar em outras línguas. Quando foi que você sentiu que já dominava o francês, e o que os diretores de lá comentam sobre um possível sotaque?

Pude sentir que dominava o francês quando subi no palco para interpretar um clássico do Racine, que tem um francês mais antigo no jeito de se falar, mais rimado, e com regras para se interpretar. Eu percebi que já conseguia falar bem e fluente, mas mesmo assim os diretores sempre me aconselham a trabalhar com fonoaudiólogo para perder ainda mais o sotaque.

4 – Atualmente você é contratado pela Cia de teatro Les Macouria. Sabemos que, em qualquer lugar do mundo, os palcos têm a mesma magia, porém, qual é a diferença entre participar de uma produção francesa e uma brasileira?

Sim, o teatro é magico em qualquer lugar do mundo. O que eu vejo aqui (França) são os horários e a competição para o personagem, que é muito grande. Eles tratam cada trabalho com um profissionalismo maravilhoso, em que somos chamados como colegas de cena. Já no Brasil somos mais amigos, trabalhamos os textos juntos e vamos para um café falar sobre personagem. Aqui na França tem hora para falar sobre o texto e a hora do palco nos ensaios.

5 – Você inclusive já atuou em um monólogo na França. Conta pra gente essa experiência.

Sim, o monólogo embasado na vida e obra de Antoine Artoud, um ator que viveu a cena teatral de Paris no fim dos anos 50 e início dos anos 60. E por causa dessa pandemia estamos ensaiando 4 horas por dia, estudando o texto, fazendo exercícios de articulação, criação psicológica do personagem, tudo via vídeo-chamada, em casa, e trazendo uma experiência muito boa, porque em breve vamos poder botar a experiência de ver esse personagem vivo, em cena. Na realidade isso me deixa ansioso, e toda produção também, para vermos essa construção cênica pronta.

PATRICK ALVES - Crédito Eduardo Coelho

6 – Qual é a diferença entre viver um personagem totalmente lúdico, oriundo da esfera criativa de um autor, e outro que teve uma vida intensa e marcada pelo sofrimento aqui na Terra?

O bom do personagem lúdico é que podemos soltar a imaginação, criar, ser livre para trabalhar a criatividade e expressão corporal e mostrar que os personagens lúdicos têm história cantadas e bonitas. Assim como os personagens de contos de fadas que tem a visão do autor e nós recriamos, dando vida a eles. O outro personagem, que já viveu e deixou historia aqui na Terra, vivê-lo no teatro é contar a sua história com verdade, intensidade, trazendo um lado histórico ao público que ninguém conhece, com a beleza e a verdade que esse personagem traz ou não, porque pode ser um personagem mal também.

7 – A pandemia de covid-19 fechou teatros, cinemas, um caos. Quais foram as consequências desse distanciamento social na sua vida?

Sim, tivemos que nos adaptar às plataformas digitais e criar novas maneiras de nos vermos por vídeo-chamadas pra ensaiar. Os artistas precisam de público e isso afetou um pouco nosso meio, mas conseguimos nos reinventar invadindo as plataformas digitais pra ensaios, show, misturas cênicas de teatros, disponibilizando no Youtube. E me adaptei ao Instagram, acabei criando um hobby por fotografia para poder passar o tempo da quarentena, isso tudo para um bem maior que é a saúde de um mundo inteiro.

PATRICK ALVES - Crédito Eduardo Coelho

8 – Apontamos bastante seus trabalhos na Europa, mas agora quero saber do seu momento no Brasil. Quais são as suas vontades em terras tupiniquins?

A minha vontade é de um dia voltar ao Brasil e poder dividir e compartilhar esse conhecimento todo adquirido com meus colegas atores e criar trabalhos e produções que possam ser lembrados e deixados na história.

9 – O que tem a dizer ao jovem ator que busca um reconhecimento internacional, mas se esbarra em medos, dentre outros conflitos até externos e acaba por não dar continuidade ao sonho?

Não desistir do seu sonho, ter um objetivo e nunca desistir, pois quanto mais você trabalhar para isso acontecer, mais próximo o seu sonho pode se realizar. Então trabalhe, estude e dedique que tudo vai dá certo!

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8 Comentários

  • Patrick He’s my friend and teacher of theatre, I’ve been honoured to be tought to by him.

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