Chico Vartulli: 'A eterna musa do balé Ana Botafogo'

Ana Botafogo em preto e branco com muito estilo. Arquivo Pessoal

   O início da sua carreira foi inusitado, pois ela saiu para estudar na França, em Paris, ou melhor na Sorbonne, passando numa audição de balé e sendo aprovada.  Ana recebeu seu primeiro contrato profissional, para a companhia, que se chamava Ballets de Marseille do Roland Petit, que era um coreógrafo importantíssimo na França. Ana ficou dois anos e meio na Europa e só então voltou ao Brasil. Aqui foi Primeira Bailarina do Teatro Guaíra, onde fez pela primeira vez, a protagonista no balé Giselle. Depois, voltou ao Rio, onde dançou na Associação de Balé do Rio de Janeiro e, posteriormente, surgiu a oportunidade de fazer audição para o Theatro Municipal do Rio. Ingressou na Cia de ballet em 1981 e há 39 anos é Primeira Bailarina do Ballet do Theatro Municipal do Rio. Já fez sua despedida dos palcos, mas continua contribuindo para o corpo de baile.

  Botafogo diz que a vida dos bailarinos é tentar aperfeiçoar-se a cada dia. Desde o momento que você se torna um bailarino até você se aposentar são desafios diários, físicos, emocionais e artísticos.

No Foyer do Theatro Municipal, com o figurino do Ballet Raymonda, a linda bailarina Ana Botafogo. Arquivo Pessoal

“A dança no Brasil teve a partir da década de 1980, um crescimento muito grande, não só com produções nacionais como internacionais no Theatro Municipal. Muitos nomes e muitas cias surgiram nesses últimos 40 anos: a primeira companhia independente de dança foi o Balé Stagium, em São Paulo, e depois vimos surgir o Grupo Corpo (BH), a Cia Deborah Colker, a do Alex Neoral, do Renato Vieira, da Carlota Portela. Isso para citar apenas alguns do Rio de Janeiro”, diz ela. “São poucas companhias estatais que são ligadas à algum teatro, como balé do TM do Rio, TM de Niterói,  TM de São Paulo, Balé Guaíra (Curitiba), Balé Castro Alves (Salvador).. O Brasil, é um celeiro de ótimos profissionais da dança e temos excelentes ensaiadores, preparadores, diretores e coreógrafos aqui no Brasil”, comenta Ana

“Este momento de quarentena tem sido muito difícil para todos nós. Os bailarinos profissionais e os estudantes de dança precisam de um espaço adequado para saltar, pular, alongar e desempenhar a técnica de cada dança. Estão todos morrendo de vontade de ir para um espaço maior. Esse espaço se faz necessário para o aprimoramento do atleta bailarino. Neste momento, todos estão fazendo aulas em casa online, por aplicativos ou por plataformas com aulas já gravadas especialmente. Eu tenho uma escola e é assim que estamos agindo, fazendo aulas pré-determinadas para os alunos em plataformas específicas para isso. Já há uma flexibilização na Europa e pouco a pouco estão abrindo as suas portas e estão podendo ir trabalhar dentro das suas salas e teatros. Isso tudo ainda é um longo caminhar, sobretudo aqui no Brasil onde ainda não estamos nesse momento”, diz Ana. 

“Como plano futuro temos que nos reinventar. Muitos empreendedores da dança estão criando e lançando Festivais, Simpósios e Encontros virtuais. Os estudantes e professores de dança agradecem e tem participado muito desse formato online. Mas estamos realmente ansiosos por esse momento de encontro no pós- quarentena. A dança precisa do coletivo, precisa dos ensaios juntos, precisa do pas-de-deux, que é a dança a dois. Não sabemos quando isso vai voltar; até mesmo para criação artística se faz necessário o encontro presencial. Então, o que eu tenho em mente é: fazer workshops, palestras, retomar a minha escola de dança, que se chama Âmbar, em Niterói e dedicar-me também a retomada da Ana Botafogo Maison, que é uma loja de dancewear que teve que estar fechada todo esse tempo”, completa. 

‘Morte do Cisne’ - foto do espetáculo com Ana Botafogo. Arquivo Pessoal

Ana recebeu o título de Embaixadora do Rio quando já viajava muito e levava o nome do Brasil e do Rio de Janeiro para fora do país. “Foi uma alegria grande saber que poderia representar nossa cidade levando arte”. Foi um título que lhe deu muita alegria, prazer, e vontade de cada vez mais de representar o nosso estado. Hoje, ela faz parte da diretoria da Associação dos Embaixadores, onde eles promovem vários eventos com o intuito de divulgar o Rio de Janeiro. 

Ela tem nestes últimos dois anos participado como curadora de algumas exposições de fotografia ou de pintura, que são feitas no Palacete de Laranjeiras, que é um lindo local, um lindo prédio arquitetônico do Rio de Janeiro, que foi resgatado pelo Embaixador de Turismo Cláudio Castro. Enquanto membro da associação, indica nomes para alguns prêmios, como prêmio Yedda Maria Teixeira, assim como indicações para os novos embaixadores. 

Depois das indicações feitas, todos os nomes vão para uma votação. O vice-presidente Bayard Boiteux organiza fóruns de turismo culturais, exposições, palestras, encontros em café-da-manhã com o corpo consular, que é uma maneira de ter contato com outros países, e falar do nosso Rio de Janeiro, e para que nosso estado possa ser divulgado nos diferentes países. A Associação é sem fins lucrativos, só quer divulgar o Rio e o turismo. 

“Bayard Boiteux é muito dinâmico, e sempre cria momentos de divulgação do nosso Rio. Na quarentena, ele criou algumas possibilidades de interação, criando alguns vídeos elevando a alegria e a moral da nossa cidade. Recentemente Bayard criou uma exposição virtual de objetos que nos remetem a memória de viagens: ela teve uma adesão grande dos embaixadores, e foi muito vista. Foi muito interessante”, explica a bailarina. 

Ana em família: seu irmão Ernani, a mãe Maria Dulce e seu pai Ernesto Fonseca. Arquivo Pessoal

  Ana é carioca da gema e tem orgulho e todo interesse de divulgar sua cidade com uma visão positiva e a beleza que ela nos traz mas também quer mostrar que as pessoas que aqui vivem são pessoas que querem fazer o bem para nossa própria cidade.

  O que Ana adora fazer é reunir amigos e família, gosta muito de estar, conversar. Ela é um ser muito sociável e, por isso, nesse momento, tem sentido bastante essa falta de encontros, apesar de estar fazendo muitos virtuais. Então, quando ela não está trabalhando, gosta muito de ir a teatro, e a teatro musical. Adora teatro musical. Não canta, nunca teve nenhuma experiência nessa área, mas ama assistir os artistas de musical, porque ela acha que o teatro e a música nos emocionam muito.

“Estamos vendo durante essa quarentena que as artes em todos os seus segmentos, têm ajudado as pessoas a passarem seu tempo um pouco melhor e a diminuir, talvez, as suas angústias, as suas questões de aprisionamento, através da arte”. Então, conclui: “a arte sempre transforma, e tem sido fundamental nesse momento de tanto confinamento”. 

Na premiação The Winner da Revista Internacional Business Hotel Sheraton. Arquivo Pessoal
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13 Comentários

  • Conheci a Ana crianca, fizemos ballet juntas por muitos anos…ela sempre se destacou como uma pessoa delicada e educada, demonstrando grande talento desde crianca…o sucesso nao modificou sua simpatia e seu lindo sorriso.Parabéns!

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