André Conrado e a história da Urca, parte 1: 'Charme, beleza e berço da história Carioca e brasileira!'

Pão de Açucar e Urca (visto de Botafogo), fim do Séc. XIX. Augusto Malta.

Palco da fundação da cidade de São Sebastião do Rio de janeiro, por Estácio de Sá, em 1 de março de 1565, a Região da Urca está juntamente com seu cartão postal, o “Pão de Açúcar”, gravado na memória mundial. 

Por séculos, o bairro da Urca, como conhecemos hoje, não existia.  As águas da Baía de Guanabara batiam diretamente nas rochas que circundam o Morro da Urca e do Pão de Açúcar. 

De um lado, onde hoje é o bairro da Urca, ficava a “praia da Saudade”, hoje extinta, e a “praia Vermelha”, e, do outro lado, a “praia de Fora” e o “Morro Cara de Cão” com a Fortaleza de São João.

Praia Vermelha, 1880, Escola Militar.

Vamos iniciar essa bela viagem no tempo a contar de antes de surgir o bairro da Urca, no ano de 1921, propriamente falando, através do Plano de Oscar Gama que teve a chance de ser posto em prática naquele ano. O engenheiro Oscar de Almeida Gama criou a Sociedade Anônima “Empresa da Urca” – concessionária de Domingos Fernandes Pinto – com o objetivo de dar execução à contratos para construção do Cais que ligaria a praia da Saudade à Fortaleza de São João.

Vista Praia da Saudade, início Séc. XX.

Convido os leitores a irmos alguns anos antes ao surgimento do bairro da URCA, nesta bela viagem no tempo, mais precisamente na região da Praia Vermelha, pois essa história de tanta beleza vale a pena ser contada e admirada, que foi a Exposição Nacional, de 1908, do “Primeiro Centenário da Abertura dos Portos às Nações Amigas”.

Exposição Nacional do Primeiro Centenário da Abertura dos Portos às Nações Amigas

A Exposição Nacional de 1908, na região da Urca, no Rio de Janeiro, foi uma comemoração do centenário da “Abertura dos Portos às Nações Amigas”, decretada em 28 de janeiro de 1808, pelo então Príncipe Regente de Portugal, Dom João de Bragança, futuro dom João VI. 

A Exposição, promovida pelo governo federal, exibiu um “inventário” do Brasil através de seus produtos industriais, agrícolas, pastoris e artísticos, e, apresentou a cidade do Rio de Janeiro, recém urbanizada e saneada pelo então Prefeito Pereira Passos e  pelo cientista Oswaldo Cruz  respectivamente. 

Avenida dos Estados com os Pavilhões

Poucos cariocas conhecem esta belíssima e interessante história e sabem que a Urca já foi palco de uma grande Exposição, no início do século passado. A Exposição Nacional durou três meses e visava celebrar o comércio e desenvolvimento do Brasil, seguindo o mesmo estilo das grandes mostras e Exposições universais que aconteciam mundo a fora.

Os preparativos para Exposição começaram ainda no governo do Presidente Afonso Pena, por meio de uma comissão executiva de 41 membros, que cuidou dos preparativos e da escolha do local. Foram analisados e descartados vários lugares da cidade, dentro os quais a “Quinta da Boa Vista” e o então “Porto Novo”, e, por fim, chegou-se a decisão que o melhor local seria na Praia da Saudade (hoje extinta), onde os edifícios federais poderiam ser reaproveitados.

A área escolhida ficava entre a Praia da Saudade e a Praia Vermelha, na Urca, e o cenário também foi escolhido pela sua beleza ímpar. A decisão também era um sinal que a orla da cidade já começava a ser vista como cenário de lazer. 

O belíssimo portão da Exposição Nacional, ficava na antiga Avenida dos Estados, que hoje faz parte da Avenida Pasteur. A obra do “Portal” do arquiteto René Barba foi inspirada no “Arco do Triunfo de Paris”.

Urca Exposição Nacional 1908- Portão de Entrada.

Ao longo do eixo, que começava na antiga Universidade (Pavilhão dos Estados), havia chafarizes, jardins, uma pequena via férrea para locomoção do público, além dos Pavilhões, belos prédios de cada Estado. A Exposição foi formada por mais de 30 construções na esplanada entre as Praias da Saudade e Praia Vermelha.

Vista aérea Exposição Nacional 1908, coleção família Passos.

Quatro Estados da Federação construíram Pavilhões: São Paulo, Bahia, Santa Catarina, Minas Gerais, e também, o então, Distrito Federal, na época Rio de Janeiro.

Pavilhão DF (Rio de Janeiro e Central).
Expo 1908 população geral e pavilhão SP.

Havia Pavilhões também da Indústria, Correios e Telégrafos, Corpo de Bombeiros, Jardim Botânico, das Artes Liberais, o Egípcio, além disso, o “Theatro João Caetano” foi construído para Exposição na Urca.

A exposição foi um grande sucesso e durante seus três meses, recebeu mais de um milhão de visitantes.

Postal Comemorativo Expo 1908.

Uma das visões da Exposição Nacional

Pelas belas fotos antigas podemos imaginar a beleza daquelas construções junto ao cenário natural e monumental do Pão de Açúcar. Imaginem se ainda estivessem lá para comtemplar tanta beleza! Com certeza seriam uma das grandes atrações do Rio de Janeiro antigo. 

A única lembrança que ainda existe desta história, fica em um lindo e esquecido monumento em frente ao que foi um dia o “Hotel Glória”; é realmente lamentável… 

Monumento Comemorativo Exposição Abertura dos Portos 1908, Augusto Malta.

Na próxima matéria seguimos nessa viagem no tempo, e dessa vez com a Fundação do Bairro da Urca e história do Pão de açúcar. Não Percam!!!

 

Fotos: Augusto Malta – IMS

Coleção Família Passos – Museu da República

Fontes: Curiosidades Cariocas – Rio Antigo 

 Instituto Moreira Salles – Museu da República 

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