Xandy Novaski entrevista o ator e produtor Guilherme DelRio

ESPETÁCULO ‘EM NOME DO FILHO’ - GUILHERME DELRIO - Crédito Luís Teixeira Mendes

GUILHERME DELRIO é um profissional respeitado na cena teatral carioca. Ator, produtor, estava à frente de 03 espetáculos que formavam o projeto ‘Comédias Cariocas’, mostra interrompida pela pandemia que vem assolando o mundo. Conheça a trajetória do artista que está há 40 anos no mercado artístico, com muita história para nos contar!

Você estava produzindo o ‘Comédias Cariocas’, e de repente, teve que parar tudo por causa da pandemia. Quais eram os espetáculos que participavam do projeto e como está o andamento para um possível retorno quando a quarentena acabar?

Eu estava produzindo essa mostra e programei três espetáculos para serem apresentados. Uma no teatro Vannucci e duas no Cândido Mendes. Nós estreamos ‘A Tia’, que eu produzi junto com o Dejair Cardoso, peça que eu também atuava, logo depois do Carnaval lá no Vannucci. E na sexta-feira, dia seguinte, o espetáculo ‘4 na Kitchenette’, que eu só produzia. E em Abril estrearíamos no Cândido Mendes ‘Greta Garbo Quem Diria Acabou no Irajá’, eu, Narjara Turetta e Renato Miguel. Tivemos que parar com todos os espetáculos e até agora não temos nada programado. Apenas estou estudando o texto da Greta Barbo. O cenário e figurino das outras duas peças ficaram guardados nos teatros, mas nós ainda não sabemos, não temos previsão de nada, infelizmente. Não posso deixar de registrar que eu estava adorando trabalhar com as três atrizes: Giovanna Gold, Narjara Turetta e Tetê Pritzl, minhas amigas, maravilhosas e talentosas!

O Guilherme DelRio, além de produzir, também atua. Sabemos que fazer teatro dá um trabalhão danado. Como você se vira entre o produtor e o ator?

Ser ator e produtor ao mesmo tempo é difícil. Mas, desde 2015 quando eu resolvi encenar a primeira peça que eu escrevi que é ‘Em Nome do Filho’, eu resolvi, além de atuar, também produzir. De lá pra cá venho produzindo espetáculos com uma equipe bacana que me ajuda, com assessoria de imprensa e outra pessoa que me ajuda nos contatos de produção pra solicitar apoios, enfim, só que é complicado. Se eu estou atuando e produzindo eu entro preocupado em cena, se eu irei pagar todas as contas e despesas daquela noite ou final de semana. Agora, a gente tem que fazer e realizar. Então eu parto desse princípio: realizar pra poder mostrar um trabalho bacana, interessante, e sempre proporcionando aos atores e equipe o que eu puder de melhor, de conforto, uma boa divulgação, uma boa produção. Esses são meus objetivos. Mas que dá trabalho, isso dá!

NARJARA TURETTA, GUILHERME DELRIO, GIOVANNA GOLD e TETÊ PRITZL - Crédito Luís Teixeira Mendes.

Eu noto uma pincelada de sensualidade e erotismo em algumas montagens produzidas por você. Isso seria uma memória emotiva dos grandes espetáculos que o Rio exibia nos áureos anos 1980, como “Noite dos Leopardos”?

Pode até existir uma pincelada de erotismo, sensualidade, mas é também devido aos temas. ‘Em Nome do Filho’ é uma peça que se passa numa sauna gay, e que é da minha autoria. E a ‘Luz Vermelha’, que também escrevi, é ambientada num cortiço na Lapa. Esses personagens todos são do submundo, que trazem uma grande carga de emoção, de sexualidade também. Existem situações que remetem mesmo ao erotismo. Se uma peça se passa numa sauna, ela tem mesmo um pouco disso. ‘Luz Vermelha’ não tem muito esse apelo, mas existe uma personagem que é a Katita, uma travesti muito jovem e de programa, que tem um pouco dessa conotação sexual. Eu acho que o erotismo e a sensualidade, se a gente observar bem, eles estão em tudo nas nossas vidas. Se abrirmos as redes sociais, vemos as pessoas, rapazes e moças exibindo seus corpos nas academias, praias, e tem sido muito constante, cada vez mais. Não sei se há influência com os espetáculos dos anos 80, até porque na época dos Leopardos eu produzi um espetáculo chamado ‘Os Lobos da Noite’ logo em seguida, e era um show também, de erotismo e sensualidade com modelos masculinos. Eu fiquei bastante tempo com esse show em cartaz. Éramos meio que concorrentes da ‘Noite dos Leopardos’. Não acho que as peças que eu venho produzindo nos dias de hoje tem esses componentes por causa disso. Eu acredito que é porque o mundo veio caminhando nessa direção, da necessidade de algumas pessoas se exibirem. A exibição, de uns tempos pra cá, é algo que nós seres humanos exacerbamos. 

Por falar em anos inesquecíveis, desde quando o Guilherme DelRio está na estrada da arte de interpretar produzir, e quais são as produções que marcaram sua trajetória?

Estou nessa trajetória artística desde 1980. São quarenta anos na estrada atuando. Comecei a produzir em 1990 com “Os Lobos da Noite”, depois fui fazendo outros espetáculos. Produzi o “Dei a Elza em Você” e “Continuo Dando a Elza”, produzi outros, como show “Doido pelo Piano” em que eu cantava músicas antigas e atuais da época (1988/89), tendo um pianista no palco. Eu gosto muito de cantar. Venho todo esse tempo sempre procurando fazer trabalhos interessantes. Eu considero todos os espetáculos que produzi bem marcantes. Por exemplo, “Os Lobos da Noite”, logo em seguida o “Dei a Elza em Você” com a Laura de Vison, que era uma comédia musical que remontamos em 2018, “Em Nome do Filho”, ou seja, todas essas que eu venho produzindo d e2015 pra cá são importantes. Investi, além do financeiro, o meu amor e paixão pelo teatro. Produzi também uma temporada do espetáculo da Isadora Ribeiro, que já estava pronto, “Diário de Bordo”. Foi uma experiência nova de produzir uma atriz num monólogo. Todos os espetáculos foram e são importantes.

ESPETÁCULO ‘A TIA’ - FABIANO BASTOS, GUILHERME DELRIO e GIOVANNA GOLD - Crédito Luís Teixeira Mendes.

Além do dia a dia nos palcos e bastidores, você ainda está a frente da DelRio Realizações Artísticas. Como é o lado empresário do Guilherme e o que mais a sua empresa produz além de espetáculos?

O meu lado empresário é bem mais recente. Eu já havia produzido antes, mas eu ainda não tinha isso como objetivo. De 2015 pra cá que eu realmente comecei a investir fazendo um espetáculo seguido do outro. Você ser um empresário artístico é como matar um leão por dia. Eu procuro realizar isso da melhor maneira possível, contando com a ajuda de várias pessoas que ficam comigo nessas empreitadas. Estou somente produzindo teatro, ainda não tenho outros projetos não. Através desses que estou produzindo quero fazer um portfólio consistente para daqui a algum tempo correr atrás de patrocínios, pois é difícil, a gente que tá começando, conseguir patrocínios. Eu tenho muitos apoios de várias empresas aqui no Rio de Janeiro, restaurantes, estéticas, salões de cabeleireiros, empresas de água mineral, lojas de tecidos. Tenho realmente muitos apoios. É uma conquista, percebo que meu trabalho é visto com credibilidade e confiança.

Os mais lendários palcos cariocas já tiveram a graça dos seus espetáculos. Como era fazer teatro antigamente e o que mudou nos últimos anos, tirando a pandemia de lado?

Eram outros ares quando produzia “Os Lobos da Noite”, “Dei a Elza em Você” e “Continuo dando a Elza”. Tínhamos um teatro em que a plateia comparecia maciçamente. Havia mais sessões por semana, de quinta a domingo. Houve uma época, bem antes, que era de terça a domingo, mas eu não cheguei a pegar. As pessoas pagavam ingressos inteiros, meia quando tinham direito a ela, mas não existia o convite amigo, as ONGs que fornecem ingressos gratuitos oferecidos pela produção. Então, eu peguei uma época bacana no teatro, era quando conseguíamos pagar todas as despesas.

ESPETÁCULO ‘DEI A ELZA EM VOCÊ’ - GUILHERME DELRIO e DIEGO ANICESIO - Crédito Luís Teixeira Mendes.

Por falar em palco, fica aqui uma curiosidade: quais são os momentos mais hilários de bastidores que você já se deparou durante a carreira?

Eu diria momentos curiosos, inusitados. Como eu trabalho com atores jovens, que estão em início de carreira, eles geralmente mergulham de cabeça nos projetos. Mas já tive ator que abandonou o espetáculo quinze dias antes da estreia por divergências com direção, ou seja, uma atitude inaceitável.  Também já tive atriz que não queria entrar em cena de peruca, pois queria que o público visse seu rosto, reconhecê-la. Outra reclamou da roupa que supostamente a engordava em cena, e era um figurino do espetáculo. Teve uma ocasião de uma noite pra convidados, em que a dona do teatro liberou, mas depois disse que os mesmos teriam que pagar pelo menos dez reais. Coisas que às vezes você não acredita. É complicado. Mas houve situações engraçadas como na época de “Os Lobos da Noite” que a plateia levava presentes para os rapazes que dançavam, levavam até bolo, camisetas. São coisas interessantes e inusitadas que eu me lembro.

O teatro forma as ‘famílias temporárias’. Quando tudo termina, cada qual volta para sua rotina. Como é esse momento do ‘cortar o laço afetivo’?

Encerrar uma temporada é sempre melancólico. Não diria triste, pois tivemos um convívio bacana e tudo mais. Contudo, a gente vem convivendo uns com os outros desde os ensaios, e eu realmente tenho um grupo que se chama ‘Bandanas’, um grupo maleável, entram pessoas pra substituir algum ator, mas somos um grupo em que todos os finais de ano temos uma confraternização com as pessoas disponíveis naquele momento. É uma melancolia, só que vamos conhecendo outras pessoas no caminho.

ESPETÁCULO ‘GRETA GARBO QUEM DIRIA ACABOU NO IRAJÁ’ - RENATO MIGUEL, NARJARA TURETTA e GUILHERME DELRIO - Crédito Luís Teixeira Mendes.

Durante a quarentena você tem se dedicado a live ‘Jovens Atores’, dando voz aos que estão chegando ao mercado artístico. Um trabalho primoroso que provavelmente não deve parar. Estou certo?

Tá todo mundo fazendo live. Antes de eu fazer essa dos jovens atores, fiz uma falando dos espetáculos que eu produzi. Até irei repetir algumas lives quando terminar essa série que faço via Facebook. A maioria deles que estão sendo entrevistados nesse bate-papo trabalharam comigo em todas as minhas produções. São muito jovens, têm no máximo até 30 anos. É muito bacana, falamos do mercado de trabalho, das experiências de cada um dentro do grupo, dos ensaios. É bem interessante pra quem quer iniciar uma carreira, ou pra quem está na carreira escutar. Damos voz a jovens atores que estão numa luta incessante. Eu digo que o teatro é uma irresistível aventura. É onde a gente tem de ir fundo, se entregar, por isso é irresistível. Pretendo continuar. Tenho um número ‘x’ de atores pra entrevistar, mas irei fazer novamente algumas lives de peças que produzi e em seguida com as atrizes que já trabalhei.

Quais são os próximos passos do Guilherme DelRio ator e produtor para quando a vida voltar ao normal?

Eu vou te dizer que não pensei muito quais serão os próximos passos, pois a gente ainda não tem uma vacina. Eu acho complicado o cinema, teatro, tudo que tem um público retornar agora. Eu, pelo menos, não pretendo retornar no momento. Mas eu fui convidado por um desses jovens atores, o Matheus Nogueira, a dirigi-lo num monólogo chamado ‘Hamlet Interrompido’ que é do Dejair Cardoso, que o mesmo pretende fazer nesse esquema de filmar pra apresentar online. Contudo, ainda nem pegamos o texto ainda. Isso surgiu num bate-papo meu com o Matheus, e eu fiquei animado, pois há tempos que eu não dirijo. Como professor de teatro só dirigi meus alunos. Quero fazer o “Greta Garbo Quem Diria Acabou no Irajá”, quero que o “4 na Kitchenette” e “A Tia” voltem, e o “Em Nome do Filho”, uma peça em que as pessoas perguntam muito por ela e pedem pra que a mesma volte. Vou dar uma mexida no espetáculo e pretendo voltar no ano que vem. Estou programando tudo pra 2021, depois de abril. Esses são meus próximos planos. Também estou escrevendo uma nova peça. Continuar com a minha trajetória, esperando que vocês da imprensa colaborem sempre com a gente e o público nos prestigie.

ESPETÁCULO ‘LUZ VERMELHA’ - GUILHERME DELRIO - Crédito Luís Teixeira Mendes.
Compartilhe nas redes sociais
Publicação Anterior

O casal André Polonca e Amanda Pereira comemora o primeiro aninho do filho

Próxima Publicação

Alan Ramos: ‘Homens e os cuidados com a beleza – parte1’

13 Comentários

  • … [Trackback]

    […] Info to that Topic: revistadovilla.com.br/2020/07/25/xandy-novaski-entrevista-o-ator-e-produtor-guilherme-delrio/ […]

  • … [Trackback]

    […] Read More to that Topic: revistadovilla.com.br/2020/07/25/xandy-novaski-entrevista-o-ator-e-produtor-guilherme-delrio/ […]

  • … [Trackback]

    […] Read More Info here to that Topic: revistadovilla.com.br/2020/07/25/xandy-novaski-entrevista-o-ator-e-produtor-guilherme-delrio/ […]

  • … [Trackback]

    […] Read More here on that Topic: revistadovilla.com.br/2020/07/25/xandy-novaski-entrevista-o-ator-e-produtor-guilherme-delrio/ […]

  • … [Trackback]

    […] Info on that Topic: revistadovilla.com.br/2020/07/25/xandy-novaski-entrevista-o-ator-e-produtor-guilherme-delrio/ […]

  • … [Trackback]

    […] Read More on on that Topic: revistadovilla.com.br/2020/07/25/xandy-novaski-entrevista-o-ator-e-produtor-guilherme-delrio/ […]

  • … [Trackback]

    […] Read More Information here to that Topic: revistadovilla.com.br/2020/07/25/xandy-novaski-entrevista-o-ator-e-produtor-guilherme-delrio/ […]

  • … [Trackback]

    […] Read More on to that Topic: revistadovilla.com.br/2020/07/25/xandy-novaski-entrevista-o-ator-e-produtor-guilherme-delrio/ […]

  • Have you ever heard of second life (sl for short). It is basically a video game where you can do anything you want. SL is literally my second life (pun intended lol). If you would like to see more you can see these sl articles and blogs

  • … [Trackback]

    […] Read More to that Topic: revistadovilla.com.br/2020/07/25/xandy-novaski-entrevista-o-ator-e-produtor-guilherme-delrio/ […]

  • … [Trackback]

    […] Read More on to that Topic: revistadovilla.com.br/2020/07/25/xandy-novaski-entrevista-o-ator-e-produtor-guilherme-delrio/ […]

  • … [Trackback]

    […] Info to that Topic: revistadovilla.com.br/2020/07/25/xandy-novaski-entrevista-o-ator-e-produtor-guilherme-delrio/ […]

  • … [Trackback]

    […] Find More on to that Topic: revistadovilla.com.br/2020/07/25/xandy-novaski-entrevista-o-ator-e-produtor-guilherme-delrio/ […]

Deixe um comentário.

O seu endereço de e-mail não será publicado.