Xandy Novaski entrevista o escritor e professor universitário Reginaldo Leite

REGINALDO LEITE - Crédito Arquivo Pessoal

REGINALDO LEITE, autor do fantástico ‘OS CRIMES DE PLATÃO’ tem pós-doutorado em História da Arte, e sua nova pesquisa foi elaborada através de um convênio entre três países: Brasil, Itália e Vaticano. E ele não para por aí: é professor universitário e ainda trabalha com cenografia no Carnaval. Conheça um pouco mais da trajetória de um profissional multitalento, e que já prepara o lançamento do seu próximo livro!

1 – Inicio apontando a sua instigante obra “Os Crimes de Platão”. Quando foi que a ideia do livro foi se costurando na sua mente?

A ideia de contar uma história de ficção veio dos meus alunos da universidade, que me cobraram um distanciamento do universo acadêmico. Como trabalho com leitura de imagem, aceitei o desafio. Foi uma longa trajetória entre pesquisa, estruturação da trama, escolha das locações e obras de arte, divisão dos núcleos de personagens e perfis psicológicos, redação do texto e revisões, criando um enredo alicerçado em história da arte e da arquitetura, filosofia e história do Cristianismo. Mas sem apresentar um linguajar acadêmico, pois minha proposta era contar uma história de suspense para um público heterogêneo e de diferentes faixas etárias.

2 – Eu já soube de obras famosas que levaram pouco tempo para ficarem prontas, outras necessitaram de anos. Quanto tempo você levou para finalizar seu livro e por quê?

Demorei três anos porque a pesquisa representou grande parte do projeto. Ela percorreu diferentes áreas do conhecimento, mas tendo a arte como fio condutor. Foi um mergulho no universo da psicopatia e psicopatologias, fato que me proporcionou interagir com inúmeros elementos chocantes, de uma “insólita realidade”, tão distante e tão próxima de nós.

3 – É verdade que para um autor sua obra nunca fica pronta, ou seja, se ele pegar o original e for dar uma ‘mexidinha’, acaba alterando tudo?

É verdade. Eu não me prendo em idas e vindas de revisões. Porque quanto mais se lê o original, mais o autor “mexe” e corre o risco de descaracterizar a obra. Mantenho o ritmo da escrita e, ao concluí-la, reviso. Esse é o momento de decidir o que manter e o que excluir. Também é o passo mais difícil da produção de uma obra.

4 – Eu li e confesso que amei o livro! Em alguns momentos ele me transportou para a carpintaria dos suspenses do Dan Brown. O que você e o escritor norte-americano têm em comum?

Fico muito feliz e aliviado que tenha gostado do meu livro. (risos) O Dan Brown e eu temos formações acadêmicas próximas. Por isso a semelhança do estilo na criação do enredo. Sou historiador da arte. Ele também, além de ter estudado Literatura. E sua esposa é pintora e historiadora da arte. Mas o que nos aproxima é o fato de eleger um objeto artístico, como ponto nodal, e a partir dele estruturar a trama. Portanto, a leitura da imagem consagra-se como ponto de partida, enigma e clímax da história. Quando o leitor se depara com nossos livros, inicia uma percepção diferente do espaço arquitetônico e das obras nele existentes, quer sejam de cunho cristão ou civil.

5 – Você tem pós-doutorado em História da Arte e a sua mais nova pesquisa foi aprovada num convênio entre três instituições parceiras: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Academia de São Lucas (Roma) e Museu do Vaticano. Conta pra gente essa novidade!

Exatamente. Iniciei uma pesquisa de pós-doutorado num convênio entre três países: Brasil, Itália e Vaticano. Estudo as Virtudes Marianas e suas representações, em pintura, durante o século XIX. É um mergulho em teorias da arte e da iconografia cristã italiana, como o “Ut pictura poesis”. É um desafio trabalhar com pesquisa científica no Brasil, desbravar o desconhecido e dialogar com o imprevisível.

REGINALDO LEITE NO LANÇAMENTO DE SEU LIVRO OS CRIMES DE PLATÃO - Crédito Gustavo Drago

6 – Como professor universitário, o ‘presencial’ era comum no seu dia a dia. Como está se virando em tempos de pandemia?

Precisei me adaptar. A internet é uma realidade e uma interessante ferramenta para o ensino. “Ferramenta”.  No entanto, o mundo virtual não substitui a sala de aula presencial. Confesso, na minha área de atuação, essa “nova realidade” não sobreviverá ao pós-pandemia. Falta o que os franceses chamam de “savoir-faire”.

7 – Outra paixão do Reginaldo Leite é a cenografia. Todos os anos, o Carnaval do Rio de Janeiro é agraciado pelas suas criações. Como se dá o processo de criação nessa área?

A Cenografia para Carnaval é responsável pela popularização dos grandes espetáculos. Comecei ainda aluno da carnavalesca Rosa Magalhães, na Escola de Belas Artes da UFRJ em 1994, quando fiz parte de sua equipe na Imperatriz Leopoldinense. Outros carnavais vieram e trilhei diferentes ângulos da produção de um desfile: pesquisa, projeto, protótipos, acabamento de alegorias. O processo é longo. Primeiro surge o enredo e partimos para a pesquisa. Daí são criados os projetos de alegorias e figurinos. O passo seguinte é retirar do papel e desenvolver os protótipos de fantasias e as maquetes dos carros alegóricos. Com isso pronto, entra em cena um exército de profissionais: ferreiros, soldadores, carpinteiros, vidraceiros, engenheiros, cenotécnicos, costureiras, chapeleiros, sapateiros, escultores, pintores de arte, eletricistas, iluminadores, empasteladores, fibreiros, aderecistas, bordadeiras, coreógrafos,  diretores de cena e responsáveis por efeitos especiais. São gerados muitos empregos, mas infelizmente, não damos o verdadeiro crédito ao Carnaval como grande vitrine cultural do Brasil.

8 – Caso o Carnaval seja adiado ou cancelado devido à covid-19, já pensou em como tapará esse buraco que provavelmente ficará em ti?

Vivemos um momento de extremos. Além dos problemas internos, nosso povo ainda precisa lidar com os equívocos do combate à covid-19. Não sabemos como será o amanhã, mas não é prudente imaginar uma festa com aglomerações por todo o país. Acredito num adiamento do Carnaval para o meio do ano (2021). Mas se for efetivamente cancelado, a expectativa ficará guardada para 2022. Torço para que esses visitantes indesejáveis (vírus) deixem o país em breve.

9 – Você estuda, escreve, dá aulas, produz cenário… Como faz para que não seja escravo do tempo?

Nem eu sei (risos). Tento conciliar tudo, além dos treinos de musculação. Mas confesso, eu durmo pouco. E fins de semana também são produtivos. Brasileiro é guerreiro, dá conta. (Risos)

10 – Pretende escrever outro suspense?

Tenho um livro para ser lançado ainda este ano pela Drago Editorial, “A Insanidade que nos une: um mergulho na arte de enlouquecer”.  É um drama psicológico, no qual, a Insanidade narra a história de uma escritora esquizofrênica. Como no livro “Os Crimes de Platão”, a arte é o fio condutor de um mergulho no processo de enlouquecer. Mas como a própria Insanidade diz, “Ser louco não é o fim. É apenas o passaporte de uma jornada”.

CAPA DO LIVRO OS CRIMES DE PLATÃO - REGINALDO LEITE - DRAGO EDITORIAL - Crédito Drago Editorial
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15 Comentários

  • Excelente entrevista.Reginaldo é uma pessoa apaixonante, inteligente.perspicaz. etc etc etc.Adorei o livro e tudo que ele faz beira a perfeiçao.Ansiosa pelo próximo lançamento.

    • Obrigado pelo carinho de suas palavras. Feliz que tenha gostado do livro. Fique bem!

  • Li os crimes de Platão. Animal o livro. Surpreendente e muito bem pensado.

    • Que bom ler seu comentário! Você é um escritor fantástico. Seu livro “Nove e Doze” é maravilhoso. Fique bem!

  • Um ótimo escritor e profissional de um talento inigualável! Ótima entrevista! Parabéns!

    • Sinto-me honrado com suas palavras. Muito obrigado pela apreciação. Você é um escritor primoroso.

  • Primeiramente gostaria de lhe dar meus parabéns pela entrevista! Você é e sempre será uma pessoa muito especial para mim, Um grande escrito que tem pela frente um futuro de grandes sucessos.
    Me sinto muito honrado em lhe conhecer; com todo meu carinho gostaria de poder lhe dar um grande Abraço, lhe desejo muito sucesso!

  • Amei ler esta entrevista.
    Reginaldo foi meu professor e orientador.
    Tenho a maior admiração por este ser extraordinário!!!
    Devorei o seu livro.
    Como tudo que ele faz, faz bem feito, o livro não poderia ser diferente: fantástico!!!
    Estou ansiosa pela chegada do próximo!!
    Um grande abraço ao meu Mestre que, está sempre presente em minha memória!!

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