Francis Fachetti: 'Os necessários sentimentos e o desvelar dos ritmos na música espanhola – o flamenco'

Flamenco

Continuando a aclarar sobre o flamenco, darei um curto apanhado dos sentimentos/emoções que a música nos suscita.

A dança folclórica/étnica não se coloca como uma categoria na arte flamenca por não ser uma manifestação específica de um povo – o universo flamenco.

O flamenco é uma técnica de música e dança de extremo requinte, e se expressa em peculiar código com seu desenvolvimento – especialmente na música/ritmos.

A música em seus ritmos carrega uma poesia cantada; espécie de elegia, com sons que nos atravessam como um lamento de morte, poesia melancólica.

Ritmos em poética abstrata e pungente – tanto para o festivo/alegre, quanto para o mais denso.

Como diz “FREDERICO GARCIA LORCA”, ao definir o que é teatro; os ritmos da música flamenca saem do compasso musical para se tornarem humanos: em corpo, emoção, alma, sangue e nervos.

Cada canção/ritmo tem um abissal significado expurgando temas de amor, história e política.

As letras trágicas e os tons da guitarra/violão representam o seu passado sofrido.

O cante é a forma mais antiga dessa arte; que mais o representa.

Para citar apenas dois dos maiores músicos/compositores, temos: PACO DE LUCIA e CAMARÓN DE LA ISLA.

Paco de Lucía. Arquivo do Google
Camarón de La Isla. Arquivos Google

Uma característica necessária que se torna primordial na arte flamenca é a música ao vivo, tornando-a absolutamente teatral.

A forma mais autêntica, lapidada, nas variedades do flamenco é o chamado “Duende”; considerado a forma ideal dessa arte.

“Duende” é expor-se, existir como quem se arrisca. É destemor, coragem, alma, entrega. Um amalgamar flamenco. Para alcançá-lo, as emoções têm que estar livres e irreprimíveis.

Emanar das entranhas alegria, tristeza, drama, do mais denso ao mais festivo sentimento; vem de cada ritmo (palos) em particular, como por exemplo: siguiryas (denso), soleares (denso), bulerias (festivo), Taranto (leve), tangos (alegres).

“Uma sessão típica de música flamenca é composta por quatro elementos: canto, dança, guitarra/violão, e o chamado “jaleo”, algo como incentivo, que envolve gritos efusivos, palmas, batidas de pés, tudo para impulsionar a atmosfera”.

Citarei agora alguns palos (ritmos ou estilo) diferentes e as vezes contrastantes entre si. Uns do folclore andaluz, outros das colônias americanas, e outros de origem africana:

Alboreá, Alegrías, Bambera, Bulerías, Caracoles, Fandango, Farruca, Guajira, Malaguenha, Martinete, Milonga, Rondenã, Rumba, Siguirya, Soleá, Tangos, Tanranto, Zorongo, etc.

Cada palo requer um imenso estudo e pesquisa, além da prática e técnica em classes (aulas).

Com o tempo e entrega você se apodera, se imiscui/envolve em seus necessários sentimentos, os chamados “Duendes”.

Nas próximas colunas dissecarei mais o abismal e extenso executar, e conhecimento dessa arte tão complexa e sedutora. Aguardem.

Revezarei universo flamenco e seus mistérios, e o descortinar do templo teatral (artistas, espetáculos e sua historicidade).

Até a semana que vem.

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