Xandy Novaski entrevista a atriz Evelyn Montesano

EVELYN MONTESANO - Crédito Marcos Nadur

EVELYN MONTESANO estreou na televisão na excelente “Escrava Mãe”, novela exibida na Record TV. Seu talento para a arte de interpretar se sucedeu em outra novela da casa “O Rico e Lázaro”, destacando-se também nos folhetins da Rede Globo “Rock Story”, “Pega Pega” e na recente “Salve-se Quem Puder”. Dedicada ao seu novo projeto, o canal no Youtube “Short Scenes with Evelyn Montesano” (que já conta com um crescente número de inscritos antes mesmo da estreia do primeiro vídeo), os próximos passos da atriz são voltados a conciliar a carreira na televisão e internet. Confira a entrevista e se apaixone por sua trajetória artística!

1) Quando criança, você ia muito ao teatro ao lado de sua mãe. O quanto esses passeios influenciaram em sua carreira artística?

Sim!  Influenciaram muito. Eu assistia peças infantis quase todo final de semana com a minha mãe em um teatro perto de casa e gostava muito. Adorava assistir “Dona Baratinha”, por exemplo. Via mais de uma vez a mesma peça e com certeza essas idas ao teatro na infância me fizeram tomar gosto pela arte. 

2) A primeira vez em que esteve diante do público foi na sua pré-adolescência no colégio. Como foi a experiência?

Foi maravilhosa! Sempre fui muito espontânea e comunicativa, então, tirei de letra atuar naquela peça de teatro aos 13 anos de idade. Foi uma peça para a disciplina de História. Encarei como se estivesse em sala de aula, fazendo o que a professora tinha pedido. Fiz com seriedade, mas não tinha a exata noção de que as pessoas que estavam ali assistindo, pais e professores, poderiam estar avaliando, por exemplo, a minha atuação. Isso nunca passou pela minha cabeça. Nem pensava nisso. Para mim eu estava simplesmente fazendo o que a professora pediu. Foi algo tão natural que eu nem pensei. Só anos mais tarde é que foi cair a ficha de que ali foi a minha estreia nos palcos e que tinha um público que poderia estar me assistindo, observando e julgando. 

3) Cada personagem é uma nova possibilidade de sentimentos, e que dura por um determinado tempo. Como é viver tudo isso e, de repente, dar o ‘adeus’ quando as obras findam?

Dá saudade. Você cria aquele personagem, se dedica a ele e um dia ele simplesmente vai embora. Acho que dá saudade tanto para que faz quanto para quem assiste também. Quem é que nunca viu uma série ou novela e no final ficou com saudade de um determinado personagem que você gostava e acompanhou por tanto tempo?! Dá uma abstinência sim, mas aos poucos vamos nos recuperando e lembrando daquele personagem com carinho, das marcas que ele deixou em você enquanto pessoa e dos frutos que ele deixou na sua carreira de atriz. 

EVELYN MONTESANO - Crédito Marcos Nadur

4) Sua carreira nas novelas inicia-se em ‘Escrava Mãe’, uma obra épica, e isso acontece também no segundo trabalho ‘O Rico e Lázaro’. Contudo, logo depois você atua em outras duas tramas, dessa vez obras contemporâneas: ‘Rock Story’ e ‘Pega Pega’. Além das vestimentas e textos, quais foram outras diferenças encontradas na composição dessas personagens?

É bem diferente atuar em uma obra de época e contemporânea. Além dos trajes e do texto, conforme você mencionou, a obra épica requer um entendimento sobre como era e agiam as pessoas naquele período, como era a sociedade da época. Por exemplo, nas novelas bíblicas, se você vai fazer uma hebreia, você tem que saber que elas eram mulheres submissas aos homens. Então, de forma alguma, a personagem pode levantar a voz ou falar de maneira impositiva a um personagem masculino em cena. A voz é sempre mais baixa e meiga. A novela de época requer esse estudo e atenção extra. É fundamental saber sobre o período em que a trama se passa, como era aquela estrutura social e como as pessoas agiam. Isso é imprescindível na hora de você compor a personagem. Já em uma novela contemporânea você não precisa se preocupar com isso, tudo acaba ficando mais fácil, natural e intuitivo, pois sabemos como funciona a sociedade da nossa época.    

5) Você estava vivendo a Zuleika em ‘Salve-se Quem Puder’, mas as gravações foram interrompidas devido à pandemia. Como estão sendo esses dias de isolamento social, e tem alguma previsão da volta do folhetim?

Estou aproveitando esse período de distanciamento social para colocar algumas ideias em prática como, por exemplo, a criação do meu canal no Youtube. Muitos amigos me falavam disso há muito tempo, que eu deveria ter um canal, mas como estava sempre focada e envolvida com os trabalhos na televisão nunca tinha tempo de parar e pensar nisso. Agora, nesse período de desacelerada forçada que a pandemia trouxe, consegui “voltar os meus olhos” para essa questão do canal. Parei, pensei, achei uma ideia interessante e resolvi criá-lo. Ainda estou no começo desse processo, em fase de pré-produção, vendo coisas relacionadas à sua concepção, mas ele já foi criado e já está no ar lá no Youtube, apesar de ainda não ter vídeos. Inclusive estou muito feliz e surpresa com a quantidade de pessoas que já estão se inscrevendo, estamos ganhando muitos seguidores todos os dias. Agradeço a todo mundo que já está se inscrevendo lá. A vantagem de já se inscrever agora é que, com o sininho apertado desde já, não vai perder nenhum vídeo, pois vai receber uma notificação quando o primeiro e os demais vídeos forem postados. Aproveito a oportunidade e convido todos os leitores da Revista do Villa que gostam de filmes, séries, cinema, TV e atores a se inscreverem também. Quem curte esses temas vai gostar no canal! O link é: www.youtube.com/shortsceneswithevelynmontesano . Quanto à volta das gravações das novelas da Globo o que soube é que a previsão de retorno seria agora para o mês de agosto, mas que ainda não estava confirmada.       

6) Ainda falando da Zuleika, ela sofreu nas mãos do Mosquito (Ygor Marçal) e Queen (Alice Palmar). A clássica cena da tinta inclusive ganhou notoriedade nas redes. A Zuleika merece uma revanche?

Acho que revanche não porque apesar de bagunceiras, se tratam de crianças, mas bem que a Zuleika poderia voltar à novela e encontrar Mosquito e Queen novamente. Quem sabe a babá não poderia aparecer tomando conta de outras crianças em uma determinada ocasião, encontrar Mosquito e Queen e as próprias crianças lembrarem o que fizeram com a Zuleika e irem pedir desculpas a ela?! Quem sabe agora Mosquito e Queen não estarão mais disciplinados e bem educados pelas mãos da babá Cleyde (Vitória Strada)?! Novela é uma obra aberta. Nunca se sabe! Está tudo nas mãos do autor, o Daniel Ortiz.

EVELYN MONTESANO - Crédito Marcos Nadur

7) Na série ‘A Teia do Crime’, sua personagem passeava pelo entretenimento e, de repente, embrenha-se no jornalismo investigativo. Como foi a composição da Marcelle?

Foi bem interessante! Li muito sobre jornalismo investigativo, estudei muito sobre o tema e percebi que infelizmente existem pouquíssimas jornalistas investigativas mulheres de relevância em todo o mundo. Pouquíssimas mulheres que realmente se destacam nessa área. É um mercado dominado pelos homens. Então, para trazer a força que a personagem precisava me inspirei nas delegadas e policiais. Mulheres fortes e corajosas que também vivem em um mundo essencialmente masculino, dominado pelos homens. Também assisti muitas reportagens do Roberto Cabrini que é uma referência nesse tipo de jornalismo aqui no Brasil. E li muito material do Leslie Leitão também. Ambos são referência nesse tipo de jornalismo e foram certamente grandes fontes de inspiração para a construção da Marcelle.

8) As novelas são obras abertas e o ‘novelo’ vai se desenrolando aos poucos. Já outras obras, como no cinema e até as séries, geralmente ficam prontas antes de irem ao ar. Em ‘Open Bar’ foi assim, e você só se viu na televisão cerca de um ano depois. Como é essa diferença entre ter uma personagem com um arco dramático totalmente construído e outra que pode tomar qualquer rumo?

A novela geralmente é assim mesmo, ela vai se desenrolando aos poucos e um personagem que poderia ser inicialmente pequeno ou secundário pode crescer e ganhar destaque se cair no gosto do público e da crítica. E o contrário também pode acontecer, um personagem inicialmente grande e de destaque pode ter suas falas reduzidas ou até morrer na trama se não corresponder às expectativas. Mas em “Escrava Mãe”, minha primeira novela, foi diferente. A trama demorou a estrear e quando isso aconteceu, ela já estava quase toda gravada. Pode acontecer isso em novelas também, mas é raro. O legal da novela é justamente essa expectativa de como vai ser o retorno do público, de como sua personagem será recebida e que rumo ela vai tomar. Já na série, que é toda gravada antes, você fica mais tranquila para “colher os frutos” daquele trabalho, você pode se focar apenas em como aquele trabalho será recebido pelo público. Pode analisar e estudar a repercussão da sua personagem para ver onde acertou e errou. E pode usar isso como aprendizado para futuros trabalhos, pois já não está mais envolvido com as gravações daquele projeto. E se surgirem campanhas publicitárias e outros trabalhos derivados da sua exposição na TV, o que geralmente acontece, você tem mais tempo para se dedicar a eles. Quando você está com sua agenda tomada de gravações fica mais difícil de conciliar, mas no final das contas a gente arruma tudo, consegue espaço e consegue fazer esses trabalhos também. Só fica mais difícil. Enfim, ambos os formatos tem suas vantagens e desvantagens, mas eu adoro tanto fazer novelas quanto filmes e séries. O importante é trabalhar e receber o carinho do público que é o que mais amo, o mais gratificante! 

9) Quero terminar apontando outro segmento artístico do qual você atua: o da locução e dublagem. Qual é a principal diferença que há nessas duas áreas do segmento da voz?

Para ser dublador você tem que ser ator. O dublador tem que usar a sua voz para interpretar. É mais uma linha de trabalho que o ator pode ter. Já a locução é outra profissão. Quando você ouve um programa de rádio no seu carro, por exemplo, aquele profissional é um locutor. Aquele cara que você só ouve a voz no comercial de TV e aquele cara no mercado que fala as ofertas também, esses todos são locutores e não precisam ser atores para isso. Muita gente confunde. Eu tenho especialização nas duas áreas, dublagem e locução, e posso atuar em ambas, mas são profissões diferentes. Eu, particularmente, adoro trabalhar nas duas áreas. O importante para mim é estar em contato com o público. Fazendo isso eu estou feliz! Sou completamente apaixonada pela comunicação e pelas artes! 

EVELYN MONTESANO - Crédito Marcos Nadur
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