Xandy Novaski entrevista o escritor e roteirista Dejair Cardoso

DEJAIR CARDOSO - Crédito Arquivo Pessoal

DEJAIR CARDOSO tem anos de carreira como escritor e roteirista. Já colaborou em novelas na Rede Globo, e muitos de seus textos para teatro já receberam prêmios importantes em concursos de dramaturgia. Dono do Centro Cultural Dejair Cardoso, ele mantém o espaço com recursos próprios, abrindo as cortinas não só para seus projetos, mas principalmente no intuito de ajudar outras produções. Conheça a trajetória profissional do artista que tem na carpintaria das palavras o segredo da construção de seus inúmeros personagens!

1 – O universo das palavras sempre esteve em sua trajetória profissional. Inclusive você colaborou em algumas novelas, dentre elas “Meu Bem, Meu Mal”, do saudoso Cassiano Gabus Mendes e “Anjo Mau”, remake da obra de Cassiano escrito por Maria Adelaide Amaral. Como é o processo de criação do colaborador?

É variável.  Alguns titulares da obra delegam aos colaboradores a tarefa de escrever capítulos.  Já outros, as cenas de determinados núcleos, por exemplo, o núcleo cômico, posto que, na equipe, há aquele que domina mais o gênero comédia. Nas reuniões, outrora presenciais, são discutidas ideias, elaboração da escaleta, etc. Esta última consiste no resumo das cenas do capítulo.

MARIA ADELAIDE AMARAL e DEJAIR CARDOSO - Crédito Arquivo Pessoal

2 – As obras que citei acima inclusive tiveram reprises e agora entram no catálogo da Globoplay. Como é ver diálogos que saíram de suas mãos se eternizarem?

Muito gratificante, sobretudo porque, numa população sem o hábito de leitura, de ida a teatro, etc., o que é veiculado pela televisão é que é maciçamente consumido. Portanto, tem uma resposta imediata e avassaladora.

3 – Os autores geralmente contam que, quando estão escrevendo uma novela, não há vida fora da carpintaria dos capítulos. Com o colaborador acontece o mesmo?

Claro que a carga de responsabilidade recai enormemente nas costas do titular da obra, já que, obviamente, ele é o responsável por ela. Mas todos os envolvidos no ato de criação têm uma carga de trabalho enorme. Estamos o tempo todo ligados, só há espaço para a realização da tarefa hercúlea para a qual você foi contratado.  E temos que lidar com o imponderável, tal como doença de atores e outras situações enervantes.

4 – Você tem um Centro Cultural na Glória, Rio de Janeiro, que leva seu nome. Conta pra gente como se deu essa conquista.

Ao empregar todas as minhas economias para comprar o imóvel onde funciona o meu modestíssimo teatro, vindo, sobretudo, facilitar a encenação dos meus textos.  Porque me considero basicamente um autor de teatro, até porque tenho mais de vinte peças premiadas em concursos de dramaturgia.  Os aluguéis dos espaços mais na linha comercial são muito caros. E os teatros oficiais são, muitas vezes, norteados por critérios nebulosos na concessão de pautas.  Este é o motivo maior que me levou à loucura de gerir um espaço que, até o momento, não me trouxe lucros financeiros.   Porém, há sem dúvida a enorme satisfação da realização pessoal.

DEJAIR CARDOSO NA ENTRADA DE SEU CENTRO CULTURAL - Crédito Arquivo Pessoal

5 – O espaço conta com 60 lugares e tem uma pegada alternativa. Qual a importância dos centros culturais cederem seus espaços aos grupos, companhias e produtores que anseiam por pautas e muitas vezes não as conseguem?

É um espaço alternativo, mas bem equipado no que se refere ao equipamento de luz, de som, etc. E o que cobro está bem abaixo dos preços praticados no mercado. Motivo pelo qual produções modestas, grupos alternativos e outros buscam abrigo no meu espaço.

6 – Os espetáculos que seguem em cartaz têm suas trajetórias no palco de um teatro e, em determinado momento, chega-se a hora de fechar de vez as cortinas. Que sensação fica para você, dono do teatro, quando vê uma montagem encerrar seu ciclo, mesmo ela não sendo uma produção sua?

Sensação de orfandade, principalmente com grupos com os quais eu tenha estabelecido um vínculo afetivo. É o caso do produtor, ator e dramaturgo Guilherme DelRio, que me deu a honra de abrigar várias produções dele.

ELENCO DO ESPETÁCULO ELIZABETH TAYLOR DO BRASIL, TEXTO DE DEJAIR CARDOSO - Crédito Arquivo Pessoal.

7 – Aliás, por falar em espaço cênico, como está a rotina interna e administrativa do Centro Cultural com as portas fechadas devido à pandemia?

Está no momento fechado e sem perspectiva de reabertura, como acontece com os demais teatros.  É desolador.

8 – Você escreveu também diversas peças de teatro, dentre elas “A Tia”, que estava em cartaz no Vanucci, na Gávea. Certa vez ouvi uma frase que me marcou muito: “O autor vai embora, os atores também. Contudo, os personagens se eternizam para que outros os vistam.” Isso mexeu muito comigo, pois também escrevo. Como é dar vida a esses seres imaginários que, mesmo diante da passagem do tempo, são capazes de se materializar, independente da geração que os receba?

É extremamente gratificante. Principalmente em relação ao teatro, uma paixão que, no meu caso, teve início ainda criança, quando acompanhava a declamação de poesias na igreja evangélica que os meus pais frequentavam, próximo ao dia de Natal. Depois descobri as obras teatrais na biblioteca da cidade.  A paixão, então, se consolidou.

GUILHERME DELRIO, GIOVANNA GOLD e DEJAIR CARDOSO - Crédito Arquivo Pessoal

9 – Quais serão os próximos passos do Dejair Cardoso e do Centro Cultural para quando o distanciamento social e a pandemia passar?

Estou cheio de projetos.  No decorrer da pandemia terminei de escrever um livro de contos, cujo título é A GARGALHADA DA VIÚVA. Também escrevi uma nova peça, tendo como tema o confinamento compulsório.  Chama-se NO TEMPO DO CORONAVÍRUS – A COMÉDIA. Estou escrevendo um roteiro de cinema. EU e o Guilherme deveremos retomar o espetáculo A TIA, que eu pretendo produzir em São Paulo. E vou produzir e dirigir a comédia que citei, no meu teatro.

CENTRO CULTURAL DEJAIR CARDOSO - Crédito Arquivo Pessoal
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14 Comentários

  • Dejair,: autor maravilhoso e um produtor humano e sensível . Um operário das artes que muito dignifica as artes cênicas. Sou um fiel admirador do seu trabalho !

  • Obrigado, caro AZIZ, por suas belas palavras.

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