A crença do "salve-se quem puder" por Frederico Maroja

Por William-Adolphe Bouguereau - -AF79SI4-gGMKA at Google Cultural Institute maximum zoom level, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=31973668

Nascemos num sistema de crenças já constituído, muitas delas não são objetos de reflexão. Poucas pessoas rompem as correntes e conseguem assimilar de forma crítica a dramaticidade da escravidão que passamos. Por vezes, estamos muito ocupados, buscando satisfazer nossos interesses pessoais. Afinal de contas, “se eu não pensar em mim, quem vai pensar?” 

Pois bem, uma crença bem difundida é que muitos problemas podem ser resolvidos exclusivamente com o dinheiro. De fato, tanto a escassez, como o excesso, pode limitar a qualidade de vida das pessoas. Mas vale tudo para alcançá-lo? Vale trair a consciência ética? É possível ser admirado pelas virtudes com amizades verdadeiras, ou é melhor ser adulado? 

Sentir-se livre dá prazer, que está associado ao instinto de sobrevivência, mas e a vivência? Quando se fala de liberdade vem à questão da responsabilidade, e por sua vez, vem a ideia do certo ou errado, bem ou mal, e outras tantas dualidades. Mas há espectros, por mais virtuosos que possamos ser, somos extremamente falhos, e muitos erros são assimilados apenas com o tempo. Como ensina o samba “Na velocidade da luz” do Grupo Revelação: “todo mundo erra sempre, todo mundo vai errar”. 

Mas quando os “erros” afetam a vida de todos e acontecessem porque há muitos incentivos? Nesse sentido, lecionou o economista Milton Friedman: 

Há uma lei econômica fundamental, que até onde sabemos nunca foi refutada. Ela diz: “se você paga mais por alguma coisa, tenderá a ter mais desta coisa disponível. Em outras palavras: se o valor que você está disposto a pagar por algo aumenta, você está incentivando alguém a fornecer mais disto. Neste Sentido, com o aumento da burocracia, regulação, economia centralizada o governo tem cada vez mais criado incentivos para um comportamento imoral. 

Então, o processo de escolha que embasa a conduta se fundamenta no critério objetivo no que é ou não vantajoso, mesmo que seja confrontado pelo que acredita ser ou não correto no que se refere à liberdade. 

Apesar da percepção de liberdade ser subjetiva, de um modo geral, ela está associada ao quanto temos e não ao que somos e isso é aceitável dentro da moralidade existente, mesmo que importe no desvirtuamento ético. Entre uma moralidade (“imoral”) e a ética, geralmente a escolha será o que garante algum tipo de recompensa material (mesmo nos casos de evitar perda). 

De todo modo, as riquezas materiais não substituem as imateriais, muitas vezes a busca pela liberdade põe o indivíduo numa prisão, cuja única chave é lançada ao mar. Muitos casos a malandragem pode não acabar bem, se a absolvição não significar vantagem. Quando o julgamento se torna “político” a recompensa está implícita. 

O bom mesmo é buscar ter uma vida equilibrada, próspera e em paz consigo mesmo, com o máximo de compatibilidade com o que é verdadeiramente justo, longe das confusões alheias e dos labirintos sem saída. 

Grande parte das pessoas acredita que merecem mais, pelos mais variados motivos, e sem dúvida a dedicação e o tempo desprendido para uma determinada atividade fundamentam tal argumento, mas nem sempre os frutos (quando) vêm na quantidade e qualidade almejadas, e há associação exclusiva que a questão patrimonial significa que alguém é bem sucedido, e as virtudes acabam sendo deixadas de lado. 

As realizações financeiras dependem da confluência de vários fatores, até mesmo de sorte, de encontrar parceiros que topam a ideia (como cantava Raul Seixas: “sonho que se sonha junto é realidade) ou ainda, de saber “jogar o jogo político-social”, digo, exercer a fé do “salve-se quem puder”. 

Tudo começa na infância, através da lição que tudo pode ser recompensado (até mesmo o que não deveria), por exemplo: “se comer todo o papá, o coelhinho da Páscoa vai trazer chocolate, ou ainda, “se for obediente, o Papai Noel vai trazer presente no Natal”, ou de forma negativa: “Se não estudar não vai usar o videogame, celular etc”, “Papai do Céu vai castigar” etc. 

Enfim, nossas ações são influenciadas o tempo todo por um sistema de condicionantes mentais, cujo enfoque está nos resultados já pré- determinado e previsível no que é vantajoso ou não, e o comportamento em si perde o valor. 

Mesmo com o enfoque na recompensa, há resistência no cumprimento das condicionantes, porque o jogo passa a ser em atingir as recompensas sem cumprir com os deveres, algo que parece ser bem mais vantajoso. 

A “burla” é motivo de orgulho de muitos pais, até mesmo em relação aos marcos temporais, e promovendo uma lamentável adultização das crianças, porque consideram que seu filho é precoce, inteligente, gênio etc, melhores que os outros. 

Jesus entre os doutores aos doze anos, por James Tissot, no Brooklyn Museum, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=10195808">Hiperligação

Muitas vezes, as crianças por mais espertas que sejam percebem que podem obter vantagens com determinados comportamentos, mas sem compreendê-los, apenas reproduzindo e não agindo de forma natural. E isso vai impactar lá na frente. 

Quando as crianças crescem, muitos vão optar por carreiras exclusivamente pelo retorno financeiro, sem a menor vocação, o que é um desserviço para a sociedade. 

Pessoas em série são adestradas nesse sentido, e acabam sendo moldadas para defender “lados”, porque é vantajoso nesse sistema de recompensas e por causa da falta de exercício crítico. Por isso que é tão comum a desqualificação do outro em debates de ideias, ou o tamanho descompasso entre a o discurso e a prática. 

Dentro dessa perspectiva, o Estado, muitas instituições e seus personagens são meramente cenográficos, cuja fachada pode ganhar demão de ética e as faces são cobertas pela cosmética da moral existente. Por dentro é o terror da mediocridade e um poço profundo de vaidades humanas. 

O “salve-se quem puder” é a principal crença em nossa sociedade, e tantas outras são utilizadas apenas para aquela máxima “fingi que me engana e eu finjo que acredito”. Por isso que “a mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”, mas as aparências (nem sempre) enganam. O que ocorre que muitas pessoas tocaram tambor para maluco dançar. Todo mundo sabe que é mentira, mas se tem recompensa, “aí, eu vi vantagem”. 

Um símbolo bem tradicional é o “santo do pau oco”, que seria estátua de santo oca e utilizada para o contrabando do ouro em pedra ou pó de diamantes, se é expressão popular para designar um indivíduo dissimulado, mentiroso, falso e hipócrita. 

Por coincidência, temos os “santinhos políticos”, que são propaganda impressa com informações do nome do candidato e número. As promessas políticas não serão cumpridas como todos sabem, porque é guaribada cenográfica. 

É quase unânime a repulsa sobre colocar informação falsa no currículo, os esquemas de corrupção, as carteiradas etc, mas tais questões ocorrem porque a maioria das pessoas acredita que é vantajoso fazer isso, mesmo que cause (pseudo) constrangimento, muitas vezes é o que garante cair pra cima. Ademais, não ter escrúpulos é bem vantajoso. 

A crença em algo confere poder, capaz de limitar ou não a liberdade das pessoas, que podem ser punidas mesmo agindo de forma ética por quem tem o dever de ser justo, porque o que está em jogo é a manutenção desse sistema. 

Inspirado no iluminismo francês, o líder da inconfidência mineira (ou Conjuração Mineira), Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, foi condenado à morte, executado em 21 de abril de 1792. Note-se que o lema do movimento era “liberdade, ainda que tardia” e ele lutou contra o quinto de impostos (20%). Tiradentes foi utilizado como símbolo da fachada da República, foi erguido estátua em sua homenagem e ainda deu nome ao Palácio da Câmara dos Deputados, inaugurado em 6 de maio de 1926 (hoje, Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro – ALERJ). Em 2020, o brasileiro teve 41% do salário comprometido com tributos, como aponta o estudo recente do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) https://ibpt.com.br/estudos/estudo-sobre-os-dias-trabalhados-para-pagar-tributos- 2020/

Temos exemplos clássicos que nos são ensinados de que é desvantajoso ser crítico: o famoso julgamento do filósofo Sócrates, acusado de “corromper a juventude” foi condenado à morte, ele instigava os jovens a pensar e a questionar os preceitos morais e a julgar todas as condutas que a vida adulta iria lhes impor. 

Independente de religião, a história conta que Jesus Cristo foi condenado por ter dito que era filho de Deus, Rei dos Judeus. Ele defendeu a justiça e o amor ao próximo. O cristianismo iniciou-se através de pessoas abandonadas pelos sistemas políticos e religiosos e apesar de Jesus ter deixado claro que “Dai a Deus o que é de Deus, e a César o que é de César”, a mistura entre o Estado e Igreja também gera vantagens. Mesmo diante do Estado (laico), há muita influencia religiosa nos assuntos estatais e a predominância de religião sobre as demais. 

Não se admira que muitos líderes políticos, religiosos, governistas, acadêmicos etc se mantenham em suas posições, mesmo quando suas condutas são tão incompatíveis com as suas falas, porque grande parte do que assistimos é encenação. 

Não há corrompimento algum, mas sim a confluência de interesses, com sustentação voluntária para manutenção do poder, e assim, vantagens são obtidas. 

As dificuldades são criadas de forma proposital, porque assim, os seres “mitológicos” ganham importância para o que deveria ser comum, e assim, num efeito cascata até chegar no pré-cidadão, que escuta o barulho de uma festa acontecendo no Olimpo e que deve se apressar para ter alguma migalha. Como diz o ditado popular: “boi que chega primeiro bebe água limpa”, o que chega por ultimo fica com sede. 

Temos a famosa reflexão (ainda atual) do jurista Rui Barbosa: “o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”. E ainda que “a hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude” (François duc de la Rochefoucauld). 

Certa vez, no serviço público um ocupante de um cargo político disse pra mim: devemos nos preocupar em ser exemplo para os filhos. Depois de certo tempo, extraí uma lição valiosa: a política pode destruir a imagem para com quem mais nos importamos. Não era apenas o “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”, era a experiência de alguém, que certamente perdeu a sua liberdade. “O ímpio serve de resgate para o justo, e o infiel, para o homem íntegro.” Provérbios 21:18.

A Pomba da Paz é uma série de desenhos criados por Pablo Picasso para simbolizar a Paz tão esperada pós Segunda Guerra Mundial.

O “salve-se quem puder” busca a cumplicidade do outro, até mesmo de esposa, filho, amigo etc. (“fiz por sua causa”), para justificar uma conduta injusta de que “os fins justificam os meios”, “só é possível vencer assim”. No futuro seus filhos podem se tornar completamente estranhos, aptos a testemunhar falsamente contra quem sabe ser inocente, ou se corromper por moedas de prata, e ainda, capazes devorem seus pais, como o mito do Cronos de forma inversa. Vemos as mais variadas traições e injustiças, irmão que engana o outro para obter vantagem na herança, maus tratos contra crianças e idosos etc, o que esperar, se o pedaço de mundo que se tem não é bem cuidado e nunca é o suficiente? 

Como dito acima todo mundo erra, mas ao longo do tempo, pode querer melhorar, mas muitos optam por mentir, trair, manipular, não honrar com a palavra e com as responsabilidades, porque é vantajoso. Não são todos, mas são muitas pessoas, e vão acabar atrapalhando o desenvolvimento. 

Não sinta-se ofendido quando te chamarem de otário, idealista, sonhador etc, e mesmo que tenha sido prejudicado no exercício do seu ofício, sinta-se em paz, cumpriu o sagrado dever de lealdade com a justiça. Deixem que riem. Picasso dizia que “a maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos. Na Divida Comédia de Dante, o nono círculo, lago Cocite é o lugar mais gelado do Inferno (ausência do amor de Deus), onde estariam domiciliados os traidores. 

Existe um mundo grande demais, e muitos lugares aguardando a sua chegada, e por lá grande parte dessa realidade é apenas uma mitologia. 

Enxergar-se no espelho e se ver, bem como reconhecer e ser reconhecido pelos seus é algo que não tem preço, mas exige alto valor. 

“Vale mais ter um bom nome do que muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que a riqueza e o ouro.” (Provérbios 22:1) Como ensina o pai da psicanálise Sigmund Freud: “Fui um homem afortunado; na vida nada me foi fácil” e “Um dia, quando olhares para trás, verás que os dias mais belos foram aqueles em que lutaste.” 

Para o herdeiro da psicanálise Carl Jung: o privilégio de uma vida é se tornar quem você realmente é. Como cantado por Cartola: “deixe-me ir, preciso andar” e ensinado por Chico Science & Nação Zumbi: “um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar.” 

Se for pra lembrar de mito, que seja Hércules que nasceu para governar, mas teve a humildade de abandonar qualquer pretensão nesse sentido para tornar-se governante de si mesmo, ordenando a própria alma. 

Seja verdadeiramente livre, e se tiver filhos, seja exemplo pra eles!!!! 

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35 Comentários

  • Muito bom. Uma bela reflexao do que somos e do que nos tornamos com o passar do tempo

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