André Conrado: a Baía de Guanabara e suas encantadoras ilhas!

Ilha de Paquetá em 1885. Foto: Marc Ferrez

Nesta série de matérias, embarcaremos rumo a algumas ilhas da bela Baía de Guanabara. Porta de entrada do Berço da fundação da cidade do Rio de janeiro e do Brasil.

E a escolhida foi a charmosa e bucólica Ilha de Paquetá

Espelho D'água em 1885. Foto de Marc Ferrez/ Coleção Gilberto Ferrez
Praia dos Coqueiros em 1884. Foto de Marc Ferrez/Acervo IMS

Paquetá, na Baía de Guanabara, tem muita história, charme e memórias. Os primeiros relatos são do século XVI, e antecedem a fundação da cidade do Rio de Janeiro.

Em 1555, André Thevet, cosmógrafo da expedição de Villegaignon, chegou à Ilha em sua missão para fundar a França Antártica. 

Após fundar a cidade do Rio de Janeiro, em 1565, Estácio de Sá doou a Ilha de Paquetá a dois de seus companheiros de viagem. A parte norte, a Inácio de Bulhões, (hoje chamada bairro do Campo pelos comunitários), e a parte sul, que teve uma colonização mais rápida (bairro da Ponte) a Fernão Valdez.

Nas terras da Fazenda São Roque, foi erguida, em 1697, a primeira capela da Ilha, a de São Roque, o padroeiro da Paquetá. Até então, a comunidade tinha que atravessar a Baía de Guanabara até Magé para participar de seus cultos religiosos.

Capela São Roque. Coleção Antonio Manoel Mattos Vieira/ IMS

Por muito tempo, Paquetá também foi ligada à Magé, administrativa e religiosamente. Contudo, já com a Família Real no Brasil e o Príncipe Regente frequentando Paquetá, um alvará especial de D. João VI cria a Freguesia do Senhor Bom Jesus do Monte.

Em 1833, por decreto Imperial, a Ilha de Paquetá fica totalmente independente de Magé e passa a pertencer ao município da Corte.

O funcionamento regular da linha das barcas, a partir de 1838, facilitou a chegada na Ilha. Expressões artísticas, como o romance “A Moreninha”, de Joaquim Manuel de Macedo, que pode ter tido a Ilha como cenário ou inspiração para a história, somaram para Paquetá ficar mais conhecida.

Ilha de Paquetá com casa, 1889. Foto de Marc Ferrez/ Braziliana Fotográfica

Os distritos de Paquetá e Governador, em 1903, são unidos no Distrito das Ilhas, incorporando ilhas e ilhotas ao redor.

Outros Aspectos Históricos

Pintura à óleo da Ilha de Paquetá Facchinetti, 1889. Crédito: Rio de Janeiro

Os índios Tamoios eram os que ocupavam boa parte da orla da Baía de Guanabara e, certamente, Paquetá. Quando os portugueses e franceses aqui chegaram, a ilha já era chamada de Paquetá. O estudo etimológico do nome sempre gerou muitas polêmicas e possibilidades: muitas conchas, pedras ou pacas (animais).

Esta última interpretação é hoje a mais aceita, corroborada com a publicação dos escritos de André Thevet (o descobridor de Paquetá), que narra a abundância na ilha do animal Pacarana, parente próximo da paca.

Paquetá foi também um dos principais focos da resistência francesa à expedição de Estácio de Sá, que tinha como uma de suas principais missões expulsá-los do país: os portugueses, aliados aos Povos Temiminós do cacique Araribóia, contra os franceses, aliados aos Tamoios do cacique Guaixará.

Foi nas águas de Paquetá que ocorreu uma das principais batalhas da vitória portuguesa, com a morte do líder Tamoio Guaixará. Ainda no ano da fundação da cidade do Rio de Janeiro, em 1565, e mesmo antes do seu falecimento, Estácio de Sá dava andamento à sua missão colonizadora, e Paquetá foi incluída na relação de terras doadas a seus aliados, sob forma de sesmarias, como citado no início.

A chegada de D. João VI à Paquetá, em 1808, no mesmo ano em que a Família Real vem para o Brasil, eleva a ilha a um relevante status cultural junto à Corte e à população da cidade. Paquetá assumia o papel de centro político.

Vários nobres e personalidades importantes passaram a frequentar, ou mesmo morar em Paquetá. Destacamos a presença de José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência que, em 1829, afasta-se da Corte por motivos políticos e se exila em Paquetá. Sua antiga residência existe até os dias de hoje. 

No final deste século, a ilha passaria pelo que foi, provavelmente, o seu momento mais difícil: A Revolta da Armada.

Em 1893, a Marinha de Guerra deflagrou um movimento contra o governo do Marechal Floriano Peixoto. Paquetá foi, involuntariamente, base de operações para os revoltosos, ficando isolada do Rio de Janeiro por seis meses.

Muitas famílias tiveram que se afastar da ilha, as baixas foram intensas e, ao final da revolta, muitos “paquetaenses” foram severamente punidos, sob o argumento de que teriam colaborado com os revoltosos. Um período triste na história do bairro. 

Vista aérea de Paquetá, 1934. Crédito: Braaziliana Fotográfica

Um até breve a Paquetá!

O clima bucólico da Ilha de Paquetá é extremamente atrativo para passeios relaxantes. A Ilha tem uma paz fora do comum, mesmo estando tão próxima de agitados centros urbanos, fatos que atraem muitos turistas.

Uma curiosidade que também atrai turistas à Ilha é o Cemitério de Pássaros. O local, onde as pessoas enterram seus animais de estimação, é muito visitado por pessoas de fora.

As bicicletas são outro atrativo da Ilha de Paquetá. É possível passear por toda a Ilha com elas. Conhecer cada detalhe pedalando e admirando o belo visual!

Pedra da Moreninha, Paquetá, dias atuais.

Créditos:

Ilha de Paquetá – Instituto Moreira Salles

Fotos: Marc Ferrez – Acervo IMS e Coleção Gilberto Ferrez  

Coleção Antônio Manoel Vieira Mattos 1925 – IMS

Compartilhe nas redes sociais
Publicação Anterior

Luma Olive: ‘O dono da verdade’

Próxima Publicação

Conheça o Neya, novo hotel de luxo do Porto que fica num antigo convento

22 Comentários

  • Muito legal. Não sabia de nenhuma dessas histórias de batalhas. Só conheci a parte Romantica da ilha. Um belo lugar. Amiga minha fez pousada nela

  • Mais uma vez ADOREI a reportagem!!! PARABÉNS ANDRÉ!!!!

  • Excelente! Como é interessante despertar nossa curiosidade sobre historias de locais por onde já passamos, mas sem ter esse conhecimento. Muito bom mesmo!

  • Simplesmente uma matéria maravilhosa, encantadora! Parabéns!

  • André sempre maravilhoso em seus posts! Parabéns! Nota 1000!

  • OI ANDRÉ ! Gostei demais da sua pesquisa! SEMPRE MARAVILHOSO!!

  • Ficou muito bom o texto, que bela explicação da nossa querida Paquetá, André Conrado está de parabéns pelo rico conteúdo! 👏👏👏

    • Olha só! Gostei de saber do refúgio de José Bonifácio. Não sabia da casa dele na ilha ainda existe. Me deu vontade de visitar. Muito boa a reportagem. Adorei!

  • Amo a coluna deste meu amigo, produção!
    Mais um acerto e um show de História, querido!

  • Mais uma pérola de reportagem ! Adorei a diagramação e principalmente as fotos que serviram de ilustração. Parabéns pelo seu fabuloso trabalho.

  • I just want to tell you that I am just all new to blogs and really enjoyed this web site. Most likely I’m planning to bookmark your blog . You surely come with outstanding articles and reviews. Thanks a lot for revealing your blog site.

  • Essa matéria é nostalgia pura! Que saudade de Paquetá… parabéns pelo texto e por despertar essa vontade de retornar a esta ilha linda e bucólica!

  • I all the time used to read paragraph in news papers but now as I am a user of internettherefore from now I am using net for articles or reviews, thanks toweb.

  • buy cbd oil online http://hempcbdoilgs.com/ – cbd for sale cbd pills cbd oil at walmart

  • … [Trackback]

    […] There you can find 7522 more Info to that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/12/andre-conrado-a-bahia-de-guanabara-e-suas-encantadoras-ilhas/ […]

  • … [Trackback]

    […] Find More to that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/12/andre-conrado-a-bahia-de-guanabara-e-suas-encantadoras-ilhas/ […]

  • … [Trackback]

    […] Read More on on that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/12/andre-conrado-a-bahia-de-guanabara-e-suas-encantadoras-ilhas/ […]

  • … [Trackback]

    […] There you will find 2167 more Info on that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/12/andre-conrado-a-bahia-de-guanabara-e-suas-encantadoras-ilhas/ […]

  • … [Trackback]

    […] Read More on to that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/12/andre-conrado-a-bahia-de-guanabara-e-suas-encantadoras-ilhas/ […]

  • … [Trackback]

    […] Find More on on that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/12/andre-conrado-a-bahia-de-guanabara-e-suas-encantadoras-ilhas/ […]

  • … [Trackback]

    […] Find More Information here on that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/12/andre-conrado-a-bahia-de-guanabara-e-suas-encantadoras-ilhas/ […]

  • … [Trackback]

    […] Info on that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/12/andre-conrado-a-bahia-de-guanabara-e-suas-encantadoras-ilhas/ […]

Deixe um comentário.

O seu endereço de e-mail não será publicado.