Renata Sardinha apresenta o artista plástico maranhense Gerson Paiva Soares e a diversidade de suas telas com cores e sensibilidade

O artista plástico Gerson Paiva Soares é natural do interior do Maranhão.

Ainda menino, Gerson Paiva Soares gostava de ficar olhando, sem perceber o tempo passar, as obras de arte expostas em livros. Além desta memória, o cheiro do lápis de cor também permanece, até hoje, em suas recordações da infância, que revelam como a arte entrou em sua vida. “Como a minha mãe era professora, em casa, tinha papel em abundância. Então, foi crescendo, em mim, esse desejo de experimentar cada vez mais novos materiais”, relembra ele, sem esconder a nostalgia. 

Nascido e criado na pequena Benedito Leite, cidade do interior do Maranhão que fica às margens do Rio Parnaíba, Gerson começou a dar vazão ao seu talento nas aulas de educação artística, ainda quando frequentava a escola primária. “A professora dava papel para desenharmos. Pronto! Não queria outra coisa. Lembro que gostava tanto da atividade a ponto de não querer mais sair da aula”, diz ele, que usava tinha guache nos seus primeiros experimentos. “Lembro com muita saudade quando dobrava aquela folha A4 no meio para fazer as minhas primeiras experimentações. Era um momento lúdico que me colocava, já ali, de cara com a minha arte”, completa. 

Portanto, somente mais tarde começou a fazer parte de forma profissional do universo da pintura. Com 18 anos de idade, teve acesso a materiais como tinta e óleo, quando deu início a suas primeiras telas. Afinal, não era tão fácil conseguir o material necessário para investir em sua veia artística naquela cidade tão pequena. 

 

FLORES E PEQUIS.

E foi através de um artista plástico de sua região, chamado Péricles Rocha, que o jovem começou a perceber, de forma mais profunda, a arte como meio de vida. “Ele foi uma pessoa muito especial e me deu os primeiros conselhos. Sempre achei muito interessante a maneira como conduzia seus trabalhos. Ia sempre em sua casa e conversávamos muito sobre arte. Eu até tentava copiar algum trabalho dele, na tentativa de agradá-lo. Mas ele, sabiamente, dizia para eu seguir meu caminho. E me indicava livros de história da arte de sua própria biblioteca. Eu ficava encantado com tudo aquilo!”, conta. 

Imbuído de sua vontade, Gerson contou para a família sobre sua vocação artística. A mãe não foi contra, tinha a mente mais aberta. Já o pai não viu com bons olhos a inclinação artística do filho. “É aquele velho diálogo limitante, sempre presente em grande parte das famílias brasileiras: busque uma profissão que dê dinheiro. Bom, acabei resolvendo fazer pedagogia na Universidade Estadual do Piauí. Resolvi conciliar as duas profissões, pois realmente a carreira artística, no começo, não dá um retorno financeiro. E ainda precisa de investimento!”, observa. 

A mudança de cidade se deu com 28 anos. Nesta época, Gerson havia decidido se aprofundar na profissão escolhida em São Paulo, sem dúvida a cidade mais cosmopolita do Brasil e que respira arte a cada esquina. Porém, ele decidiu por uma cidade menor, chamada Cosmópolis, no interior. E, segundo ele, um leque de oportunidades se abriu de forma imediata. “Demorou um tempo até que eu percebesse que, quando vamos crescendo, perdemos a capacidade de ter curiosidade, como uma criança. Lá no fundo, quando estamos sendo nós mesmos em essência, descobrimos qual é o nosso caminho e o que viemos fazer neste mundo. Ali, a arte me escolheu. E eu a escolhi”. 

O GALO DA MADRUGADA.

Atualmente, ele se reveza entre aulas numa creche infantil e sua arte. Para ele, os primeiros passos são difíceis sim, mas nada que não possa ser contornado. “O fato é: tive que me aprofundar e estudar sobre tudo o que envolve a carreira de um artista plástico, pois, como qualquer profissão, é preciso ter um plano claro de médio a longo prazo. O sucesso, em qualquer meio, não acontece por acaso – vem com o tempo e muito trabalho”, conta ele, que se considera autodidata e foi, aos poucos, experimentando diferentes formas de pintar. 

 

TATUÍ.

Artista plástico se inspira em terra natal: natureza e cultura nordestina ganham suas telas 

Inspirado em sua terra natal, o artista plástico busca integrar os diversos elementos que vivenciou por lá em suas andanças, principalmente na companhia de seus avós. Por isso, suas obras carregam as cores da natureza local, a beleza do artesanato e a diversidade da rica culinária herdada de povos indígenas e caboclos, além dos imigrantes europeus, com todas as suas não menos importantes manifestações culturais. 

Através da tinta sintética diluída em água, Gerson se torna, então, um artista capaz de revelar nuances da cultura nordestina, onde o modo de vida das pessoas e dos animais da região ganham o merecido destaque. “Depois que secam as primeiras camadas, vou acrescentando outras camadas com a tinta em seu estado natural. Às vezes, isso precisa ser feito de forma rápida para dar o efeito desejado, já que tem uma secagem rápida. Também pretendo fazer alguns experimentos com pigmentos naturais”, explica ele, acrescentando que o processo criativo começa com as cores amarelo e vermelho. “Depois disso, eu me sento na frente da tela ou do suporte que estou pintando e, assim, espero ela comunicar aquilo que preciso fazer. Em outros momentos, dependendo do lugar em que estou, surgem pensamentos sobre como colocar algumas ideias. Então, escrevo e faço um esboço rápido. E é neste momento que sinto uma vontade desesperadora de pintar!”,confessa. 

Para o futuro, o maranhense pretende viver da sua arte, somente. Sem se preocupar com mais nada. “A arte representa, para mim, o coração e a coragem, ambas palavras em seu sentido etimológico. Por isso, através da minha arte, quero mostrar a simplicidade da vida e toda a harmonia que está aí, ao nosso redor. Sou um mensageiro da arte, ela está em mim, nas camadas mais profundas da minha personalidade”, afirma ele, que, para um futuro bem próximo, deseja tornar seu trabalho conhecido mundo afora. “Quero muito popularizar minhas telas e fazer com que se tornem conhecidas em outros países. Sabe, poder sentir esse mercado pulsante da arte, que está tão vivo no exterior? É, sem dúvida, meu maior sonho”, finaliza.

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14 Comentários

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