Francis Fachetti entrevista a renomada bailaora flamenca Carmem 'La Talegona'

Bailaora nascida em Córdoba. Advinda de uma reconhecida estirpe flamenca (família TALEGÓN).

Primeiros passos no Conservatório de dança espanhola y Arte Dramática aos 11 anos.
Recebeu influências dos icônicos artistas JAVIER LATORRE, PACO JARANA, dentre tantos outros.

Compartilhou a dança flamenca em toda a geografia Andaluza, amalgamada a figuras como: JOSÉ MERCÉ, LA MACANITA, CHANO LOBATO, e muitos, muitos outros expoentes.
Destacou-se como solista em distintas companhias flamencas, reverberando a força dessa dança por todo o mundo: Japão, Grécia, Turquía, Canada, Inglaterra, França, etc.

Em cena tem uma presença viripotente, hercúlea, não deixando de lado a sinuosidade e a sensualidade de uma mulher exuberante e enigmática – aliando técnica flamenca a sentimentos irascíveis. Em genial momento arrufadiço/categórico em cena, coloca a dança flamenca em universal e árdego momento a ser apreciado.Com 17 anos, em Madri, até hoje, continua dando aulas nas melhores instituições, ensinando flamenco.

1 – Em cena, no palco, para onde o flamenco te leva? Defina seus sentimentos na transição da mulher para a bailaora: 

Muito difícil definir, por que se passa em outra dimensão; quando piso no palco é como um ritual. Exploro meu camarim, fazendo fotos, me concentrando. Antes ensaio bastante. Quando vou em direção ao palco, adoro estar muito perfumada, me sinto “guapa” (linda). No palco eu me sinto em outro plano, totalmente em outra dimensão, aí tenho certeza que não poderia ser, ou fazer outro ofício.

2 – Qual a diferença, em baile, no flamenco de anos atrás para o de hoje, mais solto, com mais interferências, e aceitação de tantas novidades no bailar da atualidade?

Na verdade, nesse momento da minha vida, onde já se foram anos; aprendendo, aceitando, mirando tudo e todos, onde caminhei com muitíssimas personas e muitas companhias flamencas – aceita-se tudo, as novidades -, e você se nutre de diversas experiências, disciplinas, atitudes. Você tem que ir se nutrindo para não morrer e ficar vivo sempre, sempre para aprender.

Em cena: TALEGONA – Arquivo pessoal

3 – Você passou por várias companhias, teve influência de artistas incríveis. Fale sobre momentos que te marcaram nessa trajetória, que você usa como bailaora até hoje?

Muitas influências. A primeira com 17 anos, estudando com BLANCA DEL REY – uma grandiosa dama, com coração aberto. Aprendi demais, principalmente a elegância, como se trabalha em um tablado flamenco, como se age em um espetáculo. Com ANTONIO CANALES foi algo mais rico, como meu conterrâneo, me tornei muito amiga dele. Essa proximidade era como uma inspiração, e marcou imensamente minha caminhada.

Em cena: TALEGONA – Arquivo pessoal

4 – Como a contemporaneidade do flamenco de hoje te afeta? O que não é válido nessa arte cada vez mais contemporânea?

Atualmente está tudo bem encaminhado, se baila muito bem, se toca muito bem, e se canta muito bem. Evidentemente, tudo evolui, como a vida; particularmente aprecio tudo, todas as linguagens corporais, disciplina, o contemporâneo. Adquirimos uma linguagem que se torna universal em seu corpo.

 

Em cena: TALEGONA – Arquivo pessoal

5 – Seu bailar é ao mesmo tempo viril e sinuoso, sensual e enigmático. Uma técnica irrefutável. De que forma você mescla esse temperamento, essa natureza tão marcante em cena?

Em anos de aprendizado por outras disciplinas, músicas, e no Brasil eu aprendi demais a desamarrar minhas técnicas. Sou muito inquieta e adoro coisas diferentes. Tudo acaba te enriquecendo.

 

Em cena: TALEGONA e artistas flamencos – Arquivo pessoal

6 – Cite duas referências flamencas, que ainda hoje, você se inspira e te fascina? Que você ainda consegue aprender com eles.

Duas importantes referências flamencas para mim: CARMEM AMAYA e FARRUCO. ANTONIO GADES não poderia deixar de fora.

7 – Descreva como foi suas inúmeras passagens pelo Brasil, nos deleitando com sua arte e suas classes (aulas). O que te agregou com sua vinda ao nosso país?

Ufa!!! Aprendi a ter paciência, o companheirismo, aprendi a persistir e a amar ainda mais esta arte difícil. Tudo, tudo, não há nada que eu não goste, pessoas super trabalhadoras, e muito pacientes para perceber os movimentos flamencos.

 

Em cena: TALEGONA – Arquivo pessoal

8 – Dentre tantos países que você bailou, levou sua experiência estonteante, qual país elegeria para morar, e por que?

Brasil é apaixonante, amo! Gosto do Brasil e do Japão para morar.

9- Para terminar, eu tive a honra de ser seu aluno, dentre as inúmeras vezes que nos presenteou com suas classes. Foram anos consecutivos de aulas com você, e me tornei, com muito orgulho seu amigo. Qual à sua avaliação do flamenco que encontrou em nosso país?

Me encanta a disciplina, a entrega que existe nos alunos e a constante presença, o interesse pelo flamenco.

 Termino aqui essa matéria com essa estrela de primeira grandeza.

CARMEM TALEGONA – Arquivo pessoal

Semana que vem, o entrevistado será o maravilhoso e afamado guitarrista flamenco: ALLAN HARBAS.

Até lá! Aguardem!

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6 Comentários

  • Me encanta su recomendaciones 7n espectáculo verla y aun más tenerla como persona.
    saudades

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