Douglas Delmar entrevista a poeta portuguesa Natalia Canais Nuno

NATALIA CANAIS NUNO - Crédito Arquivo Pessoal

NATALIA CANAIS NUNO nasceu na pequena aldeia de Lapas, Concelho de Torres Novas. De alma sonhadora e profunda admiradora da arte poética, já participou de diversas antologias e teve quatro livros lançados. Conheça mais um pouco sobre a poeta lusitana que sabe como ninguém dar voz aos sentimentos do coração.

1 – Conte pra gente como a poesia passou a fazer parte de sua vida.

Quando ainda muito jovem a leitura era o meu passatempo preferido, sonhadora apaixonei-me pela Poesia de Florbela Espanca e comecei a sonhar que um dia poderia ser também Poeta. Levei jeito e, daí em frente a obra começou a surgir em sebentas que fui guardando. Foi grande o entusiasmo, porém escrevia só para mim e era paixão a entrega à escrita.

2 – Cada poeta tem seu modo de sentir o mundo, expressando através da escrita as sensações que dominam seu coração. E de onde você busca inspiração para criar seus versos?

A Poesia é meu lugar de conforto, tal como é estar no meio da natureza e de preferência junto ao mar, é lá que vou buscar minha inspiração e faço brotar meus poemas nostálgicos, expressando em cada um minhas emoções, meus sentimentos e em cada um me revejo um pouco. Procuro que sejam entendíveis aos corações sensíveis, já que no meu coração predomina o sentimento de amor ao próximo, não vejo diferença entre os seres humanos, por mim seriam todos felizes…acredito num mundo melhor, onde acabem as desigualdades sociais gritantes que existem e, acredito também nos jovens para que tal aconteça.

3 – Seus versos sempre exaltam a saudade e contém uma certa nostalgia de lembranças antigas. Há alguma memória em especial que faça despertar esse sentimento em você?

O principal tema da minha Poesia é a saudade, daí a nostalgia, saudade é o sentimento que trago arraigado ao coração, que me transporta aos anos felizes da juventude à aldeia que nunca esqueci e a moça ágil, graciosa, sonhadora que então eu era. Corajosa naquele tempo em que a mulher não tinha direitos, fui a única moça da aldeia a ir estudar, depois a sair da aldeia para ir trabalhar na grande cidade, coisa nunca vista, nem sonhada por ninguém na aldeia, um grande atrevimento da minha parte e dos meus pais por consentirem. E assim a saudade foi sempre minha companheira, umas vezes boa outra dolorosa, mas sou grata por tudo que a vida me deu.

4 – Você já lançou 3 livros de poesia intitulados Pesa-me a Alma, A Melodia do Tempo e Estremecimentos da Alma. Como foi escrever cada um deles? E onde podemos adquiri-los?

Além dos citados tenho um quarto livro intitulado Moldura da Saudade ou em romeno Margini de dor, editado na Romênia a convite da revista Orizont Literar Contemporan, nas duas línguas português e romeno. Os dois primeiros livros mandei eu própria editar e foram um sucesso, estão à venda na internet e nas livrarias da cidade. O último foi também a convite do Editor Vieira da Silva, e encontra-se à venda nos mesmos lugares dos anteriores. Qualquer um, foi para mim uma emoção tão grande vê-los e tê-los na mão, felicidade, quase diria como a chegada de um filho.

5 – Como a sua poesia foi recebida pelo público em geral?

Há sempre seres sensíveis à Poesia e a minha foi sempre bem recebida, tanto na aquisição de meus livros que foram vendidos sem problema como também nos sítios onde partilho, adquirindo imensas leituras tal como no Lusopoemas onde ultrapassaram um milhão.

6 – Você também usa o nome Rosafogo para publicar seus poemas na internet. Esse nome é um heterônimo? De onde surgiu?

Quando comecei a partilhar usei esse heterónimo, surgiu a ideia, porque era o nome que tinha dado ao meu 1º blog e, foi uma ideia tão genial que todos os amigos me tratavam por Rosa, até quase me esquecer do próprio nome. Fui muito acarinhada sempre na internet como Rosafogo, agradeço aos imensos leitores que hoje em dia tenho por todo o Mundo, na maioria Americanos e Italianos.

 

NATALIA CANAIS NUNO - Crédito Arquivo Pessoal

7 – Além da poesia, quais são suas outras paixões?

Além da Poesia trago em mim há tempos a tentação de ser uma boa fotógrafa, mas é só um sonho. O gosto da leitura também me acompanha sempre e a aventureira que sou adoro viajar. Até ao momento conheço 44 países e estou sempre esperançosa de conhecer alguns mais, assim Deus me conceda mais alguns anos.

8 – Para se escrever bem, é necessário ler bem também. Partindo disso, quais autores portugueses você mais gosta de ler?

Ler muito, é através da leitura que adquirimos cada vez mais vocabulário e mais facilidade de nos expressarmos. Os escritores portugueses de quem mais li foram Miguel Torga que eu adoro, Eugénio de Andrade, Alexandre O’neill, Rui Belo e Fernando Pessoa. Já na prosa, admiro os génios da literatura que nos presentearam com suas belas obras… Saramago, Virgílio Ferreira, e Lobo Antunes entre outros.

9 – A escrita mudou sua vida de alguma forma? Tem planos para um novo livro?

Não digo que tivesse mudado a minha vida, mas foi sempre minha companheira a quem confidenciei muito do que sou e me deu maravilhosos momentos. Enquanto a vou criando, para mim é sempre um renovar de esperança quando termino de criar um poema, um sentimento indescritível, um estado d’alma irreal. Não penso presentemente editar de novo, mas amanhã pode haver novo convite e quem sabe? Agora escrever vou fazê-lo até me sentir lúcida!

10 – Qual sua mensagem aos novos poetas e escritores que sonham em publicar suas obras?

Que deitem mãos à obra, escrevam com paixão, com entrega, tendo em atenção a boa escrita sem erros ortográficos, de preferência com palavras simples. Tenho por experiência que a singeleza tem mais beleza e é melhor aceita. Não desistam do sonho. “Vale sempre a pena se a alma não é pequena”.

 

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