Xandy Novaski entrevista o ator Marcelo Schmidt

MARCELO SCHMIDT - Crédito Fernando Mazzuco

MARCELO SCHMIDT cursava Administração quando resolveu largar tudo para viver seu grande sonho: atuar. Dinâmico nos palcos e com reverberação do seu talento na televisão, ele se prepara para viver um esquizofrênico no cinema. Conheça um pouco da trajetória do ator que segue com toda garra pelas veredas da arte de interpretar!

1 – Você nasceu em Erechim, Rio Grande do Sul, mas uma parte da sua vida foi em meio aos ventos de Rondonópolis, Mato Grosso. Nessas duas cidades a realidade é bem diferente do que se vê em São Paulo e Rio de Janeiro em relação ao audiovisual. Entretanto, são lugares, vamos dizer assim, cinematográficos. A tradição dessas localidades e o conjunto de cores paisagísticas podem ter criado um lado lúdico que o instigou a imaginar tudo aquilo e você juntos na tela de cinema? 

Verdade! Erechim e Rondonópolis são realidades bastante diferentes. Parece que pertencem a dois países distintos, na paisagem, na cultura, no clima. Erechim é uma cidade muito bonita, limpa, bem planejada. Mas minhas melhores recordações são das colônias do interior. Me lembram o filme ‘O Quatrilho’, o meu favorito do cinema nacional. Rondonópolis tem um vestígio ainda do Pantanal que fica pertinho. Adoro os horizontes, o por do sol é lindo. As araras azuis sobrevoam a cidade todos os dias chamando a atenção e se alimentando de palmeira em palmeira. Acho que o cinema ainda não desbravou essa região como precisa. Imagina uma versão para as telas da novela Pantanal?! E lá tem muita história pra contar.

2 – Lá no MT você cursava administração, porém, deixou a graduação de lado para viver sua grande paixão: atuar. Em que momento você tomou essa decisão?

Sempre quis ser ator, nasci voltado pra esse mundo. Quando morava em Erechim ainda criança já sabia tudo sobre cinema, quem era quem, via os clássicos e cults que tinha acesso, lia revistas. Me interava sobre tudo, teatro também, ainda que lá não existisse. E assistia às novelas, todas. Só não tinha com quem conversar sobre tudo isso, ninguém sabia do que eu estava falando, sobretudo as crianças da minha idade. Sabia que um dia minha hora de tentar essa vida chegaria. Ainda que parecesse distante. Estava escrito do destino.

3 – Em que momento Porto Alegre e o workshop do filme ‘Catarina’ entram na sua trajetória artística?

Então, foi exatamente isso. Fazia faculdade, trabalhava, tinha uma namorada que já estava a vias de virar esposa… Então, muito por acaso, surgiu um convite de um amigo que estava de férias por lá e era advogado do Ricardo Zimmer, que estava fazendo um workshop para seleção de elenco. Falei “É agora!”, larguei tudo e fui. A princípio por uns meses, mas nunca mais voltei.

 

MARCELO SCHMIDT - Crédito Arquivo Pessoal

4 – Na escola, sua timidez tomava a frente quando você precisava apresentar algum trabalho para a classe. Porém, alguns anos depois a cortina do teatro se abriu para seu mais novo desafio. Como foi encarar os palcos?

Foi mágico! Me senti à vontade no palco como nunca fui na vida. Quando terminou o espetáculo eu não conseguia me lembrar de nada. Não sabia se fiz direito, se errei o texto. Falei isso pro Roberto Francisco que era meu colega de elenco e que tem muita experiência de uma vida de teatro. Ele disse que, se a sensação era essa, eu tinha feito bem. Escrevi a experiência na agenda depois pra nunca mais perder. É indescritível! Eu realmente amo atuar.

5 – Um marco na sua carreira de ator é o Valentim de ‘Amor à Vida’ (2013/14). Seis anos se passaram. O quê, daquele tempo, reverbera em sua trajetória até os dias de hoje?

Nada. Me desapeguei por completo. Não poderia me deslumbrar, nem esperar muito daquilo tudo. Precisava manter os pés no chão. Se há uma coisa que nunca poderão falar de mim é que fiquei “metido” com o trabalho na TV/Globo/novela das 20h. As pessoas falam que me conhecem de algum lugar, respondo que faço teatro e publicidade. Aí me perguntam se já fui ao ‘BBB’ ou ‘A Fazenda’. (risos).

6 – Gravar no Peru, longe dos estúdios do Projac, colocou você mais perto do elenco protagonista. Isso foi um diferencial pra quebrar o gelo, já que vocês conviviam diariamente, tanto nas gravações quanto nos intervalos?

Me diverti muito! Conheci lugares incríveis. Fiz amigos. Às vezes deitava a cabeça no travesseiro e refletia “Gente, eu estava tomando café da manhã com o Fagundes, conversando sobre teatro!” Muito louco isso. Meus colegas eram incríveis, pessoas boas, de almas lindas e que merecem o sucesso que têm. Tive muita sorte mesmo. Sou grato ao Walcyr Carrasco pela oportunidade.

7 – Machu Picchu, conhecida como a Cidade Perdida dos Incas, serviu de cenário para os primeiros capítulos da novela. Como foi gravar em meio a tantos turistas, já que o lugar, apesar de ermo, recebe inúmeros visitantes todos os dias?

Foi um começo de entendimento do que representava tudo aquilo. Do poder da TV, das novelas. As pessoas prestavam atenção em nós, queriam tirar foto, autógrafos, faziam perguntas. Mas foi tudo bem, fazia parte do trabalho. Eu particularmente estive seguro, não me intimidava e gostava muito do carinho que recebia do público. Me preparei bem pra tudo isso.

8 – Você está num projeto novo, que é o filme ‘Self’. Como está sendo o desafio de interpretar um cara com esquizofrenia?

Quem, hoje em dia, pode dizer que não carrega um pouco de esquizofrenia? Acho que o filme mostra isso, como está próximo de nós, como não percebemos ou como chegamos à doença de repente. A gente vai deixando as coisas passarem, não curamos as feridas e elas se voltam contra nós, elas voltam… O mundo moderno ainda tem que ser entendido. Tudo aconteceu tão rápido e nós não acompanhamos. É muita informação. Muita expectativa. Estou tateando ainda essa parte, procuro prestar atenção nas pessoas para compor a personagem. Mas a diretora de elenco ainda quer me ver passar por uma experiência numa clínica com esquizofrênicos em tratamento. Vamos lá!

MARCELO SCHMIDT - Crédito Arquivo Pessoal

9 – O Brasil, nos últimos tempos, produziu bastante comédia no cinema. Entretanto, alguns suspenses começaram a ganhar espaço e público cativo. O ‘Self’ está nessa linha. O que acha dessa diversificação de gêneros nas produções nacionais?

Para o grande público o cinema nacional são esses filmes, comédias e biografias de artistas. Tudo com muita verba e cara de especial de fim de ano da TV. Legal! Mas vamos fazer mais?! O Brasil tem tudo pra fazer de tudo. Felizmente hoje temos meios, com a tecnologia acessível, para fazer cinema. Antes a película era o único caminho, e era uma fortuna, o que super encarecia o orçamento. Hoje tem gente fazendo trabalhos incríveis até com o celular. E tem muita gente talentosíssima em todas as áreas. O que precisa, então, é visibilidade. As pessoas precisam prestigiar. Aqui no Brasil o ‘Self’ é inovador. Eu espero mesmo que o resultado seja diferente, na contramão do que existe no mercado nacional.

10 – Quais são os próximos passos do Marcelo Schmidt depois que a pandemia passar, além do ‘Self’?

O cenário cultural é muito incerto no momento. Essa pandemia foi um retrocesso. A economia estava melhorando, então veio essa tragédia e freou tudo. Políticos desalmados se aproveitaram para lucrar em cima da desgraça mundial. Milhares de pessoas morreram e a cultura ficou em último plano por aqui. Até porque o governo não tem o menor interesse em cultura e isso está bem claro. Os artistas fazem malabarismos nas redes sociais para mostrar seu trabalho, fazer campanhas e tentar sobreviver. Eu mesmo estou cogitando abrir um Onlyfans, fazer o quê né?! Estava ensaiando um espetáculo que já deveria ter estreado agora. Ficou pra trás também. De qualquer maneira, além do ‘Self’, estou ensaiando um novo espetáculo de Tennessee Williams ainda para esse ano. Se não der para nós apresentamos, ao menos a versão filmada estará na internet logo. Esta também de maneira inovadora. O show não pode parar.





MARCELO SCHMIDT - Crédito Arquivo Pessoal
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