Xandy Novaski entrevista o fotógrafo Wagner Carvalho

WAGNER CARVALHO - Crédito Divulgação

WAGNER CARVALHO ilustra em suas fotos o próprio respeito aos artistas. Com 32 anos de carreira, já fotografou inúmeras celebridades, inclusive estrangeiras. É amigo de muita gente famosa, tem um olhar preciso em cada clique, e até hoje é requisitado para os mais importantes eventos. Conheça um pouco mais da trajetória artística de um dos fotógrafos mais aplaudidos de sua geração!

1 – Você está comemorando 32 anos de fotografia. Os equipamentos e cliques evoluíram através do tempo. Qual foi a evolução do olhar do Wagner em relação a tudo isso?

Várias tecnologias nasceram e mudanças ocorreram, impactando diretamente nas fotografias e forma com que as pessoas veem o mundo hoje.
Para que você seja um fotógrafo bem-sucedido, é necessário que entenda como surgiram as tecnologias utilizadas antigamente e suas evoluções que resultam nos recursos fotográficos que você pode utilizar hoje. Através de diversos estudos, podemos comprovar as evoluções tecnológicas que afetaram, positivamente, a fotografia. No século XX, com a digitalização, houve um avanço fotográfico enorme. Hoje, por exemplo, não se lê uma matéria sem fotografia, seja por um artigo em um site (inclusive essa que você está lendo), até mesmo em uma matéria jornalística ou esportiva, por exemplo.
A digitalização da fotografia foi um avanço que trouxe grandes benefícios para o mundo fotográfico. Imagine você, ter que tirar um número limitado de fotos, demorar um tempo para revelar e só poder rever as suas fotos se as carregar impressas com você? Pois é, hoje não se imagina mais o mundo sem as ‘selfies’ e as demais fotos que as pessoas tiram até mesmo para guardar.
Toda essa praticidade foi graças ao desenvolvimento digital na fotografia.

2 – O início dos seus trabalhos foi fotografando a noite. O glamour daquela época, dos bailes, dos shows, ainda reverbera nos dias de hoje?

Não saio mais à noite, nem dou festas.  Fico em casa, quieto, no máximo um jantar com amigos muito íntimos ou um aniversário, estreia de teatro, ou shows. Nas grandes cidades a violência e o medo vêm cada vez mais se apresentando como fatores de condicionamento do espaço e vida urbanos. Neste contexto, a segregação socioespacial aparece como fenômeno marcante, produzindo uma série de efeitos sociais, culturais e espaciais de grandes proporções deixando a gente sem vontade de sair. Também contribui o fato que eu era jovem e sem maldades, hoje em dia o mundo está mudado. Até á maneira de falar pode causar constrangimentos deixando nós todos inseguros para viver a vida como nos anos dourados da noite. No presente, há o sentimento de insegurança dos moradores da cidade, bem como a insegurança expressa na vivência cotidiana, nos comportamentos, formas de moradia, atitudes e relações com o espaço público. Palavras-chave: violência urbana, sentimento de insegurança, segregação socioespacial, estigmatização. O glamour que havia, as festas, tudo mudou. Naquela época você era convidado para ir numa festa se fosse conhecido ou tivesse amigos influentes te convidando. Tudo era de graça, até jantares e bebidas eram servidas para os ‘vips’, como chamavam os convidados especiais. Era boca-livre e não havia essa de pagar para entrar nos lugares, ou você era recebido por ser alguém influente ou não adiantava que nem pagando poderia estar no ambiente em que as celebridades e os ricos frequentavam. Havia várias festas maravilhosas no mesmo dia, e se conseguia ir a todas. Hoje se for a uma já meu dou por satisfeito. Como tenho uma coluna social cultural, ainda frequento várias festas shows e eventos particulares, mas escolho muito antes de sair. Às vezes ir num só lugar rende as fotos que antigamente só poderiam ser feitas indo em todos os eventos. Na minha época, se tivessem 04 ou 05 fotógrafos de noite, era muito. Hoje, com sites de fofocas, tem 40 fotógrafos disputando o espaço e a mesma foto. Chega a ser desgastante. Fora que hoje em dia a agressividade das pessoas por conta de coisas pessoais deixam a gente sem o tesão de fazer o que fazíamos na década de 80 e 90. Pelo menos no meu caso. 

WAGNER CARVALHO - Crédito Divulgação

3 – Você passou por várias revistas, dentre elas a Bloch. Quais eram os principais diferenciais em fotografar a noite e uma revista que propunha uma produção mais apurada?

Antes mesmo de trabalhar na Manchete já frequentava as festas desde os meus 18 anos, e sempre com minha câmera. Assim eu conhecia todo mundo e era fácil fazer de uma foto com 02 pessoas em diferentes ângulos e situações no mesmo lugar, o que para mim era bom, pois aproveitava para vários veículos sem precisar fazer muito esforço. Também conheço muitos artistas, pois fiz curso de ator e acabava indo em várias gravações como Chacrinha e outros programas, filmes nacionais e estrangeiros, o que me facilitava na abordagem, pois minha pessoa já era conhecida em diversas emissoras e revistas.

4 – Uma revista em que você ficou por 10 anos foi a Playboy. O nu das publicações era artístico, belíssimo. Mas sabemos que, por um erro tênue, um nu pode não ficar legal. Como se dava essa precisão na hora de fotografar as celebridades para que tudo saísse de forma elegante, sensual e mágico?

Meu trabalho na ‘Playboy’ era como nas outras publicações. Eu, como estava presente em tudo, minhas fotos eram mais de personalidades. o que não precisava ser erótica ou sensual. Mas quando fazia sensual tinha o cuidado de fazer tudo sem ser vulgar, e fazia questão de antes de mandar para as publicações mostrar para as pessoas as fotos. Então, era raro sair algo que a pessoa fotografada não gostasse. Comecei na ‘Playboy’ numa sessão que eu era praticamente um olheiro para revista e acabava mandando fotos de mulheres que não eram conhecidas, e se eles gostassem e elas tivessem um gancho, aí sim eram chamadas. Quando percebi que no final da revista tinha uma sessão chamada Click, achei mais vantagem, pois eu ganhava por foto publicada. E como disse, antes de uma festa eu aproveitava a foto para revistas, colunas sociais e também para essa parte sensual. Mas nunca cheguei a fazer uma capa ou matéria, era só mesmo um paparazzo, pois como circulava por todo Brasil por conta das minhas amigas famosas que gostavam do meu trabalho, eu ia às micaretas todas do Brasil e exterior e tirava fotos exclusivas, pois só tinha eu ali fazendo as fotos. Sempre pensando não só na ‘Playboy’, como nas outras publicações e até colunas sociais, pois além das mulheres que eu lançava, eu estava sempre em contato com artistas, jogadores de futebol e celebridades brasileiras e internacionais. Então, acabava juntando o prazer com amizades e diversão. Era fantástico! 

 

WAGNER CARVALHO e MAGDA COTROFE para publicação da Coluna Hildegard Angel jornal O Globo - Crédito Arquivo Pessoal.

5 – Após a ‘Playboy’ você trabalhou com a Feiticeira, e então parte para empreender de forma autônoma. O serviço como freelancer lhe trouxe mais liberdade artística?

Minha relação com a Joana Prado na época ‘Feiticeira’ aconteceu por acaso. Eu era amigo de uma estilista e estava na Barra da Tijuca na mesma época que o Luciano Huck foi gravar o programa na praia do Pepê onde eu frequentava sempre. Me pediram para levar uma roupa para Suzaninha Werner usar no programa e o segurança disse que não ia me deixar entrar. Então falei para ele: “Diga para Suzana para ela gravar o programa com a roupa dela.” E fui embora. Passaram-se 10 minutos, o mesmo segurança veio atrás de mim, pediu desculpas e me convidou para entrar. Nessa época ela não era ‘Feiticeira’, era ‘Hagazete’ e todos estavam em cima da ‘Tiazinha’. Quando vi aquela menina num cantinho, do nada fui lá me apresentei e pedi para tirar uma foto dela. Passado um tempo soube que tínhamos uma grande amiga em comum e ela me apresentou a Joana. Nessa época foi lançada a ‘Playboy’ do véu, a primeira que ela fez. E quando teve a festa no Rio eu havia acabado de voltar da Califórnia onde passei 03 meses, e vim com cabelo loiro igual ao dela. Nessa época, nem Lulu Santos, nem ninguém era loiro descolorido no Brasil. Eu chamava muita atenção em qualquer lugar que fosse. Foi então que minha amiga mostrou a foto que eu havia feito dela antes de ser ‘Feiticeira’ e ela se lembrou do carinho que tive com ela na época que quem era famosa era a ‘Tiazinha’, e me convidou para festa de lançamento da Revista dela no RJ. A boate lotada não dava nem para andar. De repente, um segurança me chamou e disse que a Joana estava me chamando para o camarim particular dela na boate. Dois dias depois estávamos em Fernando de Noronha, e até a época da Casa dos Artistas eu e ela ficamos amigos. Gostávamos de malhar, praia e viajar. Então, eu ia direto para SP, ficava na casa dela e ia com ela pra todos os programas da BAND, e nas viagens como acompanhante, pois sempre ela tinha direito a levar alguém. E quando ela vinha para o Rio por várias vezes preferia ficar na minha casa, pois aqui no Rio o assédio é maior. Diferente de SP, que você só encontrava as pessoas se fosse numa superfesta, no Rio todo mundo vai à praia, anda na rua. Então, ver famosos aqui não é tão difícil como em SP. Isso foi maravilhoso, pois como passamos às vezes até mais de um mês juntos, pegamos um dia quando queríamos e fazíamos fotografias exclusivas, várias produções. Tiramos o dia para isso. Quando ela era procurada para fazer uma matéria e não podia ir ela mandava os jornalistas comprarem as minhas fotos que nós já havíamos feito e que ela já havia escolhido. Sendo assim, eu ganhava mais uma vez com prazer, e numa hora que a pessoa tinha vontade não obrigação. O fato de ela estar sempre ocupada me ajudou muito, pois como tinha um arquivo enorme dela, vendia tudo para todas as publicações nas quais ela não teria tempo para posar. Além de amiga era uma parceria de viagem, malhação e festas com os amigos dela de SP e pelos estados todos do Brasil nos quais ela me levava. Uma pessoa inesquecível! Quando convivemos com uma pessoa dia a dia, às vezes até esquecemos o que aquela pessoa representa para o país. Era muito leve divertida e sempre fazia de tudo para dar conforto e amor aos seus amigos. Sem dúvida, foi uma das melhores fases da minha vida, pois além de ter uma amiga super querida eu ganhava vendendo meu trabalho e sempre fazíamos tudo num clima de descontração e alegria, então fluía tudo às mil maravilhas.

6 – Você fotografou as mais belas divas como Luiza Brunet, Roberta Close, Monique Evans, dentre tantas outras. Como foi preparar a máquina, as lentes, e o coração para esses momentos?

Monique Evans era um ícone e nós frequentamos a mesma praia com os mesmos amigos. Época de topless, a praia era gay, então não existiam fotógrafos como hoje. Passamos o dia e a tarde na praia e fazíamos muitos cliques fantásticos sem maquiagem, produções, nada. Tem pessoas que parecem que nasceram para fotos e no caso da Monique era muito legal, pois estávamos sempre pegando um solzinho e antes de irmos embora, fazíamos várias fotos. E como fazia com todas, e até hoje faço, deixando a pessoa escolher as fotos antes de mandar para qualquer veículo, todos saiam felizes e eu vendia as fotos exclusivas com autorização. E a pessoa quando via gostava porque ela já tinha escolhido, e além de tudo eu dava todas as fotos para todas elas que fotografavam comigo. Monique é minha amiga até hoje, como quase todas que fotografei. Como ficamos amigos, também era normal para eu estar com ela e fotografar. Até hoje, às vezes esqueço que ela é Monique Evans, pois somos muito íntimos. Cheguei mandar uma vez um inbox para ela no Instagram e ela nunca respondeu. Quando encontrei com ela, perguntei motivo dela não responder. Foi então que ela abriu o celular dela e me mostrou quantos milhões de mensagens que ela recebia por dia. Aí rimos muito. Foi quando me dei conta e falei para ela: “Esqueço que você é Monique Evans.” O fato de ser íntimo frequentar a casa da pessoa, saber de particularidades que outras pessoas não têm como saber, e também saber separar as coisas sempre me deixou bem com todas as celebridades. Nunca invadi o espaço delas sem ser convidado, e nunca misturei as amizades e sentimentos que eram diferentes de uma para outra. Sendo assim, a pessoa se sentia segura comigo. Luiza Brunet eu conheci durante as gravações de um filme do Renato Aragão, onde fazia figuração numa cena em que ela gravava. Quando acabaram as gravações que começaram cedo e foi tarde adentro, deu a hora do almoço, havia mais de 100 figurantes, todos saíram correndo para irem comer e eu fiquei sozinho sentado num canto esperando acabar o almoço para voltar às gravações. Nesse momento Luiza Brunet apareceu na minha frente e me perguntou: “Você não vai almoçar?” Eu, surpreso com a presença dela, e ela preocupada comigo, respondi: “Eu não gosto de tumulto, só vim para essa gravação porque gosto de estar nesse meio.” Como minha família era rica na época eu nem ia pela grana. Expliquei para ela e pedi, em seguida, se eu poderia fazer umas fotos dela, já que estávamos somente nós ali. E ela deixou. A partir dali passei a encontrar ela frequentemente nas festas que eu frequentava, muitas na Boate Calígula, onde a promoter era amiga dela, a Karmita Medeiros. E então eu ia à todas as festas, fazia mil fotos dela. Depois, no dia seguinte, revelava tudo e levava até o endereço dela e deixava todas de presente para ela com o porteiro. Não a incomodava, apenas deixava as fotos e ia embora. Ficamos amigos assim. Até que um dia, o Armando me convidou para um almoço na casa deles no Leblon e foi um momento muito legal ser convidado pelo marido dela. Na época, ela grávida da Yasmin, eu ali para um almoço, só nós três, foi incrível! Até hoje a encontro em eventos grandes, mas não costumo ligar nem fazer visitas, só mesmo se for convidado. Tenho mais afinidade e mais tempo de amizade com a Monique. Roberta Close morava na rua em frente onde moro até hoje e frequentamos os mesmos lugares. Fomos apresentados e ficamos amigos por muitos anos. Ela sim frequentava direto minha casa, íamos à praia, eu ia à casa dela, saímos para festas e jantares juntos. Tem um bom tempo que perdemos o contato, pois ela praticamente mora na Suíça e vem muito pouco ao Brasil. Então, não temos mais nos encontrado com a frequência de quando éramos amigos e praticamente vizinhos.

Publicação da revista TI TI TI, com fotos de WAGNER CARVALHO - Crédito Arquivo Pessoal.

7 – Inclusive num trabalho que fez com a Monique, você deixou a máquina cair no mar. Conta pra gente o que houve!

Estava com Monique Evans na praia quase todos os dias que tinha sol. Num desses vários dias em que sempre fazia uns clicks dela, fui clica-la saindo do mar. Só que a Monique, como outras, acabam nos deixando hipnotizado. Então, fui tirando as fotos, esquecendo que estava no mar e, de repente, veio uma onda grande e molhou a minha câmera. Nesse dia perdi meu equipamento, mas serviu de aprendizado .

8 – Para ser um fotógrafo e ter sua singularidade estampada em cada clique, o que é preciso?

Para ser um bom fotógrafo precisa amar o que faz. Tirava fotos desde criança. Comecei com minha irmã, depois com as meninas gatas do colégio. Quando passei a frequentar o meio artístico, já tinha uma noção de estética e beleza, pois não havia ‘photoshop’ e, no máximo, tinha 36 poses para serem feitas. Comigo, só com 36 fotos, eu já ficava sem saber o que escolher, pois a maioria ficava boa, eu deixava a pessoa toda torta, se preciso fosse, e fazia a foto de um ângulo que mesmo que a mulher não fosse perfeita, ou tivesse algum defeito, não aparecia nas fotos. Eu também pintava e gostava de pintar quadros desenhando a Sônia Braga, de Gabriela, entre outras. Era vidrado na beleza das mulheres. Bruna Lombardi, Vera Gimenez Alcione Mazzeo, Rose di Primo, Marcia Porto e Marilyn Monroe, era e é até hoje meu sonho de consumo. Hoje existe no mundo uma sósia oficial da Marilyn Monroe, idêntica a ela e fiquei amigo dela. Acho que essa coisa toda de ‘Playboy’ começou com a Marilyn Monroe e gostava tanto que acabei trabalhando na revista da qual ela foi a número um a posar para Capa Americana. Acho que todos os sonhos se tornam um dia realidade quando realmente acreditamos nele. Veja aqui, a sósia da Marilyn, que mais uma vez de tanto amar essa mulher, que na sua época eu nem era nascido, acabei conhecendo, por uma amiga em comum, e nos tornamos amigos virtualmente por enquanto. Meu maior presente de aniversário foi um vídeo que ela, Suzie, fez para mim cantando e falando meu nome Happy Birthday, igual Marilyn cantou para o presidente Kennedy. Está nos destaques do meu Instagram o vídeo. Depois deem uma olhada. Então, ainda acreditando nos meus sonhos, acho que posso fotografar a Marilyn Monroe através da Suzie. Isso é incrível! Como a força do poder da mente pode ter levar a lugares e pessoas que a gente acha que é impossível! Sempre penso pelo lado positivo das coisas, pois um ‘não’ já é o que pensamos. Quando queremos algo, então, sempre procuro pensar positivo. O que me dá essas oportunidades que talvez outras pessoas não tenham essa percepção.

9 – Quando fotografa, além de capturar uma imagem, você consegue revelar o sentimento do artista de forma cirúrgica. Qual é o segredo em detectar essas emoções?

O segredo é deixar fluir as fotos de maneira que a pessoa se sinta confortável. Como elas todas se tornaram amigas, era mais fácil, pois tinha intimidade, sabendo os melhores ângulos e o que elas gostavam ou não. Além disso. eu deixava sempre as fotos de todas as cópias de tudo que fazia, e só publicava as que elas todas aprovavam, não tendo o problema de sair uma foto que não gostassem. Nunca gostei de fazer fotos sensuais, puxando para vulgaridade. Eu fazia um sensual que deixava o leitor com aquela vontade de ver mais o que acontecia quando elas posavam nuas por completo.

PELÉ e WAGNER CARVALHO - Crédito Arquivo Pessoal

10 – Fotografar é uma maneira de eternizar um momento. Quais momentos da carreira que o Wagner eterniza em sua mente?

Todos os momentos foram importantes para mim. Na minha primeira viagem ao exterior, eu não sabia falar inglês e me apresentaram o Brad Pitt. Quando eu estava em Venice, Califórnia, fazendo um book de um modelo que era espanhol, eu tinha o cabelo loiro e chamava muita atenção. A mãe do rapaz me chamou um dia na praia e me perguntou  se eu era ator. Eu disse que não, que era fotógrafo. Foi então que a mãe do rapaz me contratou para fotografar o filho dela. Dois dias depois, no mesmo lugar, o rapaz levou um álbum de fotos que ele estava com todos que você poderia imaginar, desde Tom Cruise até as tops da época. Foi quando vi uma foto desse rapaz com o Brad Pitt e disse: “Eu trabalho com isso.” Não quer dizer que você conheça todas essas pessoas. Você poderia estar numa peça ou show e pedir para tirar foto com eles. Nesse momento passou andando o Brad Pitt com a Jennifer Aniston e eu vi de longe e perguntei para ele: “Aquele ali não é o Brad Pitt? Se você é amigo dele me apresenta.” Então, o rapaz o chamou e me apresentou. Era minha primeira viagem, terceiro dia da primeira semana, eu sem dormir direito, fuso horário diferente, não acreditei quando ele veio e o rapaz nos apresentou. Eu fiquei petrificado e nem falar com ele eu consegui, pois achava que estava ficando louco. Acabou que ele deu tchau e foi embora. Aí que minha ficha caiu. Nesse momento eu perguntei se eles se importavam se eu corresse atrás deles e pedisse uma foto, pois ninguém acreditaria. Foi quando me responderam que melhor não, porque eles já haviam me apresentado e eu não falei nada. Serviu de aprendizado e depois disso eu nunca mais dei mole diante de qualquer celebridade nacional ou estrangeira. A tática é ser rápido e tirar no máximo 02 fotos e sair fora para não ser inconveniente. Depois dessa experiência fotografei o Bono Vox com exclusividade para churrascaria Porcão, que tinha na sua entrada um mural da fama com todas as celebridades que por lá passavam, seja de estreias de novelas, aniversário dos famosos, etc. Todos esses momentos foram importantes para mim. Recentemente, quando fui fazer minha exposição ‘Somos Todos Artistas’, numa época que queriam tirar o DRT dos atores, então tive a ideia de chamar 40 pessoas influentes em todas as áreas para participarem. A pessoa que mais me tocou foi a Dona Ruth de Souza que me tornei amigo nos 03 últimos anos antes dela falecer e fiz várias homenagens a ela e todas. Ela compareceu numa cadeira de rodas. Talvez essa seja a pessoa que mais me emocionou, pois já tinha quase 100 anos e ia linda, maravilhosa, me presentear, sempre com sorriso enorme e linda. Eu sempre a chamei de minha rainha e ela adorava! Seu último trabalho feito ainda não foi ao ar. E eu, quando fui convidado e me disseram que era o elenco praticamente todo de negros, eu disse para convidá-la para o trabalho, e ela foi. Então, tenho sua última aparição em cena guardada comigo, e ainda não posso divulgar, pois será uma série e ainda não acabaram por conta da pandemia. Também fiz Sting quando ele veio com o Raoni ao Brasil, Jane Fonda quando esteve aqui lançando um filme, Jacqueline Bisset e Carré Otis que namorava o Mickey Rourke, que também estava no filme ‘Orquídea Selvagem’ rodado no RJ . Fiz a Rihanna sem ela ver, pois a convite da atriz Gisele Fraga que foi e é uma pessoa muito importante na minha profissão, já que me levou para Grécia, Espanha, Miami, Los Angeles para fazer fotos dela, pois a conheci com 16 anos e nos tornamos amigos. Ela sempre me carregava com ela para suas viagens, desde as micaretas todas pelo Brasil, quanto para essas viagens para o exterior. A última que fui com ela, foi para Califórnia, e ela me levou para fazer o astro Al Pacino, me matriculou num curso de um coach de atores que, ao final de cada aula do curso que durava uma semana, vinha algum famoso, diretor ou ator. Tivemos um dia só com Al Pacino. Eles fecharam um cinema para ele exibir só para os alunos dessa classe um curta-metragem seu. E ao final, fiz as fotos dele com toda a turma que já me conhecia, pois eu fiquei todo curso assistindo às aulas para poder criar intimidade com todo mundo. No fim fiz uma foto exclusiva com a Gisele Fraga e ele, que saiu na revista ‘Caras’. Como podem ver, tive muita sorte e devido ao meu profissionalismo e caráter e sempre deixar as pessoas escolherem as fotos que gostavam, me possibilitou fazer essas fotos todas. Tive várias madrinhas. Rô Nascimento era uma promoter de festas que foi quem me introduziu nas colunas sociais que peguei, desde Ibrahim Sued até o Ricardo Boechat. Como também trabalhava com o David Brasil, que era promoter do Porcão, eu também tinha minhas fotos nas colunas sociais, pois o dono da churrascaria patrocinava vários jogadores de futebol. Quase todos os mais famosos eu conheci lá nessa época, e fotografei todos eles para o mural. Aproveitava o material para as revistas especializadas em artistas e famosos, inclusive para ‘Playboy’ que publicava não só as fotos da praia das famosas de topless, como as celebridades que frequentam essas festas fechadas. O fato também de não existirem tantos fotógrafos tipo paparazzi me ajudou muito, pois eu ia muitas vezes à 05 festas por noite, tendo em mãos um vasto material que lançava em veículos diferentes. Não posso dizer quais os mais importantes, pois todos, de alguma forma, foram importantes, cada um em uma fase da minha carreira. Sendo assim, se eu falar de algum e esquecer outro posso deixar alguém se sentindo deixado para trás. 

SABRINA SATO e WAGNER CARVALHO - Crédito Arquivo Pessoal

Além da Ruth de Souza, uma pessoa que marcou foi Ana Paula Arósio. Eu estava fotografando a Monique Evans para uma revista, e no meio recebi uma ligação perguntando se poderia fazer uma foto da Ana Paula. Eu parei, olhei para Monique e expliquei para ela: “Você vai comigo, não posso perder essa chance.” E acabei levando a Monique comigo. Ela ainda me ajudou na iluminação, nas fotos também. Foi um momento único que me rendeu uma capa de manchete, minha primeira e única capa para publicação, já que só fazia as fotos dos colunistas que falavam de celebridades, festas, novelas e shows. Foram muitas pessoas que me ajudaram. Tentei aqui resumir ao máximo e espero não ter esquecido muita gente, pois em 32 anos trabalhando com esse segmento assim correndo não tem como mencionar todos, senão seria um livro. Também trabalhei muito com o Léo Dias que conheci na ‘Revista Amiga’ e até hoje me indica para trabalhos. Foram grandes padrinhos e madrinhas. Hoje em dia, com a fotografia digital, estou fazendo bem menos coisas. Tenho uma Coluna Social onde mostro os shows aqui no RJ, e também em viagens ao exterior quando estou fora, já que a revista é trimestral. Faço as capas de 02 anos para cá e tenho minha Coluna. Uma trajetória que graças a Deus só tenho a agradecer a Ele por ter me dado tantos momentos e ter colocado tantas pessoas que outros dariam a vida para conhecer e eu acabava conhecendo por acaso. Nunca tive problemas com ninguém e também o fato de ser amigo, procuro deixar essas pessoas à vontade para me procurarem, pois acho que amizade é isso, respeitar o momento de cada um e aproveitar cada segundo quando estou com eles, sem misturar e nem falar de um para o outro. Talvez essa minha discrição também me ajudou muito, pois sempre soube a hora de entrar e sair sem ser chato nem inconveniente. Minha história começou a partir de uma revista que vi nas bancas, com uma foto que achei linda. Quando comprei tinham várias páginas com as minhas fotos. Eram da Magda Cotrofe que era minha vizinha na época que fez sua primeira ‘Playboy’ e me levava para várias gravações como clipes, Chacrinha, etc. Ela quem me fez ver que poderia ser fotógrafo e desisti de ser ator. Fui padrinho do casamento dela e ontem mesmo estávamos juntos, pois somos amigos desde 1985. Como vê, são muitas pessoas famosas envolvidas na minha história. Na ‘Playboy’, foi a Márcia Dornelles quem me indicou para fazer uma sessão chamada ‘Panteras Gatas e Coelhinhas’, e como era freelancer, eu ganhava por fotos publicadas. Deixei de lado essa sessão e aproveitei as últimas páginas que eram as festas e as notícias com celebridades, não sendo necessário ser foto sensual, já que o famoso, por si só, e as festas privadas não era qualquer um que fazia. Também fui promoter da ‘Boate R9’ do Ronaldinho, que fazia nas noites que quinta-feira uma exposição, cada semana dedicada a um famoso. Além de lá, trabalhei na ‘ZOOM’ com Márcia Dornelles, no Maxim’s que ficava na Torre do Riosul como fotógrafo exclusivo da casa. Espero ter falado de todos, ou pelo menos os que foram mais importantes para mim. Se me esqueci de alguém, peço perdão, pois 32 anos não são 32 dias, e não tem como lembrar de tudo e todos, mas os mais importante acho que citei aqui em várias passagens.

RAY CHARLES na coletiva de imprensa no Hotel Intercontinental, para o Free Jazz Festival - Foto by WAGNER CARVALHO.
Compartilhe nas redes sociais
Publicação Anterior

Daniel Braga: ‘Fabrícia Nogueira e a reabertura dos SPAs Fasano’

Próxima Publicação

André Conrado e a Baía de Guanabara e suas encantadoras Ilhas – Parte 3: ‘a bela Ilha Fiscal e o mitológico Palacete!’

39 Comentários

  • Hi there friends, its wonderful piece of writing
    concerning educationand completely defined, keep it up all the time.
    y2yxvvfw cheap flights

  • … [Trackback]

    […] Find More Information here on that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/25/xandy-novaski-entrevista-o-fotografo-wagner-carvalho/ […]

  • … [Trackback]

    […] There you can find 73706 more Info on that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/25/xandy-novaski-entrevista-o-fotografo-wagner-carvalho/ […]

  • … [Trackback]

    […] Find More here to that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/25/xandy-novaski-entrevista-o-fotografo-wagner-carvalho/ […]

  • … [Trackback]

    […] Read More on on that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/25/xandy-novaski-entrevista-o-fotografo-wagner-carvalho/ […]

  • … [Trackback]

    […] Find More to that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/25/xandy-novaski-entrevista-o-fotografo-wagner-carvalho/ […]

  • 24 hour pharmacy approved canadian online pharmacies online pharmacy

  • 24 hour pharmacy ed treatment best drugstore lipstick

  • … [Trackback]

    […] Read More Information here to that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/25/xandy-novaski-entrevista-o-fotografo-wagner-carvalho/ […]

  • … [Trackback]

    […] Info to that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/25/xandy-novaski-entrevista-o-fotografo-wagner-carvalho/ […]

  • … [Trackback]

    […] Read More to that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/25/xandy-novaski-entrevista-o-fotografo-wagner-carvalho/ […]

  • un peazo post de fácil y sencilla lectura, así da gusto leet, gracias admin.

  • … [Trackback]

    […] Find More on on that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/25/xandy-novaski-entrevista-o-fotografo-wagner-carvalho/ […]

  • … [Trackback]

    […] Read More here on that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/25/xandy-novaski-entrevista-o-fotografo-wagner-carvalho/ […]

  • … [Trackback]

    […] Here you will find 223 additional Info to that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/25/xandy-novaski-entrevista-o-fotografo-wagner-carvalho/ […]

  • … [Trackback]

    […] Read More on that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/25/xandy-novaski-entrevista-o-fotografo-wagner-carvalho/ […]

  • … [Trackback]

    […] Find More on on that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/25/xandy-novaski-entrevista-o-fotografo-wagner-carvalho/ […]

  • … [Trackback]

    […] Read More to that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/25/xandy-novaski-entrevista-o-fotografo-wagner-carvalho/ […]

  • Have you ever heard of second life (sl for short). It is essentially a game where you can do anything you want. SL is literally my second life (pun intended lol). If you want to see more you can see these sl articles and blogs

  • This was great! I would like you to clean up all this spam though

  • I don’t know about you all but I infatuated with airplanes. I have a friend in highschool that loves airplanes, so here are some airplane related stuff I don’t know about you guys but I love airplanes. I had a friend in highschool that loved airplanes, so here are some airplane related stuff https://www.airlinereporter.com/2009/12/boeing-787-dreamliner-taxi-testing/

  • Have you ever heard of second life (sl for short). It is essentially a game where you can do anything you want. Second life is literally my second life (pun intended lol). If you want to see more you can see these second life websites and blogs

  • I don’t know about you all but I infatuated with airplanes. I have a friend in highschool that loved airplanes, so here are some airplane related stuff I don’t know about you guys but I love airplanes. I had a friend in highschool that loved airplanes, so here are some airplane related stuff https://www.airlinereporter.com/2010/09/airline-livery-of-the-week-oasis-hong-kong-airlines/

  • I don’t know about you all but I love airplanes. I had a friend in highschool that loved airplanes, so here are some airplane related stuff I don’t know about you guys but I love airplanes. I had a friend in highschool that loved airplanes, so here are some airplane related stuff https://www.airlinereporter.com/2010/12/one-year-since-boeing-787-dreamliner-za001s-first-flight/

  • Have you ever heard of second life (sl for short). It is essentially a game where you can do anything you want. SL is literally my second life (pun intended lol). If you would like to see more you can see these sl authors and blogs

  • Have you ever heard of second life (sl for short). It is basically a online game where you can do anything you want. sl is literally my second life (pun intended lol). If you would like to see more you can see these Second Life authors and blogs

  • I don’t know about you people but I infatuated with airplanes. I have a friend in highschool that loves airplanes, so here are some airplane related stuff I don’t know about you guys but I love airplanes. I had a friend in highschool that loved airplanes, so here are some airplane related stuff https://www.airlinereporter.com/2008/10/the-airline-blogs-livery-of-the-day-lets-tango/

  • Have you ever heard of second life (sl for short). It is basically a game where you can do anything you want. SL is literally my second life (pun intended lol). If you want to see more you can see these sl authors and blogs

  • Have you ever heard of second life (sl for short). It is basically a game where you can do anything you want. SL is literally my second life (pun intended lol). If you would like to see more you can see these sl articles and blogs

  • Have you ever heard of second life (sl for short). It is basically a online game where you can do anything you want. sl is literally my second life (pun intended lol). If you want to see more you can see these Second Life articles and blogs

  • Have you ever heard of second life (sl for short). It is essentially a video game where you can do anything you want. Second life is literally my second life (pun intended lol). If you want to see more you can see these second life articles and blogs

  • This was awesome! I would like you to clean up all this spam though

  • I don’t know about you guys but I love airplanes. I have a friend in highschool that loved airplanes, so here are some airplane related stuff I don’t know about you guys but I love airplanes. I had a friend in highschool that loved airplanes, so here are some airplane related stuff https://www.airlinereporter.com/2009/05/ryanair-requires-750-to-print-your-boardingpass/

  • … [Trackback]

    […] Information on that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/25/xandy-novaski-entrevista-o-fotografo-wagner-carvalho/ […]

  • … [Trackback]

    […] Read More on that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/25/xandy-novaski-entrevista-o-fotografo-wagner-carvalho/ […]

  • … [Trackback]

    […] Find More here on that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/25/xandy-novaski-entrevista-o-fotografo-wagner-carvalho/ […]

  • … [Trackback]

    […] Here you can find 37947 additional Information to that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/25/xandy-novaski-entrevista-o-fotografo-wagner-carvalho/ […]

  • … [Trackback]

    […] There you can find 761 additional Information to that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/25/xandy-novaski-entrevista-o-fotografo-wagner-carvalho/ […]

  • … [Trackback]

    […] Find More on that Topic: revistadovilla.com.br/2020/08/25/xandy-novaski-entrevista-o-fotografo-wagner-carvalho/ […]

Deixe um comentário.

O seu endereço de e-mail não será publicado.