Xandy Novaski entrevista o produtor e diretor de cinema Lion Andreassa

LION ANDREASSA - LUMIX ART FILMS - Crédito Thiago Sapienza

LION ANDREASSA é formado em Engenharia, porém, há dez anos usa toda a tática adquirida em encontrar soluções, inventar e reinventar, nas suas produções cinematográficas. Dono da Lumix Art Films, ele preza pela cultura de filmes, documentários e séries respeitando a linguagem do cinema norte-americano. Conheça um pouco mais da trajetória do profissional que tem levado a sétima arte para as mais badaladas plataformas de streaming!

1) O título dado a sua empresa “Lumix”, e principalmente o desenho da logomarca, nos remete às produtoras norte-americanas. A ideia central foi essa ou ‘Lumix’ tem algum significado?

Primeiramente, gostaria de dizer que é um enorme prazer falar sobre a minha produtora. Respondendo à questão, posso dizer que ambas as coisas, ou seja: Lumix foi o “Mix” de “Lumière” (sobrenome dos irmãos considerados os inventores do cinema e também “Luz” em Francês) com “Lux” (palavra que significa “Luz” em Latim).

Luz! Esse é o ponto chave – LUZ, câmera, ação! – Por isso utilizo um farol na logomarca.

Criei a Lumix para trazer uma nova luz, uma nova forma de negócio e uma nova linguagem cinematográfica ao mercado brasileiro, alinhadas com as produções internacionais, sobretudo as de Hollywood.

2) Por falar em ‘Terras do Tio Sam’, um dos slogans que sua marca carrega é ‘produzir filmes, documentários e séries com a mesma linguagem do cinema norte-americano. Por que a busca por essa proposta do mercado estadunidense?

Acredito que cada país, cada cultura, tem os seus pontos fortes. Nós, brasileiros, somos extremamente criativos e sabemos sair de situações que outros povos não saberiam. Já os franceses são ótimos produtores de vinhos. Os suíços fazem relógios como ninguém e os americanos sabem definitivamente como produzir um filme e gerar lucro com o mesmo. Tento apenas me basear e aprender com o que funciona: o cinema americano.

3) O Lion Andreassa é engenheiro por formação, ou seja, focou numa área de exatas, mas há 10 anos faz parte do mundo do cinema, em que a emoção torna-se um dos alicerces na produção. Apesar de distintas, em que momento as duas profissões se fundem?

Parecem dois mundos contraditórios, não é? Mas não são. Explico: o engenheiro é um profissional que além de saber muito bem fazer cálculos complicados, sabe também achar soluções, inventar e reinventar as coisas, ou seja, antes de aplicar os cálculos que aprendeu na faculdade é preciso que tenha muita criatividade para encontrar novos caminhos e formas de resolver os problemas. Por outro lado, voltando ao cinema americano, não basta “uma ideia na cabeça e uma câmera na mão” – lá fazem cinema com o mesmo profissionalismo e planejamento que a Boeing projeta suas aeronaves. Então, não vejo dois mundos distintos e antagônicos, mas enxergo um filme como um projeto ou como um produto que precisa ter características tais que consigam entreter o público.

4) Um dos filmes de sucesso da Lumix é o “Desarmados”, que tem como arco um tema bastante polêmico e está em diversas plataformas de streaming como a Amazon Prime Video e a NET Now. Quando foi que surgiu a ideia em mexer nessa ferida?

A ideia surgiu quando algumas pessoas começaram a confundir a “ferramenta” com o “autor”, ou seja, começaram a culpar a arma de fogo como causadora das mortes violentas, tirando do radar o dedo que puxou o gatilho. Segundo esse conceito, deveríamos culpar os carros pelas mortes causadas nas estradas e não os maus motoristas.

Ao contrário do que muitos possam pensar, “Desarmados” não é um documentário que aborda a utilização de armas pela população, mas o direito à legítima defesa que todos nós temos ou deveríamos ter. Não é um documentário que incentiva o uso de armas, mas sobre direitos: direito à vida, o direito à arma de fogo como um instrumento de proteção da vida e também direto de escolha, incluindo aqui o próprio direito de não usar uma arma para se defender por parte de quem não quiser fazê-lo.

O documentário aborda ainda a diferença entre as armas legais e ilegais e quais delas estão matando, se assim é que podemos dizer. O traficante, o assaltante, o assassino não vai entregar suas armas só porque a lei manda – se respeitassem a lei, não seriam criminosos – e como fica a população no meio disso?

Enfim, não é um documentário que tenta passar uma mensagem, mas certamente um documentário que faz as pessoas pensarem profundamente sobre o tema – talvez esse tenha sido o maior fator que gerou o seu grande sucesso.

5) Por falar em plataformas de streaming, a busca por essa interatividade tem aumentado muito e, agora com o isolamento social, muitas são as pessoas que passaram a usar o entretenimento. O que a Lumix tem feito em tempos de pandemia?

É realmente um período complicado para toda a humanidade e não seria diferente para as produtoras de cinema que ficam impedidas de filmarem em estúdios e lançarem seus filmes. A saúde e a vida devem estar à frente de qualquer outro objetivo, sempre. E por enquanto, estamos trabalhando internamente em projetos para Festivais de Cinema e planejando projetos para plataformas On Demand, até que essa fase passe e possamos voltar às atividades normais com segurança.

CARTAZES - EM DESTAQUE ‘DESARMADOS’ - Crédito Divulgação Lumix Art Films

 6) Quando visitamos o Canal ‘Lumix Art Films’ no Youtube, nos deparamos com um teaser instigante, que é o ‘Self’. Qual é o tema central do produto e em que pé está a produção?

Esse é um filme que realmente será de tirar o fôlego. Trata-se de um suspense bastante intenso que tem a esquizofrenia como pano de fundo (ou teria outras coisas mais?). O filme conta a história de Alan, um roteirista de cinema que tem sua carreira destruída pela doença e que encontra todo tipo de dificuldade para retomar sua vida, até que… Bem… Não posso contar. Vocês terão que assistir.

No momento, estamos conversando com alguns patrocinadores e esperamos retomar o trabalho assim que a pandemia passar.

O filme será protagonizado pelo ótimo Marcelo Schmidt e terá a participação especial do ator Othon Bastos.

7) A Lumix parece ser bem eclética em suas produções e temas. Inclusive produziu um book trailer do livro ‘A Contrapartida’, do Uranio Bonoldi. Aliar a literatura ao teaser da obra é um novo diferencial para a venda de livros?

Sem dúvida essa junção é muito sadia, e acredito que o book trailer que produzimos ajudou o livro a chegar no TOP 1 de vendas da Amazon. Soubemos de pessoas comentando que estavam “Lendo o book trailer” e “Assistindo ao livro”. Isso ocorreu, pois as pessoas assistiam ao book trailer sabendo que iriam ler o livro em seguida e liam o livro com as imagens do book trailer na cabeça.

Foi uma experiência tão interessante que hoje a Lumix e o autor do livro estudam em conjunto a produção do longa-metragem.

 8) O Instagram da produtora está a todo vapor, e uma abelhinha entrou pela minha janela e me contou que o ator Adriano Arbol e o diretor Lion Andreassa estão aprontando alguma coisa. Tem como a gente saber da novidade em primeira mão?

O Adriano é um grande ator e não é a primeira vez que trabalha conosco. Ele está sempre indo mais fundo nos estudos, e além na preparação dos personagens. É um ator que tem características de interpretação semelhantes a dos atores internacionais, por isso foi selecionado para interpretar o personagem Michel no filme “3:03”. Ele fará um neurocientista que perdeu os movimentos das pernas sem qualquer motivo aparente e que, desde então, passou a acordar todas as madrugadas exatamente no horário que dá nome ao filme.

Ainda não posso revelar muito mais do que isso, somente dizer que o filme desconstruirá muitas bases da Ciência e da Religião, fazendo as pessoas pensarem bastante sobre a origem das coisas.

9) O que você diz e espera sobre algumas leis de incentivo à cultura como viabilizadoras de filmes no Brasil?

Elas tiveram sua importância num momento em que o cinema brasileiro estava quase desaparecendo, mas hoje vejo que elas não são saudáveis para o mercado audiovisual do país. Mais do que as produtoras, as empresas patrocinadoras ficaram viciadas nas leis, ou seja, praticamente só aportam valores nos filmes se tiverem incentivos fiscais para tal, deixando assim de terem uma visão mais empreendedora, comercial e marqueteira como acontece nos EUA e deixando inúmeros filmes morrerem literalmente no papel.

Se as empresas enxergassem o potencial que estão perdendo em termos de marketing e divulgação essa realidade mudaria. É muito mais vantajoso, por exemplo, uma empresa investir num filme que poderá ser visto por milhares ou milhões pessoas hoje, amanhã e sempre – fazendo o merchandising de seu produto ou marca – do que investir num comercial de 30 segundos na televisão que será visto naquele momento somente. Quando a visão das empresas mudar nesse sentido, o cinema nacional irá decolar como nunca foi visto e as marcas terão achado uma mina de ouro. Quem ganhará com isso também? Certamente o público.

10) Por fim, o que a Lumix Art Films tem que outras produtoras não têm? Qual o grande diferencial da produtora?

Eu diria que a Lumix tem 03 diferenciais. O primeiro é se espelhar nas produções norte-americanas e para trazer uma LINGUAGEM que o público ama, mas isso é um grande desafio no Brasil, dadas as restrições orçamentárias, o que acaba nos levando para o segundo diferencial: PLANEJAMENTO – com planejamento, é possível construir um roteiro, preparar um set de filmagem e produzir um filme com valores compatíveis com a realidade brasileira, e com uma linguagem compatível com a de Hollywood. Por fim, o terceiro diferencial – a Lumix nasceu para trazer uma nova luz, como mencionei no início da entrevista e isso se reflete também em compartilhar e trazer CONHECIMENTO às pessoas. Fazemos questão de que todos os nossos filmes não se pautem somente em entretenimento, mas, sobretudo, as façam pensar e evoluir, pois para nós esse é o real objetivo da Cultura: a evolução do indivíduo e da sociedade e não meramente uma simples diversão.

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