Flavio Santos e o 'magazine Parc Royal: a maior e melhor loja do Brasil'

Parc Royal - Interior Imagem de Internet

Durante a belle époque carioca, quem ditava a moda na capital da República era o Parc Royal. Do rico ao pobre, todos esticavam o passeio até o largo de São Francisco de Paula, no centro do Rio de janeiro, para espiar as 48 vitrines da loja, apinhadas do que havia de mais moderno no mercado de moda europeu.

Parc Royal Propaganda Imagem de internet

Em 1873 foi inaugurado um armarinho denominado Au Parc Royal, de propriedade de Francisco Fernandes da Silva Vianna, no ponto comercial n.o 12 do largo de São Francisco. A firma M. Nunes & Cia. Assumiu a administração do estabelecimento no ano de 1889, já com a participação do sócio José Vasco Ramalho Ortigão. Sob o comando de José Vasco, o magazine viveria seu auge comercial, mas só em 1911 a firma Vasco Ortigão & Cia tomou a frente do negócio.

Parc Royal Interior Imagem de Internet

José Vasco nasceu na freguesia de Cedofeita, cidade do Porto, em 1860. Filho de Emília Isaura de Araújo Veiga e José Duarte Ramalho Ortigão, era um homem com ligações políticas, com o mundo artístico e cultural. Foi casado com uma espanhola, mas se separou para viver com uma funcionária da loja, Amélia Marques.

Parc Royal - Fachada Imagem de Internet

O Parc Royal foi o que chamamos hoje de loja de departamentos, funcionou entre os anos de 1873 e 1943, mas seu ápice comercial durou do final do século XIX até a segunda década do século passado. Funcionava, em 1911, em um quarteirão inteiro no Largo de São Francisco de Paula, na atual rua Ramalho Ortigão e no andar térreo do prédio do extinto jornal O Paiz, na então chamada Avenida Central, n.os 130-132 (foi a 2.a loja da empresa, hoje Avenida Rio Branco), no Rio de Janeiro. No estado de Minas Gerais tinha filiais nas cidades de Belo Horizonte e Juiz de Fora e um escritório na Europa, em Paris, na Rue de Trévise, n.o 41.

Lgo de S. Francisco, Parc Royal e Igreja de S. Francisco - Imagem de Internet

A grande loja inaugurada em 1911 era dividida em departamentos: roupas infantis, brinquedos, tecidos, calçados, moda masculina e, lógico, feminina. Num Rio de Janeiro que vinha de reformas urbanísticas importantes, a empresa incorporava um ideal civilizacional europeizado, de modernidade e bom gosto que se esperava da população. Isso atraía não só os que poderiam comprar os produtos daquele mercado elegante, mas também captava o imaginário dos mais pobres.

Parc Royal destruído pelo incêndio- Imagem Jornal A Noite Illustrada 1943 Ed.749

Após os anos vinte, a loja continuou com seu papel de referência, mas já sem o magnetismo dos anos anteriores, se especializando no ramo de “roupas feitas”. José Vasco faleceu um 1932, deixando para seu filho o comando da casa. Uma década depois, com o falecimento do herdeiro, a casa foi vendida para os sócios José Leite Cerqueira e José Ferreira Barcelos, em 1943. Na noite do dia 9 de Julho do mesmo ano um incêndio destruiu completamente a sede da empresa, na rua Ramalho Ortigão, encerrando suas atividades.

 

Vasco Ortigão ao centro e os funcionário para a Fon-Fon! fotógrafo Brun 1911 Ed.11
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