Flavio Santos e a História da Real e Benemérita Sociedade Portuguesa de Beneficência do Rio de Janeiro

Hospital da Beneficência Portuguesa, 1853-1858, Luiz Hosxe, Rio de Janeiro, Brasil (Fot. Acervo Beneficência Portuguesa

A Sociedade de Beneficencia Portugueza foi fundada em 17 de maio de 1840 com o propósito de ser mais uma instituição de auxílio aos portugueses residentes no Brasil, especialmente os da corte do Rio de Janeiro. Durante de organização da sociedade, negociantes, caixeiros e comerciantes da praça do Rio contribuíram com quantias ou com a montagem de peças de teatro, bailes e almoços para realização do projeto.

Um dos seus sócios contribuintes, João Nunes de Andrade, deu a sugestão, em 1848, de se construir um hospital. O Rio de Janeiro daquela época era uma cidade pestilenta, infecta e os anos posteriores viram aparecer o primeiro surto de febre amarela da corte imperial, catástrofe que certamente contribuiu para aceleração das obras, terminando finalmente em março de 1850 com a construção de uma enfermaria, sob o comando do médico João Vicente Martins. Ainda não era o sonhado hospital. Para isso foi formada uma comissão de estudos.

O projeto arquitetônico do hospital ficou a cargo do engenheiro e arquiteto Luiz Hosxe. Era o mesmo arquiteto dos projetos dos edifícios da Santa Casa da Misericórdia da cidade de Resende, estado do Rio de Janeiro, do Automóvel Clube do Rio, de 1850, do Hospital da Ordem 3.a do Carmo, de 1866, da rua do Riachuelo, bairro da Lapa, centro do Rio de Janeiro, segundo o historiador Donato Melo Júnior e participou das discussões sobre a construção da Igreja da Candelária. Do lançamento da pedra fundamental,16/09/1853, aniversário de D. Pedro V, ao real funcionamento do novo hospital, demoraram pouco mais de cinco anos. Foi aberto ao público em janeiro de 1859. A década de 1860 viu o complexo de edifícios se formar e consolidar. Na segunda metade da década foi inaugurada a enfermaria para isolamento de pacientes com doenças contagiosas. Uma farmácia na rua Santo Amaro e a capela mortuária. Era a gestão do visconde de São Mamede.

Hospital da Beneficência e Hospital Santa Maria ao fundo Foto Veja Rio e Felippe Fitipaldi

Com a 1.a gestão do visconde de São Salvador de Matosinhos foi encomendado um projeto para um novo hospital que acabou de ser concluído na sua 2.a gestão, em 19 de dezembro de 1880, com suas três enfermarias: oftalmológica, homeopática e dosimétrica.

Sob a administração do barão de Santa Leocádia (1888-90) foi criada a enfermaria especial para tratamento de alienados. Na mesma gestão, o barão tentou diversificar o atendimento, criando um asilo para dar formação profissional aos menores, filhos dos associados. Mas essa empreitada se mostrou custosa e deslocada dos objetivos principais da instituição. No prédio do Asilo foi adaptado um hospital de isolamento de pacientes com doenças infectocontagiosas, mas só na gestão do comendador Antônio Gomes Avellar (1896-1898) foi inaugurado o hospital de isolamento.

Com a chegada do século XX veio a gestão do visconde de Moraes, já nosso conhecido de outros artigos, e começa a transferência dos velhos, inválidos, tuberculosos e neuropsíquicos para um terreno longe da rua Santo Amaro, esses últimos fora da zona urbana da capital federal. Foi então que a administração comprou, em 1923, a propriedade do senador Lauro Müller, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio, na rua Florianópolis, n.o 112 para construção do retiro para velhice e o pavilhão para tuberculosos. Em 1927 foi inaugurado o Hospital Visconde de Moraes, no chamado Palacete Fialho, para mulheres. Em meados da década de 1950, na gestão do comendador Franklin Ceppas (da família controladora das Casas José Silva), ficou claro que o complexo já não mais comportava o número de associados e nem suas estruturas hospitalares se adequavam aos tempos modernos, entretanto, o prédio do novo e moderno (em monobloco) Hospital Santa Maria, com oito andares, foi inaugurado só em abril de 1972, com a presença do presidente de Portugal, Américo Thomaz. 

O complexo hospitalar da Beneficência Portuguesa. Foto Arquivo Correio do Brasil.

Na década de 1990 começaram os problemas. Os advogados da instituição culpam os gestores pelos problemas financeiros que se agravaram ao ponto de perderem o complexo hospitalar da Glória. As dívidas foram estimadas em 200 milhões de reais, sendo 160 de passivos trabalhistas.

O grupo empresarial de administração de laboratórios e hospitais, Rede D’Or – família Moll, arrematou no ano de 2013, por meio de leilão judicial, o conjunto arquitetônico histórico do bairro da Glória por 60 milhões de reais. O novo empreendimento passou a se chamar Glória D’Or. Os prédios históricos, segundo o plano inicial da empresa, seriam preservados para instalação de uma faculdade de medicina, de enfermagem e um instituto de ensino e pesquisa.

No início deste ano, a instituição continuava sua luta para pagar dívidas, tentando uma campanha de recuperação financeira, angariação de novos sócios e alguma ajuda governamental, com a tentativa de marcar uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro.

 

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7 Comentários

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