Francis Fachetti entrevista a Mestra e bailaora de flamenco: Victoria Nuñes

Victoria Nuñes – Arquivo pessoal.

Victoria Nuñes não foi adicta às formalidades “normais”, que seguem os Mestres e bailaores flamencos brasileiros. 

Fez um amálgama heteróclito em sua trajetória flamenca, e criou seu próprio caminho, se tornando uma Mestra obradora eclética, ou seja, conectou vários estilos do universo da dança e adaptou no seu mundo flamenco, diga-se de passagem, com formações sólidas, de quem estudou, pesquisou, e se embrenhou na cultura espanhola durante anos, residindo e se alimentando nos grandes Mestres – morando na Espanha por alguns bons anos. Resumindo – se deu ao luxo de ousar, e criar um estilo de conexões e experimentos tangíveis e respeitados; sou testemunho disso, fui um de seus pupilos, e apreciador, de caminhos bem teatrais que ela se embrenha. 

Idealizadora e criadora do Grupo de Dança “Artemanha”, premiado diversas vezes em festivais de dança do RJ e Joinville, SC.

Integrou o corpo docente do Departamento de Dança da UniverCidade, como professora de Flamenco, 1995 a 2008.

Atuou como bailaora nos tablados “Arco de Cuchilleros” e “El Soniquete Flamenco”, em Madri – Espanha.

Professora e coreógrafa convidada pela Escola de Ópera de Gotemburgo, Suécia, para ministrar aulas na décima edição do Curso Internacional de Verão em 2010.

Citada no livro “História da Dança – Evolução Cultural” da bailarina e pesquisadora Eliana Caminhada, em 2000.

Criou e dirigiu o “Projeto Dança Aberta” em parceria com a Casa de Cultura da Universidade Estácio de Sá, que durante cinco anos consecutivos promoveu espetáculos, oferecendo um panorama abrangente da dança no Rio de Janeiro.

Criou o “Ballet Flamenco Victoria Nuñes”- promovendo cursos de intercâmbio cultural -trazendo da Espanha importantes nomes da Dança Flamenca, entre eles: La China e Adrián Galia, ex-primeiro bailarino da Cia. De Cristina Hoyos e do Ballet Flamenco Antonio Gades.

Victoria Nuñes – Arquivo pessoal:

Vamos a essa preciosa entrevista:

 Fachetti – No seu olhar, e através de suas múltiplas experiências com vários estilos, qual a importância da Dança Flamenca na formação do profissional de dança?

Victoria Nuñes – Creio que a Dança Flamenca e o Ballet Clássico Espanhol, que são os estilos mais conhecidos dentro da Dança Espanhola, como um todo, podem enriquecer imensamente a bagagem dos profissionais de dança. Este foi o tema central da minha monografia que teve parte transformada em artigo publicado no livro “Lições de Dança 3” (UniverCidade – 2002). Trabalhamos a coordenação motora em níveis muito sofisticados, pois as partes do corpo se movimentam dissociadas em forma e intensidade e ainda tocamos um instrumento dançando – as castanholas. Trabalhamos compassos pouco usuais e ritmos com os pés e mãos como percussão. Com sua prática melhoramos também a postura, a presença cênica, a segurança no palco, e a expressividade através dos inúmeros sentimentos demonstrados no conjunto dos “bailes” da Dança Flamenca. 

Fachetti – Cite os coreógrafos que mais influenciaram sua trajetória de ricos feitos, e olhares diferenciados na execução do bailar flamenco?

Victoria Nuñes – Comecei na Dança Moderna em 1977 com 17 anos. Minha primeira professora e coreógrafa foi Valéria Moreyra. A partir daí tive excelentes coreógrafos e professores, e todos deixaram alguma marca positiva na minha formação. Falando da Dança Flamenca especificamente, conheci através do filme “Bodas de Sangre” de Carlos Saura, com coreografia de Antonio Gades. Gades e Cristina Hoyos formavam o casal de personagens centrais e foram minhas primeiras referências. Isso foi em 1983. A partir daí minha vida passou a ser dedicada a me especializar neste estilo. Comecei a estudar aqui, e posteriormente a dar aulas para crianças e adultos. Mas meu olhar sempre esteve na Espanha. Um sonho que comecei a realizar em 1991 – ficando 2 meses em Madri para estudar. Aí conheci meus Maestros e principais referências “La China” e “Ciro”. Quando me mudei definitivamente para Madri no ano seguinte, eles continuaram a ser minhas principais fontes de inspiração. Pude estudar com eles nos quatro anos em que lá estive. Conheci a fundo também o trabalho de Adrian Gália, filho de La China. Um grande representante da chamada nova geração do Baile Flamenco na época. Outra grande influência foi Antonio Canales e posteriormente Sara Baras. Assistindo a ensaios e shows em tablados e em teatros destes, e de outros grandes nomes da Dança Flamenca pude enriquecer e formar meu próprio estilo.

Fachetti – Por que trilhar dessa maneira – bem peculiar -, e o que é essa Dança Espanhola diferenciada, para entendermos a tessitura, desse seu realizar, nesse universo que recebeu tantas influências, de tantas culturas?

Victoria Nuñes – Minhas influências não têm limites. Fui criada de modo muito artístico, muito ligada também ao meio musical. Desenvolvi um trabalho de música paralelo ao de dança. Minha irmã cursou Belas Artes e era Atriz/Cantora. Eu sempre a acompanhava desde muito pequena. Posteriormente quando eu já dançava, conheci meu marido Daniel Ferreira, que também é Músico e Artista Plástico. Tive facilidade em unir culturas em meus trabalhos, e entender bem a parte musical do Flamenco. Em Madri, enquanto estudava dança, trabalhava cantando MPB e Jazz. Tinha um quinteto “Victoria Nuñez Quinteto” formado por Daniel e por mim, junto com três excelentes músicos espanhóis. Fazíamos muitas fusões musicais em nossos shows. Minhas coreografias são o reflexo do meu interior e de todas as influências que recebi.

Victoria Nuñes – Arquivo pessoal

 Fachetti – “Essa maneira peculiar”, a que me refiro, também tem a ver com a realização de espetáculos sem a música ao vivo – que é o carro chefe dos tablados flamencos. Você sempre defendeu a possibilidade da música mecânica; eu já dancei, sob seu comando, e também sei algumas “vantagens” desse recurso. Fale você sobre essa sua peculiaridade.

Victoria Nuñes – Numa época em que não tínhamos nenhum acesso a músicos flamencos por aqui, ou trabalhávamos com música mecânica, ou não realizávamos nada. Optei pela primeira opção. Não tive dificuldades, por tudo que já relatei. A música gravada já fazia parte do cotidiano do meu trabalho. E em muitos festivais de dança em que eu participava, inclusive em Joinville, não eram permitidos números com música ao vivo. Vivendo na Espanha constatei que lá também é difícil manter músicos ao vivo em todos os trabalhos. E muitas vezes, vi grandes coreógrafos como Adrian Gália e Antonio Canales – coreografarem com música mecânica – inclusive ganhando concursos de Dança Flamenca com este tipo de coreografia, sendo julgados por grandes nomes do estilo. Então pude desmistificar de vez este assunto. Faço os dois tipos de trabalho com toda a facilidade e tranquilidade que minha base sólida me permite.

Fachetti -Implantou a dança flamenca no currículo do Departamento de Dança da UniverCidade, entre 1995 a 2008. Relate esse insólito e necessário feito.

Victoria Nuñes – Em 1995, ainda vivendo em Madri, vim ao Brasil junto com os músicos Adrián Alvarado (guitarra flamenca) e Daniel Ferreira (flauta), divulgar meu trabalho. Neste período recebi o convite da Diretora do Curso de Licenciatura em Dança da UniverCidade, Daniela Visco, para integrar o corpo docente, implantando o ensino da Dança Flamenca para as alunas do sétimo período. Aceitei, e foi uma das épocas mais importantes e felizes da minha carreira. Através deste trabalho tive contato com novos talentos, que se tornaram grandes profissionais de dança, e fiz amizade com grandes nomes do meio da dança do Rio de Janeiro. Pude cursar a Pós-Graduação em Metodologia do Ensino Superior e realizar o Espetáculo “Noches Flamencas” e “Bailando Ravel” no teatro da Faculdade, do qual você, participou como bailarino. Foi realmente um período adorável. 

Fachetti – Sua passagem pelo Festival de Dança em Joinville, SC – celeiro de importância retumbante para cultura do nosso país. Conte-nos desse período, e curiosidades desse festival.

Victoria Nuñes – Em 1986, iniciei o ensino da Dança Flamenca na Academia Valéria Moreyra. Fui pioneira no ensino diferenciado para adultos e crianças a partir de nove anos de idade. Em 1989 levei o Grupo Artemanha Infantil para competir no Festival de Dança de Joinville, que já se tornava então um importante festival. Me deparei com o alto nível do festival. No ano seguinte competi com o grupo adulto e ganhamos segundo lugar com a coreografia “Mujeres” com música de Paco de Lucia. A partir das críticas dos jurados, e conhecendo melhor o festival preparei a coreografia “Colores y Sentimientos” com música de Manolo Sanlúcar, para 1991. E ganhamos o Primeiro Lugar. Daí em diante foram mais três primeiros lugares, um segundo e um terceiro. Recebemos também o Prêmio Especial dos 10 anos do Festival em 1992, antes de eu ir para a Espanha. Mesmo estando em Madri, eu vinha todos os anos reciclar o grupo e coreografar para Joinville. Foram momentos mágicos vividos neste grande festival, que posteriormente se tornou internacional, e é uma grande referência, dentro e fora do Brasil.

 

Victoria Nuñes – Arquivo pessoal.

 Fachetti – Promoveu cursos de intercâmbio cultural – sendo a pioneira -, e nos trouxe valiosos nomes do “celeiro” flamenco, reconhecidos e aclamados, como: La China e Adrián Galia,  ex-primeiro bailarino da Cia. De CRISTINA HOYOS, e da minha eterna fonte de inspiração – ANTONIO GADES. Conte-nos sobre essa hercúlea realização.

Victoria Nuñes – Sim. Indiquei minha Maestra La China, ainda não conhecida por aqui naquela época, por saber muito sobre seu trabalho de alto nível. Estudei com ela diariamente durante todo o período que estive em Madri. Em 1995, estando no Rio, sugeri sua vinda para realizar um Workshop de 15 dias para alunos e profissionais. Foi uma parceria minha com Valéria Moreyra e Vera Alejandra. Foi sua primeira vinda ao Rio, e um verdadeiro sucesso!

E em 1996, na inauguração do meu estúdio na Barra, pude trazer Adrián Galia para também realizar um curso de 15 dias. Participaram alunos e profissionais de várias partes do Brasil (RJ, MG, SP, RGS, PA). E no ano seguinte tive a oportunidade de trazê-lo novamente. Foram momentos inesquecíveis para todos nós, e têm sido citados em todas as lives que vêm sendo realizadas ultimamente, por todos que puderam participar.

 Fachetti – Teve uma marcante presença, com seus trabalhos, na antiga Casa de Cultura da Universidade Estácio de Sá. Durante cinco anos consecutivos promoveu espetáculos com um panorama abrangente. Uma época que eu trabalhei muito lá como ator. Lugar que lamentavelmente foi exterminado. Como foi trabalhar e realizar tantos feitos culturais num espaço com uma extensa agenda cultural?

Victoria Nuñes – No ano 2000, criei e produzi junto com minha companhia, o Ballet Flamenco Victoria Nuñez, o projeto Dança Aberta, que se realizava todos os meses na maravilhosa e infelizmente extinta Casa de Cultura da Universidade Estácio de Sá, na Barra da Tijuca. A proposta era apresentar um panorama abrangente da dança carioca, unindo jovens talentos e grandes nomes. Minha companhia era a anfitriã, e convidava companhias amadoras e profissionais de outros estilos de dança para participar. Em muitos momentos realizei trabalhos de fusão de estilos como Sapateado Americano, junto a Steven Harper e Dança Árabe, junto a Luciana Midle e sua companhia. Pude trazer bailarinos convidados como Fernando Melo, ex-bailarino da minha companhia, e na época bailarino da Ópera de Dusseldorf, na Alemanha. Realizamos muitos shows com música ao vivo. Participaram músicos flamencos como Allan Harbas, Tiza Harbas, Alejandro Gonzales, Luciano e Georgia Câmara, Daniel Ferreira, entre outros. Realizava também espetáculos com a participação de alunos de nível avançado e que já eram profissionais em outras áreas, como você no Teatro e Taryn Spilman na música. Foram momentos de grande riqueza cultural, intercâmbio, e muita criatividade.

 Fachetti – Como foi sua formação na Espanha, onde ficou 4 anos, com expoentes da cultura espanhola? Professora convidada pela Ópera de Gottemburgo, Suécia, como foi isso?

Victoria Nuñes – Considero minha formação impecável.  Uma overdose de Flamenco, não só técnica e artística, mas também de vida. O Flamenco não é só um estilo de arte. É um estilo de vida. E tudo isso eu pude vivenciar e trago comigo até hoje. Não só os aprendizados, mas também as grandes amizades. Realizei sonhos como o de conhecer Cristina Hoyos, minha primeira musa inspiradora, e encontrar – Antonio Gades em diversos eventos. Parecia que estava vivendo num filme.  Graças a tudo isso, e ao meu trabalho especializado com crianças e jovens, fui indicada pelos bailarinos Fernando Melo e Angelina Allen, ambos bailarinos da Ópera de Gottemburgo, para integrar o Corpo Docente da Décima Edição do Curso de Verão da Ópera em 2010. Outro sonho realizado. Setenta alunos entre 10 e 21 anos, divididos em quatro turmas, que tinham uma base de dança incrível, mas nunca tinham feito aulas de Dança Flamenca. Quatro dias de intensivo. Consegui montar a coreografia da versão flamenca para o Bolero de Ravel, com música de Gustavo Montesano, para setenta alunos. O chão da sala da Ópera tremeu!

 

Victoria Nuñes – Arquivo pessoal.

Fachetti -Terminando essa deliciosa conversa, meu espaço na coluna é restrito, fale da Cia. Ballet Flamenco Victoria Nuñez, – que você criou, com integrantes de extrema qualidade técnica, conheci todas, dancei com todas, que aprendizado! Cite o nome dessas artistas tão talentosas, para todos saberem, e disserte o que você quiser sobre a Cia. Ballet Flamenco Victoria Nuñez.

Victoria Nuñes – A companhia se iniciou em 1996, quando voltei da Espanha e durou até 2010. Começamos, Fernando Melo e eu com a famosa coreografia de calça jeans,” A las siete”, com música de Jorge Pardo (Bulerias), e um Martinete com bastão. Foi muito revolucionária na época. Depois vieram Ângela Viégas, Débora Fernandez e Ana Beatriz Rosa. Todos foram meus alunos desde pequenos, oriundos do Grupo Artemanha. As formações foram mudando e vieram Valeska Gonçalves e Helena Pimenta. Fernando e Ana saíram e as quatro ficaram. Não tenho como saber o número de coreografias que dançamos desde então. Foi a formação mais longa, da época do Dança Aberta. Em 2005 ficamos só Debora e eu. Então começamos um projeto antigo que eu tinha de coreografar – a obra “Poeta” de Vicente Amigo. Novos integrantes, e Débora como coordenadora, primeira bailarina e meu braço direito e também esquerdo. Levamos dois anos montando “Volver-Danza para um Poeta”. Fomos convidados a nos retirar de vários lugares onde ensaiávamos por causa do barulho, como uma verdadeira tribo de ciganos. Mas finalmente estreou em 2007. Com cenário de projeção 3D que interagia com os bailarinos, e mais de 10 trocas de figurinos. Um espetáculo muito comovente sobre a vida e a trajetória do grande poeta espanhol Rafael Alberti.

Quero aproveitar e agradecer a você, pela oportunidade da entrevista, à Revista do Villa, a todos os meus Mestres e amigos da dança, todos os meus alunos, e a todos os bailarinos que pude ter a honra de trabalhar em cada período de minha trajetória. Muito obrigada!

Sábado próximo, dia 19, retornamos ao universo teatral, com o ator e diretor – Leonardo Netto. Espero vocês na coluna do Fachetti. Até lá!

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45 Comentários

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