Francis Fachetti entrevista o ator, diretor e dramaturgo Leonardo Netto

A Coluna do Fachetti coloca na cena mais um artista do universo teatral, com experiência em outras linguagens, como na TV, e ainda despontando numa dramaturgia necessária, de poder reflexivo, existencial e político. Destaque dramatúrgico para suas obras: “A ordem natural das coisas” e “3 maneiras de tocar no assunto”.

Um artista respeitado, que consolidou sua carreira nos palcos, nos deleitando com feitos culturais importantíssimos ao longo de sua carreira – Leonardo Netto.

Leonardo Netto - Foto: Dalton Valério.

Ator, diretor e dramaturgo, formou-se pela Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), e estudou teoria do teatro na UNIRIO. Estreou profissionalmente sob a direção de Amir Haddad em “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar. Foi um dos fundadores do Centro de Demolição e Construção do Espetáculo, Cia. Estável, dirigida por Aderbal Freire Filho, onde permaneceu por três anos. Trabalhou com diretores importantes do teatro carioca, como: Gilberto Gawronski, Ana Kfouri, Jefferson Miranda, João Falcão, Luiz Arthur Nunes, Enrique Diaz, Celso Nunes e Christiane Jatahy.

Seus trabalhos mais recentes: “Conselho de Classe” (direção de Bel Garcia e Suzana Ribeiro); “A Santa Joana dos Matadouros” (direção de Marina Vianna e Diogo Liberano); “Entonces Bailemos” (direção de Martin Flores Cárdenas); “Insetos” (direção de Rodrigo Portella); “3 maneiras de tocar no assunto” (direção de Fabiano de Freitas).

Dirigiu os espetáculos “A Guerra Conjugal”, de Dalton Trevisan; “Cozinha e Dependências” e “Um dia como os outros” (ambos de Agnés Jaoui e Jean-Pierre Bacri); “O bom canário de Zach Helm”; “Um dia a menos”, de Clarice Lispector; e “Relâmpago Cifrado”, de Gustavo Pinheiro.

Na TV, atuou em episódios das séries “Força-Tarefa”, “As Canalhas”, “Questão de Família” e “O Caçador”. Integrou o elenco dos seriados “A garota da moto”, “Magnífica 70”, “Me chama de Bruna”. Seu trabalho mais recente é a minissérie “Assédio”, da Rede Globo.

Na dramaturgia, é autor de “Para os que estão em casa”; “A ordem natural das coisas” – Prêmio Cesgranrio de melhor texto , e “3 maneiras de tocar no assunto” – Prêmios Cesgranrio, Botequim Cultural e APTR de melhor texto. Também ganhou prêmio Cesgranrio de melhor ator por: “3 maneiras de tocar no assunto”.

Dramaturgias de Leonardo Netto.

FACHETTI – Estreia profissional, com texto de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar, sob o olhar direcional de Amir Haddad. Como foi essa estreia? Como aconteceu esse convite, atuando com textos de dramaturgos tão contundentes e políticos?

L. NETTO – “Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come” foi a montagem de formatura da minha turma na CAL. A ideia de convidar Amir para dirigir uma turma de formandos foi do saudoso Yan Michalski, na época, coordenador artístico da escola. Amir estava há anos dedicado ao trabalho de teatro de rua, e nossa montagem quebrou um jejum de mais de 10 anos sem dirigir espetáculos em espaços convencionais. Não sei de qual dos dois partiu a escolha do texto. Talvez dos dois juntos. Fizemos um trabalho de compreensão daquela situação política mostrada no texto, que é complexa, e que eu, com 20 anos, não entendia. Mas o Amir nunca deixaria a peça estrear sem que todos nós soubéssemos exatamente do que estávamos falando. Amir ganhou o Prêmio Shell de melhor direção. Foi um processo muito rico e não poderia ter tido um começo melhor.

FACHETTI – Discorra sobre o funcionamento do Centro de Demolição e Construção do Espetáculo. Aderbal Freire Filho conduzia de que maneira os trabalhos lá realizados?

L. NETTOO Centro era formado por aproximadamente 35 atores, que, além de ensaiar e apresentar espetáculos, administrava o Teatro Gláucio Gill, recém-reformado depois de alguns anos fechado. Fazíamos milhões de atividades lá: oficinas, biblioteca, feira de livros, programas de intercâmbio (trazendo peças de outros estados e países) enfim, uma coisa como não se vê há muito tempo. Os projetos dos espetáculos do Centro eram propostos pelo Aderbal e fazíamos workshops, que ele chamava de “ensaios afetivos”, como parte da construção do espetáculo. Minha experiência lá durou 4 anos. Se Amir foi a formatura, Aderbal foi a pós-graduação. 

“Na selva das Cidades” – direção: Aderbal Freire. Foto: Dalton Valério.

FACHETTI – Defina, cada um desses diretores – em seu olhar – e pela experiência que teve com eles; Gilberto Gawronski, Ana Kfouri, Jefferson Miranda, João Falcão, Luiz Arthur Nunes, Enrique Diaz, Celso Nunes e Christiane Jatahy.

L. NETTOTodos foram importantes e aprendi com todos eles. Tive sorte de trabalhar com diretores muito bacanas. Algumas relações de trabalho foram mais longas, se estendendo a mais de um espetáculo, como foi com o Luiz Arthur e a Ana. Com o Luiz aprendi o gosto pela pesquisa, pelo conhecimento e embasamento teórico sobre o universo abordado nos espetáculos, uma coisa que me acompanha até hoje. A Ana me trouxe disciplina, consciência corporal e o gosto pela pesquisa. Com Jefferson e Christiane tive processos longos de ensaio, de mais de 4 meses, construindo passo a passo espetáculos menos convencionais, contribuindo ativamente para a construção da dramaturgia, através de improvisos. Com o João e o Enrique foram experiências mais breves, de substituição em espetáculos dirigidos por eles, mas tive a sorte de poder trocar um pouquinho também. O Gilberto foi lá no comecinho, numa montagem anárquica de “Piquenique no Front”, do Arrabal. Era muito divertido. O Gilberto tem uma coisa de subversão que eu adoro. O Celso foi a possibilidade de conhecer um diretor que fez espetáculos antológicos do teatro brasileiro, como “Eqqus” e “As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant”. Eu nem acreditava que estava sendo dirigido por ele. Tive muita sorte de ter trabalhado com eles e com vários outros diretores que encontrei nestes 30 anos de teatro. 

FACHETTI – Conte para nós, quem é Leonardo Netto diretor? Baseado em que você conduz sua direção? Quais suas referências e inspirações?

L. NETTOAcho que o diretor nasceu do professor. Até o começo dos anos 2000 dei muita aula de teatro, dirigi alunos em montagens de curso. Gosto de trabalhar os atores, conduzi-los no processo de criação. Acho que esse é o traço mais forte da minha direção: a direção de atores. É o que mais me interessa. Não acho que eu seja um diretor que contribui com criação de linguagens, estilos e que tenha concepções arrojadas de encenação. E aí, falando de referências, comecei a assistir teatro (e a me apaixonar por ele) no começo dos anos 80, antes do boom dos encenadores dos anos 90. Talvez, por isso, os espetáculos que eu dirijo são muito simples e calçados totalmente no trabalho dos atores. É tudo em função deles e para eles. 

FACHETTI – “Assédio”, minissérie da TV Globo, é seu trabalho mais recente na teledramaturgia. Um trabalho relevante, em linguajar narrativo naturalista, característica televisiva. Como você aporta, o ator da cena teatral, para essa linguagem tão distinta dos palcos? Como se sente? É confortável para você? Muitos atores não se adaptam.

L. NETTOO audiovisual é bem diferente do teatro para um ator. São precisos ajustes de tudo. De tamanho, intensidade, gestual, voz. É uma coisa que se aprende fazendo. Hoje, para mim, é confortável. Mas penei no começo. “Assédio” é um trabalho pelo qual tenho muito carinho pela importância do tema, pelo processo tranquilo de produção, e por ter tido a experiência de trabalhar intimamente com Adriana Esteves, que, além da atriz maravilhosa que todo mundo conhece, é uma parceira de trabalho única, cúmplice, amiga, que me ajudou muito, me acolheu. Adoro ter feito parte disso.

“A Santa Joana dos Matadouros”. Foto: Francisco Soares.

FACHETTI – Assisti seus cinco trabalhos mais recentes, citados acima, na cena teatral. Todos de excelente qualidade em todos os signos teatrais presentes – principalmente ator e texto. Fiz uma crítica teatral muito positiva de “Entonces Bailemos”, inserida na Revista do Villa. Diga o que mais gostava – em cena – com cada um deles, já que os fez de forma corpórea, palpável, com muita presença cênica.

L. NETTO“Conselho de Classe” é daqueles acertos totais, que são raros de acontecer. A pertinência do assunto, o texto, a direção, os atores, a cenografia, figurinos, música, tudo. A longa vida que o espetáculo teve, mais de 5 anos se apresentando pelo Brasil, as críticas da imprensa, prêmios, reação do público, confirmam isso. Adoro trabalhar com a Cia. dos Atores. Já fiz 4 espetáculos com eles. É sempre prazeroso e muito, muito divertido. “A Santa Joana dos Matadouros” é dos espetáculos mais lindos que eu já fiz, de uma atualidade que até hoje me espanta. A direção da Marina Vianna e do Diogo Liberano era um primor. E, visualmente, era impactante. Era um espetáculo que tinha que ter sido feito por mais tempo, mas tinha uma produção complicada, um cenário que não cabia num carro, muitos atores, música ao vivo. “Entonces Bailemos” tocava num assunto delicado, de relações abusivas, machismo, violência. Acho que foi muito mal compreendido por uma parte da classe artística que o acusou de ser machista, misógino. Mas, meu Deus, era exatamente uma crítica a isso! Era isso que o espetáculo mostrava e criticava. Fiquei impressionado com as interpretações rasas que foram feitas do espetáculo. O Martín Flores Cárdenas, artista argentino, autor do texto e que veio dirigir a montagem brasileira, é o máximo, inteligentíssimo, crítico, debochado. Amei trabalhar com ele. “Insetos” foi um reencontro com o prazer de trabalhar com a Cia. dos Atores. Fiz a temporada do CCBB de Belo Horizonte, substituindo o Marcelo Valle e o Gustavo Gasparani, e pude conhecer e trabalhar com o Rodrigo Portella, que é tudo isso que parece ser mesmo. Inteligente, competente, criativo, dedicado, amoroso. Fizemos a temporada às vésperas da eleição de 2018, e parece que o espetáculo foi ressignificado pelo contexto político da eleição.  Foi muito curioso.

 

“Conselho de Classe”. Foto: Arquivo pessoal.

FACHETTI – “A ordem natural das coisas”, espetáculo de sua autoria e com sua direção – Prêmio Cesgranrio de Melhor Texto –  particularmente me tocou muito. Um texto de muita acuidade/perspicaz. Onde buscou a verve desse texto? Como foi esse processo para você? O que absorveu dos atores, que estavam tão engolfados na verdade cênica?

L. NETTOTenho muito carinho por esse texto. Surgiu do meu pensamento sobre a interferência do outro na nossa vida e sobre a falsa ilusão de controle que temos. Foram 4 meses escrevendo, a princípio, sem saber no que ia dar. A história foi se construindo a partir da escrita, não tinha nada esquematizado. Foi quando experimentei pela primeira vez a sensação de que, em algum momento, os personagens adquirem vida própria e a peça se escreve sozinha. Já tinha visto escritores falando sobre isso e achava que era um “modo de dizer”. Não é. Acontece mesmo. Com “A Ordem”, foi assim. Há muito do meu eu, naquele texto. Lúcio, o protagonista, que o João Velho fez lindamente, num trabalho precioso, é quase meu alter ego. Eu escrevi a peça com os 3 atores na cabeça o tempo todo, ia escrevendo imaginando o João, o Cirillo Luna e a Beatriz Bertu fazendo aquilo. Foi lindo dar tudo certo e os três terem podido fazer o espetáculo.

“A Ordem Natural das coisas” – Foto: Dalton Valério.

FACHETTI -“3 maneiras de tocar no assunto”: Prêmios Cesgranrio, Botequim Cultural e APTR de melhor texto e, para arrematar, Prêmio Cesgranrio de melhor ator. Espetáculo de compleição/temperamento, um comportamento estoico, em sua atuação cênica, e extremamente atual e político. Nos conte sobre essa experiência, sendo o autor e ator, dessa cena teatral de grande competência.

L. NETTO – “3 Maneiras de Tocar no Assunto” é muito importante para mim. É o meu manifesto artístico (digo “meu”, mas é também do diretor Fabiano de Freitas e da equipe de criação, que abraçou o projeto). Um assunto que é muito pessoal, que tem a ver com a minha vida, mas que também fala de, e para um monte de gente. Foi a primeira vez que atuei em um texto escrito por mim. E também que um texto meu foi dirigido por outro, que não eu mesmo. Foi ótimo experimentar esses novos lugares. Fomos interrompidos pela pandemia, estávamos em cartaz no Sesc Ipiranga, em São Paulo. Mas vamos voltar assim que for possível. Tenho muito a fazer ainda com esse espetáculo.

“3 maneiras de tocar no assunto”. Foto: Dalton Valério.

Essa é a linda caminhada artística do ator e diretor Leonardo Netto.

No próximo sábado, dia 26/9, a Coluna do Fachetti, volta dando visibilidade ao Mestre da fotografia – especialista em fotografia de rua e de espetáculos teatrais – o necessário fotógrafo Luis Teixeira Mendes.

 Aguardo vocês aqui. Até lá!

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