Xandy Novaski entrevista a triatleta Natália Guilherme

NATÁLIA GUILHERME - Crédito José Mercedes

NATÁLIA GUILHERME tinha uma vida rotineira, quando resolveu desbravar outros ares. Foi, então, que conheceu o Triathlon no Equador. Atualmente morando em Portugal, faz parte da equipe do CNATRIL – Clube de Natação e Triatlo de Lisboa, e reconhece que o esporte está sempre abrindo as portas onde quer que a gente vá. Aprecie a trajetória da triatleta e se inspire!

NATÁLIA GUILHERME - Crédito Clarisse Henriques

1) Você estudou Direito e trabalhou em Cartório por vários anos. Ou seja, tinha uma rotina bem definida. Contudo, resolveu quebrar essa regra e foi viver em Quito, no Equador. O que te fez deixar tudo de lado para desbravar novas veredas?

Pois é verdade, eu tinha a vida redondinha e encaminhada, mas não me sentia completa, feliz. Queria ver o que havia no mundo além da zona de conforto. Antes de ir para o Equador eu fui para Portugal passar férias, e surgiu essa oportunidade de ir conhecer o Equador. Pensei muito, mas fui com data para voltar. Mas as coisas foram se encaixando lá e decidi ficar por 01 ano, e ao final foram 03 anos! Eu tive muita coragem em deixar a vida que tinha para encarar o desconhecido. Sou muito grata por tudo que tive, e mais ainda por ter vivido tudo o que vivi e aprendi nestes 03 anos no Equador. Nada no mundo paga essa experiência de crescimento pessoal.

NATÁLIA GUILHERME - Crédito Clarisse Henriques

2) Foi no Equador que você descobriu o Triathlon. Conta pra gente, em que momento o esporte se fez presente em sua vida?

Eu já vivia há 02 anos no país, praticava crossfit e gostava de correr. De triathlon eu só sabia o que era, pois vi provas da Fernanda Keller na adolescência e achava aquilo sensacional. Até que um amigo me mostrou um vídeo sobre dois atletas amadores que foram a primeira vez ao mundial do Ironman em Kona. Wow, aquilo virou qualquer chave dentro de mim, me emocionou de tal maneira que eu decidi naquele momento que era o que eu queria fazer. Em poucas semanas comprei uma bicicleta e fui atrás de um treinador. Encontrei no Facebook a atleta e treinadora Karina Navarrete. Nos encontramos e conversamos enquanto pedalamos e foi ela quem me preparou para o meu primeiro Ironman 70.3 (metade de um Ironman). Cruzar aquela meta, superar não só os desafios físicos e mentais, mas a rotina de treinos e tudo o que gira em torno para ser um triatleta. O triathlon mudou a minha vida, descobri que é onde eu me supero e tudo depende de mim, da minha dedicação, garra, foco, e sem dúvida foi e é o meu maior aliado na luta contra a depressão!

NATÁLIA GUILHERME - Crédito Douglas Cestari

3) De Quito você se mudou para Portugal, onde vive sua mãe. Novamente outra cultura, outro continente. Como o esporte lhe ajudou nessa adaptação?

Sem dúvidas o triathlon ajudou muito nesse processo de integração nesse novo país. Eu já tinha vindo a Portugal algumas vezes para passar férias e sempre me identifiquei com o país e sua cultura. Posso dizer que foi relativamente fácil a adaptação e o esporte me abriu portas. Aliás, o esporte abre portas onde quer que se vá. Comecei por fazer só corrida nos primeiros meses até me organizar, e depois busquei nas redes sociais uma equipe de triathlon e um treinador. E assim começou a minha aventura por aqui.

4) Como tem sido seus momentos em Portugal, sua identificação com a cultura local, gastronomia, e etc.?

Foi e tem sido muito fácil. Como eu disse anteriormente, eu me adaptei muito fácil pois me identifico com o estilo de vida daqui. É tudo mais organizado, o que para muitos brasileiros pode parecer lento demais, mas eu percebi que os portugueses são atentos ao que fazem e isso requer tempo. Eles têm o tempo deles, e eu aprendi a respeitar. Também não tem aquela coisa do ‘te conheci hoje e vamo lá em casa fazer um churras’ não (risos). Aqui a amizade se constrói com tempo e confiança. E quando você tem um amigo, é pra qualquer obra! Quanto à gastronomia… Ahhhhhh, a comida, os vinhos, eu sou apaixonada! Tem uma simplicidade de comida de casa de vó que eu adoro. Come-se muito bem e paga-se pouco. Os vinhos são os melhores e eu antes não gostava de vinho, hoje não troco um verde geladinho numa tarde quente ou um tinto ao jantar. Quem vem a Portugal se apaixona, e comigo não foi diferente, sou muito feliz vivendo aqui.

 

NATÁLIA GUILHERME - Crédito Clarisse Henriques

5) Fale um pouco do seu blog https://natyguitri.wixsite.com/website e do seu perfil no Instagram https://www.instagram.com/natygui_tri/, e o que as pessoas podem encontrar lá?

O meu Instagram é totalmente voltado para o triathlon e eu partilho as minhas rotinas de treinos, com o intuito de motivar principalmente as mulheres a se mexerem, saírem da sua zona de conforto e irem em busca dos seus sonhos. O blog veio a seguir, desde que eu comecei a perceber que gosto de escrever, e tem sido uma experiência legal. Recentemente me abri sobre um tema que ainda é tabu, a depressão, e foi lá no blog que me senti à vontade de partilhar como eu sobrevivo todos os dias a esta doença. O site ainda está em construção, é todo criado e idealizado por mim, e ainda estou a descobrir o caminho que quero seguir ali. Tudo o que eu faço e partilho com as pessoas vem do coração e é feito com carinho.

NATÁLIA GUILHERME - Crédito Clarisse Henriques

6) Como se dá o apoio das marcas ao triatleta?

Há várias formas de apoiar um atleta, seja profissional ou amador, seja com patrocínio ou com apoio. O patrocínio é a ajuda monetária que uma marca/empresa/pessoa que se compromete com o atleta durante a sua época desportiva. O apoio difere do patrocínio, pois não implica ajuda financeira, mas sim com a prestação de um serviço ou viabilização de equipamentos, ou de um espaço. Hoje em dia, com as redes sociais, é muito comum que as marcas se associem a atletas em geral que comuniquem bem, e gostem de divulgar a sua rotina. É o meu caso, pois aliei o meu gosto por comunicar com a minha rotina de treinos, e assim, consegui apoios de algumas marcas, tanto em nível nacional como internacional. Cito aqui as marcas que estão comigo nessa jornada: Em Portugal – Fyke, LX Foot, Iswari, Petmania Vet / Internacionais: On Running, Hammer Nutrition, Absolute Black, Speedsix Wheels.

NATÁLIA GUILHERME - Crédito Arquivo Pessoal

7)No final de 2019, você começou a treinar com o coach Hugo Ribeiro, e inclusive entrou para uma das mais fortes equipas de Portugal. Só que a pandemia parou tudo. Como está sendo estes momentos de isolamento social?

Não foi fácil pra ninguém! Tenho a sorte de ter um treinador excepcional que apoiou os seus atletas à distância e nos manteve ativos com treinos duríssimos, e motivados durante o período da quarentena. Tivemos tempo para trabalhar outras áreas que muitas vezes deixamos de lado, como o trabalho de força e alongamentos. Mantivemos a preparação para que assim que voltassem as competições estarmos todos preparados. E foi o que aconteceu. Recentemente a Federação de Triatlo de Portugal retomou as atividades e os campeonatos nacionais, e nós do CNATRIL – Clube de Natação e Triatlo de Lisboa – estivemos presentes em peso, com muitas conquistas individuais e por equipa. Em particular eu fui vice-campeã nacional no meu age group e estou mega contente com este resultado. No dia 03 de outubro, se tudo correr bem, teremos o Campeonato Nacional de Longa Distância que será definido em apenas uma prova, e nós do Cnatril estamos muito focados para dar a nossa melhor prestação e subirmos no lugar mais alto do pódio.

 

NATÁLIA GUILHERME - Crédito Arquivo Pessoal

8) Quais são as metas do Clube de Natação e Triatlo de Lisboa para os próximos meses?

São muitas! Sagrar Campeão Nacional de Longa Distância Masculino e Feminino; conquistar o Campeonato Nacional de Clubes de Duatlo Masculino e Vice-campeões Femininos; Garantir o pódio na Taça de Portugal e Campeonato nacional de Clubes Femininos; Campeões Individuais de Longa Distância Masculino e Feminino, e Garantir a presença de dois atletas nas seleções em Alhandra e Quarteira.

9) “O trabalho em equipa é mais rico, é mais forte e por isso capaz de alcançar as metas mais difíceis” Tive o conhecimento dessa frase fantástica através de você. Em sua opinião, o que falta às pessoas para que elas entendam o poder do coletivo em suas vidas?

Estamos muito voltados para dentro, só vemos o que sentimos e o que queremos para nós. É uma mentalidade egoísta que tenho tentado desconstruir, e assino os meus e-mails com esta frase, e quem presta a atenção pode refletir. Juntos, nós somos mais fortes e vamos mais longe. Ainda que os objetivos sejam pessoais nunca andamos pra frente sozinhos. 

NATÁLIA GUILHERME - Crédito Arquivo Pessoal
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