Xandy Novaski entrevista o ator Adriano Arbol

ADRIANO ARBOL - Crédito Marcela Seixas

ADRIANO ARBOL (33) já sabia de seu dom desde os 12 anos de idade. Reconhecendo a vocação para a arte, o ator não hesitou em realizar seus objetivos deixando Sorocaba, interior de São Paulo, rumo à capital, onde se formou em Artes Cênicas. Desde então, há mais de duas décadas vem encantando o público do teatro, atuando também na televisão e sendo um rosto popular no cinema. Conheça um pouco mais sobre a trajetória artística desse ator que faz das próprias expressões faciais, vocais e corporais, personagens cada vez mais versáteis trazendo as mais belas costuras de cenas!

1)  O que te fez, com apenas 12 anos, se interessar pela arte de interpretar? 

O meu interesse pelas artes cênicas surgiu quando na época escolar, na cidade de Sorocaba, minha terra natal, quando os professores me pediam para dramatizar poemas e fazer a direção, pois era trabalho de conclusão de semestre. Eu era muito tímido, pode não parecer (risos). Essas apresentações me ajudaram muito, até mesmo como me relacionar melhor com as pessoas. Quando subi ao palco pela primeira vez, senti certo desconforto, mas na mesma hora tive a certeza do que eu queria para minha vida. Desde então fui procurando cursos e oficinas gratuitas na cidade, passei por vários grupos e grandes profissionais que me ensinaram muito. Dentre eles: Mário Persico, Marcelo Marra, Marcio Gouveia, Danny Oliveira, Valdevino  Martins, Paulo Betti, etc… Nunca deixei de estudar. Apesar de não ter condições na época, sempre ganhava bolsas de estudos e continuava firme no propósito. Essa minha paixão pelo Teatro e pelo meu ofício, creio que é coisa Divina, porque nunca tive referência artística na minha família, alguém que me levasse ao teatro, cinema, museus, etc.. Tudo partiu de mim.

2) Você é formado em Arte Dramática pelo SENAC e também pela UNISO. Em sua opinião, qual é a importância dos estudos para o ator?

Os estudos na formação profissional são importantes para o ator porque o credencia a grandes papéis. Qualquer pessoa pode atuar, mas quando há a necessidade de dar oportunidade a novos atores, os escolhidos para os melhores papéis serão aqueles que se preparam para isso. E como preparação, entende-se formação profissional. Costumo dizer que o artista está em constante evolução e aprendizado. Temos que nos informar, ler, viajar, conhecer lugares, porque tudo isso faz parte do nosso material de trabalho! Ser artista, é saber que temos uma responsabilidade social muito grande, vai muito além que subir no palco, dizer um texto e fazer rir.

 

ADRIANO ARBOL - Espetáculo 'Álbum de Família' - Crédito Equipe Oficina Cultural Oswald de Andrade

3) O cinema é parte importante na sua trajetória como ator. O que a sétima arte tem de diferente da televisão?

Pra mim a única diferença é o tempo que você tem de preparação, processo criativo. Na Televisão é tudo muito rápido, instintivo, você vai descobrindo o tom da personagem no decorrer da obra, que é um exercício muito bom para o ator, porque ele não sabe o que vai acontecer. Você tem que estar preparado pra tudo. E no cinema você já tem esse tempo de preparação, por ser uma obra fechada. O ator consegue mergulhar melhor em sua criação e junto com o diretor chegar a um resultado favorável para ambas as partes. Meus últimos trabalhos no cinema foram: “Carcereiros, o Filme”, com direção de José Eduardo Belmonte, e a série “Hebe”, direção do querido Maurício Farias. Cito esses dois trabalhos pra dizer o quanto foi gostoso o processo na hora de fazer a cena, o diálogo aberto que conseguimos ter com esses diretores, a generosidade deles para comigo focando num bom resultado.

4) Eu vejo os personagens como criações que não vão embora assim tão fácil da vida de um ator. E acredito que no cinema e no teatro, devido aos textos que já chegam com início, meio e fim, como também as repetições dos ensaios e o mergulho do ator na trama, isso se intensifica. Quais personagens te perseguiram e como você fez para que eles fossem embora, após o término dos trabalhos?

Todos os espetáculos que fiz até hoje, que contabilizam 36, todos os personagens foram feitos com muita entrega, amor e muito estudo. Tenho carinho por cada vida que pude pôr no palco, cada processo, cada ensaio etc… “O Solo Que Ainda Estou Em Movimento”, “Os Sofrimentos do Jovem Werther” de Goethe, direção de Dionísio Neto, que tem como tema o suicídio e a depressão e, entre ensaios, pesquisas, processo de criação, levou 01 ano até o primeiro ensaio aberto. Esse espetáculo, depois que termina, eu ainda tenho que ter uns 10 min para me recompor, é muito forte, impactante e gostoso de fazer. Sou um ator muito intenso, e todas as minhas construções são imersivas no sentido de pesquisa e verdade, e me preocupo com a veracidade do trabalho, e o quão crível e realista o personagem tem que ser para quem assiste. Todo personagem que inicio, nunca trabalho com a hipótese do que eu acho, tenho que ter a certeza, por isso sou a favor do laboratório. Quando vou interpretar uma personalidade, procuro assistir vídeos para estudar gestos, expressões etc… Faço toda a gênese da personagem, passado, presente, futuro, o que ele quer, quem ele é, e para onde vai. Eu tenho que ter dentro de mim o entendimento da personagem, e não só um texto decorado. Tornar orgânico tudo que criei. Acho que a graça da profissão está aí, porque o palco, a apresentação é simplesmente o resultado de um trabalho que antecede tudo isso. Se você não teve trabalho, terá um resultado medíocre e a credibilidade e respeito que você tanto busca não acontece.  Então, cada trabalho não tem como esquecer, e pelo envolvimento profundo que tive com eles. Mas sou motivado por desafios, não me prendo, quando acaba um projeto, já estou pensando em um próximo desafio que vai agregar artisticamente a minha carreira.

5) Na televisão, você atuou em duas novelas que são remakes de obras estrangeiras: ‘Chiquititas’ e ‘Cúmplices de um Resgate’. Chegou a assistir as originais? Como foi a repercussão desses trabalhos?

A original que cheguei a assistir foi só a “Chiquititas” e quando fizeram a segunda versão, fui convidado para fazer uma participação, e fiquei muito feliz de alguma maneira fazer parte desse sucesso estrondoso que foi e continua sendo. O SBT acertou o nicho do seu público, que é o infantil! Depois de “Chiquititas”, o diretor Marinho Moraes me convidou para fazer outra participação em “Cúmplices de um Resgate” outro sucesso! Sobre a repercussão, as crianças têm uma memória de elefante (risos)! Toda vez que reprisa, elas reconhecem e falam: Você não é estranho (risos)! E aí você entra em detalhes e vê no rostinho delas a emoção de estarem conversando com alguém que elas acabaram de ver na novela. É muito gratificante tudo isso!

ADRIANO ARBOL - Espetáculo 'Bruta Flor' - Crédito Ronaldo Gutierrez

6) O teatro lhe proporcionou atuações ecléticas, já que você passou por gêneros bem distintos. Posso citar aqui ‘Muito Barulho Por Nada’, do Shakespeare, ‘O Burguês Fidalgo’, de Molière, ‘Bruta Flor’, texto do Vitor de Oliveira e Carlos Fernando Barros e ‘A Sogra que Pedi a Deus’, comédia do Wilson Coca. O que permanece em você desses momentos?

Sempre procurei me diversificar na escolha dos meus trabalhos! Sou um ator que não me rotulo, procuro fazer de tudo, experimentando várias linguagens e gêneros. Claro, sempre tendo também muito critério nessas escolhas e fazendo um direcionamento de carreira que eu acredito. A peça “Muito Barulho Por Nada” e o “Burguês Fidalgo” foram os meus primeiros espetáculos profissionais que me deram muita maturidade, até mesmo em como estudar um texto de Shakespeare e Molière. Já a comédia “A Sogra que Pedi a Deus”, direção de Sebastião Apolônio, foi o primeiro espetáculo que fiz quando cheguei a São Paulo, no qual tenho muita gratidão. Foi  a peça responsável por me lançar no cenário artístico paulistano, onde dividia a cena com o grande ator e comediante Renato Papa, com qual eu aprendi muito sobre  o que é “time” de comédia. Já “Bruta Flor”, que teve a direção de Márcio Rosário, foi muito importante, pois tinha acabado de sair de uma comédia e entrei em um drama muito intenso com processo de construção imersivo, onde pude mostrar o outro lado do trabalho do ator Adriano Arbol. Além de acrescentar muito na minha vida profissional, pude ter a oportunidade de representar a causa lgbtqi+ dentro do espetáculo. Não posso deixar de citar o Grupo Ria de Teatro, no qual fiz parte durante 05 anos e fazendo espetáculos literários de manhã, à tarde e à noite, com 04 apresentações por dia, de segunda a sexta. Considero o Grupo Ria como meu mestrado em Artes Cênicas, responsável pela boa parte da carga horária de palco que tenho hoje. Gratidão a José Paulo Rosa! O que permanece em mim, de todos esses trabalhos, é saber que cada profissional, cada diretor que tive a oportunidade de trabalhar, tem uma importância muito grande na minha evolução, não só profissional, mas como ser humano,

7)  É verdade que você está se preparando pra viver um paraplégico no cinema? Comente.

Exato! Outro desafio que aceitei com muito carinho do diretor Lion Andreassa, da Lumix Art Films, no qual eu admiro muito a maneira como ele encara o nosso ofício e o nosso cinema. O curta-metragem se chama “03:03”. O filme tem como tema a Ufologia. É um produto de ficção científica, pouco explorado no Brasil. Irei fazer um neurocientista que perde os movimentos das pernas de uma hora para outra, onde os médicos não têm nenhum diagnóstico sobre o caso. Quanto ao fazer um paraplégico, tenho tido muito apoio e auxílio da querida Leide Rose, cadeirante, uma determinada e guerreira, que vem me dando, além de auxílio, uma lição de vida! O processo de composição para esse trabalho está sendo bem intenso e uma corrida contra o tempo. Estou tendo aula de inglês, um idioma que eu não domino, e quem está me dando esse suporte é o professor Bruno Taniguchi no qual aceitou ser meu coach nesse processo. Tinha muito bloqueio com o idioma, quando o diretor me disse que o roteiro seria em inglês, me bateu certa insegurança e medo. Pensei comigo: “Tenho que ousar e me desafiar cada vez mais.” O medo faz com que você permaneça na sua zona de conforto. Costumo dizer que gosto de fazer aquilo que eu ainda não sei. O que eu sei, não me acrescentará em nada. Tenho certeza que será um lindo projeto! Viva o cinema!

ADRIANO ARBOL - Espetáculo 'O Sofrimento do Jovem Werther' - Crédito Dionísio Neto

8) O ator é um profissional resiliente por natureza, ou seja, está sempre recomeçando. Como você está se virando em tempos de pandemia?

Eu estava prestes a estrear o meu solo “Os sofrimentos do jovem Werther” de Goethe, quando a pandemia veio e nos impossibilitou. Confesso que me assustou muito essa parada geral dos trabalhos! Mas sou um artista muito inquieto, e não conseguiria ficar parado totalmente, reclamando da situação e ficar atoa. Fui produzindo minhas coisas, participando de festivais on-line, usei essa parada geral a meu favor, fazendo com o que o meu trabalho fosse visto com quem estava em casa e com tempo pra ver. Estreitando relações com produtores, diretores, etc… Junto com a Prefeitura de São Paulo e Secretaria Municipal de Cultura tivemos a oportunidade de sermos contratados para fazer uma apresentação online do solo, em parceria com o Teatro João Caetano, onde Dionísio Neto e eu adaptamos o formato teatro para o audiovisual. No caso, fizemos um ‘plano sequência’ de 42 minutos, com movimentos de câmera ensaiados, onde resultou em uma crítica positiva do nosso trabalho no site:

https://www.eurbanidade.blog.br/critica-os-sofrimentos-do-jovem-werther-direcao-dionisio-neto-blog-e-urbanidade/

Posso dizer que não parei em nenhum momento nessa pandemia, e sempre, claro, seguindo todos os protocolos de segurança da covid-19.

9) Além do trabalho no curta-metragem de ficção científica, quais são os próximos passos do Adriano Arbol?

Nesta pandemia estou focado no cinema e na televisão. Sabemos que o teatro vai demorar um pouco para voltar ao normal. De projetos pra cinema estou envolvido em mais um curta-metragem chamado “Traficante”, roteiro de Aguinaldo Ribeiro, que iremos rodar na segunda quinzena de outubro, com a produção de Viviane Carvalho. Para o ano que vem tenho um projeto de um longa-metragem que ainda não posso dar detalhes. Aguardando respostas de alguns testes pra séries, e lutando aí para um papel bacana nas próximas produções na indústria televisiva e um possível contrato pra dar aquela respirada (risos). Ansioso pra voltar às gravações das produções da qual tenho a honra de prestar os meus serviços, “As Novas Câmeras Escondidas” e “A Praça é Nossa” do SBT. 

ADRIANO ARBOL - Filme 'A História de Nossa Senhora Aparecida' - Crédito Rodrigo Carvalho
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18 Comentários

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