Estilista japonês Kenzo morre aos 81 anos

O estilista japonês Kenzo Takada morreu neste domingo aos 81 anos, vítima de covid-19, anunciou seu porta-voz. Ele morreu em Neuilly-sur-Seine, nos arredores de Paris, onde se estabeleceu em 1964 e fundou a empresa de moda e perfumes que leva seu nome. O falecimento coincidiu com a Paris Fashion Week, que termina na próxima terça-feira.

Kenzo Takada foi o primeiro dos grandes estilistas asiáticos a conquistar Paris, abrindo o mercado internacional para compatriotas como Yohji Yamamoto e Issey Miyake que, no início dos anos oitenta, revolucionaram a indústria da moda com seus looks conceituais e arquitetônicos, suas peças experimentais e uma dramática carga artística, criações que continuam influenciando e inspirando criadores contemporâneos.

Formado pelo Bunka Fashion College de Tóquio, seguiu os passos de  Yves Saint Laurent. Sem recursos e com uma máquina de costura alugada, confeccionou sua primeira coleção em 1970 com tecidos, quimonos velhos e retalhos comprados em brechós. Sem saber, estava transformando a necessidade em virtude e, principalmente, na marca registrada de uma grife que, meio século depois, continua sendo sinônimo de cor, estampas com grande carga gráfica e experimentação. Suas peças ―poéticas e livres― e seu estilo inédito chamaram a atenção da poderosa revista Elle, que, apenas um mês depois, dedicou-lhe uma capa e, com ela, deu o empurrão definitivo para sua carreira.

Carreira em Paris, a cidade de sua escolha 

Em 1974, abriu sua primeira loja na Place des Victoires parisiense, iniciando uma longa relação com a França, que o nomeou Cavaleiro da Legião de Honra, em 2016.  Amigo de Andy Warhol e de Antonio López, Kenzo ficou famoso no final dos anos setenta por seus desfiles excêntricos: em 1997, organizou um espetáculo de moda na discoteca nova-iorquina Studio 54, com Grace Jones como mestre de cerimônias e Jerry Hall caminhando na passarela com um cigarro na mão. Também é muito lembrado o desfile realizado sob uma tenda de circo: as modelos mostraram seus desenhos vanguardistas a cavalo, e, no encerramento, o estilista saudou o público montado num elefante. Ele dizia que sua maior influência era “o mundo em que vivia” e que a moda era como comer: “Você não deve se limitar a apenas um menu”.

Em 1993, o conglomerado de marcas de luxo LVMH ―proprietário da Dior, Louis Vuitton e Givenchy― adquiriu sua marca. Seis anos depois, Kenzo se aposentou para se concentrar em seu lado artístico, embora tenha voltado há três anos ao design de tecidos, desta vez para casa, em uma colaboração com a empresa francesa Roche Bobois. “Vendi minha empresa porque o contexto era difícil: um dos meus três sócios morreu, o outro teve um problema de saúde, veio a crise econômica… Mas, naquela ocasião, não imaginei que seria privado do meu nome para sempre. Via vitrines onde aparecia Kenzo, mas não era eu. Foi um longo luto, mas agora lido bem com isso”, assinalou em uma entrevista concedida ao El País, há dois anos.

Sua empresa seguiu em frente e viveu um ressurgimento comercial quando os americanos Humberto León e Carol Lim ―fundadores da rede de lojas Open Ceremony― assumiram o controle da marca em 2011. No ano passado, o estilista português Felipe Oliveira Baptista foi nomeado diretor criativo da grife, que apresentou sua coleção mais recente na quarta-feira passada.

Com informações da Reuters e do El País. 

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