Flávia Correia: João do Vale

João do Vale- Crédito: Google image

João Batista do Vale, nasceu em 11 de outubro de 1934, em Pedreiras, Maranhão. Era de origem bem humilde. Avós escravos e pais agricultores. Do Vale era semianalfabeto, não conseguiu vaga na escola municipal, pois foi retirado para dar sua vaga ao filho de um “poderoso”, registro feito em sua canção “Minha História”. As suas composições fazem referências a história do homem simples, do campo e suas lutas diárias.

Aos 13 anos João do Vale mudou-se para a capital São Luís e por lá vendia laranja na ruas para ajudar em casa e participou de um grupo de bumba-meu- boi, O Linda Noite, como “amo” ( Na cultura popular maranhense, amo é a pessoa que organiza o grupo, o cantador, na maioria das vezes o dono do grupo).

Mas aos 15 anos o compositor fugiu de casa rumo a Teresina, onde conseguiu emprego como ajudante de caminhão. Ele tinha o sonho de ir para o Rio de Janeiro em busca de sua realização pessoal e profissional. Porém, até chegar lá passou por algumas cidades como Salvador, Teófilo Otoni-MG, onde trabalhou como garimpeiro e juntou dinheiro para finalmente chegar até o Rio.

Chegando na capital fluminense, conseguiu um emprego como pedreiro em Copacabana. 

Passou a frequentar assiduamente a Rádio Nacional e tinha como objetivo encontrar artistas que aceitassem gravar suas composições. E em 1953 teve a primeira composição gravada por Zé Gonzaga, o baião “Madalena”, que fez muito sucesso no Nordeste. E as parcerias não pararam por aí. O maranhense convenceu a cantora Marlene a gravar o baião “Estrela Miúda” conseguindo grande visibilidade com essa canção. Com o sucesso de suas músicas, abandonou o trabalho de pedreiro e dedicou-se exclusivamente a carreira artística.

Chico Buarque- João do Vale e Clara Nunes- Crédito: Google image

Seu auge foi na década de 60 quando surgiu o show Opinião, no teatro de mesmo nome na cidade do Rio. Ele participou desse show ao lado de Zé Kéti e Nara Leão. “Carcará”, canção bem conhecida de João do Vale, foi interpretada nesse espetáculo por Maria Bethânia, que fazia sua estreia como cantora, substituindo Nara Leão. A repercussão de Carcará foi tão grande, que em 1965 ele recebeu um convite para gravar seu primeiro disco, O poeta do povo.  Apesar de todo o sucesso, o compositor foi perseguido pela ditadura militar, censurado e forçado a retornar a sua terra natal.

Depois de algum tempo retornou ao Rio de Janeiro em 1980 e através do seu prestígio conseguiu retomar os trabalhos. Em 1982 gravou seu segundo disco ao lado de Chico Buarque.

No final dos anos 80 o compositor teve um acidente vascular cerebral, que o deixou em uma cadeira de rodas e com a fala comprometida. Apesar de ter feito canções de sucesso, João do Vale morreu pobre, quase que esquecido. 

Algumas das suas canções famosas: Carcará, De Teresina a São Luís, Pisa na fulô, Minha História e outras. 

Vários artistas interpretaram suas músicas como: Tim Maia, Miúcha, Chico Buarque, Nara Leão, Maria Bethânia, Tom Jobim, Gonzaguinha, Zé Ramalho entre outros.

Foi um homem simples, lá do sertão, mas que mostrou que não precisava ser “doutor” para deixar o seu recado, sua marca e genialidade.

João do Vale e Gonzaguinha- Crédito: Google Image
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