Douglas Delmar entrevista o poeta português Alberto Cuddel

Alberto Cuddel - Crédito Arquivo Pessoal

Antônio Alberto Teixeira de Sousa, conhecido artisticamente como ALBERTO CUDDEL, nasceu no concelho de Baião, na margem norte do rio Douro, residindo atualmente no concelho de Vila Franca de Xira. Seu primeiro poema foi escrito em 1991. Já participou de várias antologias poéticas. Porém, múltiplos personagens habitam no âmago do poeta e, através da escrita, essas personalidades se manifestam com suas visões de mundo tão diferentes umas das outras. A poesia de Alberto Cuddel contém altas doses de erotismo, paixão, sentimentos intensos, tristeza, saudade e também serve como crítica para problemas tão atuais, como por exemplo a violência doméstica. Conheça mais um pouco dessa alma poética, detentora de muitos “eus”, que derrama suas emoções em linhas bem escritas.

1 – Em que momento a poesia começou a fazer parte da sua vida?

Logo na adolescência em primeiro lugar como uma forma de interpretação, muito induzido pelo meio escolar, na leitura e contacto com as várias expressões poéticas. Depois como uma forma de expressão do sentir que me cercava, uma forma de exorcismo da alma, como que um meio de comunicação com o exterior, quando de outra forma não o consegui fazer. 

 2 – O poeta tem uma visão de mundo muito particular, por vezes sonhadora e lúdica. E é na poesia que busca expressar essa visão. De onde você tira inspiração para escrever?

Não apenas essa visão romancista do mundo, não apenas o sonho e o belo, muitas das vezes eu pelo menos, tento transmitir uma visão nua, muitas das vezes crua, como uma chamada à realidade. Claro que nos debruçamos também no belo, no lúdico, mas muitas das vezes no sofrimento profundo, não apenas no sentir próprio, mas no sentir colectivo. A inspiração para escrever surge da própria vida, de uma notícia, de uma conversa, de uma imagem, de uma observação ou de um pensamento. 

3 – Assim como o poeta Fernando Pessoa, você faz uso de muitos heterônimos para tecer seus versos. Fale-nos um pouco de cada um deles. Esses heterônimos tem alguma relação entre si? Como é dar voz a essas personalidades tão distintas?

Não lhe chego a chamar heterónimos, porque na realidade não são personagens inteiras, completas, com toda a vida definida, mas sim personalidades. Alberto Cuddel quase o eu inteiro. Sírio de Andrade, alguém em constante depressão com tendências suicidas que alimenta uma paixão platónica com Pixys de Andrade, ela que age como farol, que o mantém preso à vida como bóia de salvação. Tiago Paixão, o Playboy do erotismo e sensualidade, sempre ligado às paixões da alma, mas sem uma orientação sexual completamente definida. Joana Vala, uma mulher na casa dos 30 anos que sofre com o abandono sentimental e físico por parte do companheiro, vive em constante carência de afectos. Januário Maria, alguém do contra que diz mal de tudo e de todos, chamando a si a arte do mal dizer, colocando o dedo nas feridas da sociedade. Suicídio Poético, a Violência doméstica contada pela vítima. Dar voz a toda esta complexidade de personalidades é um pouco como construir personagens num romance, procurar e estudar o sentir profundo da complexidade humana. Na poesia não nos escrevemos apenas a nós, mas sim a complexidade da humanidade, alguém em algum lugar já sentiu esse poema. 

 4 – Você já lançou os livros de poemas: Entre Pontos e Vírgula, Poesia! O Silêncio Que a Noite Traz e Como Fazer Amor, além de ter prefaciado obras de outros poetas. Conte-nos um pouco sobre eles. Qual foi a sensação ao escrever e ver sua poesia sendo semeada através do papel? E onde podemos adquirir seus livros?

Os dois primeiros “Entre Pontos e Vírgulas, Poesia!” e “O Silêncio Que a Noite Traz” foram livros escritos por prêmio, o primeiro “Entre Pontos e Vírgulas, Poesia!” é um livro abrangente com poemas entre os anos de 1991 e 2016, basicamente uma mostra do que havia escrito. O segundo “O silêncio Que a Noite Traz” um livro temático, escrito num determinado espaço de tempo, com a particularidade de ter sido escrito de noite, uma poética de solidão, de obscuridade, de reflexão e encontro interior. Por último “Como Fazer Amor” um livro inserido numa colecção, “Poiesis” coordenada pelo poeta João Dordio com a chancela da In-finita.  Um livro que versa todas as formas de expressão do Amor como sentimento. Neste momento, só podem ser adquiridos os livros “Entre Pontos e vírgulas, Poesia!” e “Como Fazer Amor”, comigo e apenas em Portugal. 

Alberto Cuddel - Crédito Arquivo Pessoal

5 – Na sua opinião, qual a importância da poesia para o mundo?

Através da poética podemos traçar quase uma visão histórica de como se vive o sentir humano, quais os sonhos, quais as aspirações de cada época, a poesia é a expressão máxima da alma. É a arte de se poder continuar a espantar diante da visão imaginária das palavras numa interpretação individual segundo a sua herança cultural e afectiva. 

 6 – Além da poesia, quais são suas outras paixões?

Dentro das artes não tenho outras paixões, o que me apaixona é a vida na sua essência. 

 7 – Em tempos de era digital, você também partilha poemas em suas páginas do Facebook, sites de escrita e em plataformas como Wattpad. Como o público da internet reage às suas criações?

Existe diferenças de público e de reacções, nas redes sociais existe uma interacção maior, mas também não tão realista e honesta, prefiro realmente com visão crítica os sites de escrita nomeadamente o blog. Claro que as redes sociais e todos os meios digitais nos favorecem na divulgação da arte, seja ela qual for, favoreceram a democratização de acesso e de leitura. O mesmo meio pode também tornar-se perverso, é necessária uma análise e pensamento crítico sobre a validade qualitativa do público que nos acompanha. 

 8 – Sabemos que Portugal já nos brindou com grandes escritores e poetas talentosos. Há algum autor ou autora do seu país que você admire?

Claro que sim, dos que nos deixaram um legado cultural os mais evidentes com Pessoa, José Régio, Sophia de Mello Breyner Andresen, Florbela Espanca, mas não só, temos neste momento excelentes poetas a escrever inclusive nas redes sociais que acompanho, claro que é necessário reconhecer o legado, mas muito mais é encorajar os valores que se erguem no panorama literário, seja no caso de Portugal, Brasil, Angola país em franco ascendente na produção poética. 

 9 – A poesia é capaz de exprimir todas as nuances da alma humana e dos sentimentos que permeiam nossa existência. Dizem que para o poeta, escrever é tão importante quanto respirar. Você concorda? E falando em poesia, tem planos de lançar um novo livro?

Não diria como respirar, mas como falar, sim. Em mim, escrever é uma necessidade básica de expressão. Sim, existem vários projectos para o próximo ano que ainda não são factos firmados. Mas sim, irão existir mais livros em breve.

 10 – Apesar dos tempos difíceis, é preciso sonhar. Partindo disso, qual mensagem você deixa aos novos autores que sonham em lançar suas obras e partilhá-las com o mundo?  

Toda a poesia é válida, e todos devem sonhar e lutar pelos seus sonhos, acima de tudo todo o poeta deve ter uma visão crítica e lúcida sobre o que deseja ao publicar, deve ler muito e estar aberto ao crescimento pessoal, na escrita e na forma de expressar o que sente, porque a poesia é vida e a vida é a mais bela forma de expressão humana…

Link para páginas pessoais:

http://www.facebook.com/AlbertoCuddel

http://albertocuddel.wordpress.com

Livros de Alberto Cuddel - Crédito Arquivo Pessoal
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3 Comentários

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