André Conrado apresenta Brasília – Terceira Capital do Brasil – Parte 1: sonho de um desbravador

JK Chegando em Brasília - 1956 - Arquivo Publico

Nesta bela viagem, vamos aterrissar em Brasília, a 3ª capital do Brasil, que foi inaugurada no dia 21 de abril de 1960. A ideia de construir uma nova capital partiu do presidente Juscelino Kubitschek (JK), que queria povoar o centro do Brasil e também deixar a capital longe de possíveis ataques marítimos.

Plano Piloto Brasilia - Vera Cruz

Lema do Grande Presidente Juscelino Kubitschek : 50 anos em 5

O presidente JK tinha um lema que era “50 anos em 5”; ou seja, ele pretendia fazer o Brasil crescer em apenas 5 anos (tempo de duração de seu mandato) o que cresceria em 50 anos. Para isso, ele tomou várias medidas, como a construção de estradas, abertura de indústrias de carro, eletrodomésticos e investimento em energia elétrica. Mas, com certeza, a “cereja do bolo”, isto é, a meta mais ambiciosa de Juscelino era a construção de Brasília.

JK chegando no que seria Brasilia - Anos 50 - Arquivo Publico DF

Em 1956, o governo lançou um concurso para escolher o melhor projeto para a construção de Brasília. O ganhador foi o urbanista Lúcio Costa, que desenhou Brasília com a forma de avião e que deu o nome de Plano Piloto. Para concretizar o projeto, foi chamado o grande arquiteto Oscar Niemeyer. Com os desenhos dos principais prédios prontos, trabalhadores vindos de várias regiões do Brasil, principalmente do Nordeste, começaram a construção de Brasília. No dia 21 de abril de 1960, estava pronta a terceira capital do Brasil.

Projeto do Palácio do Planalto - Oscar Niemeyer

O Brasil já trocou de capital três vezes. A primeira como já citamos em matérias anteriores, foi Salvador, Bahia. A cidade foi fundada em 1549 por Tomé de Souza, um português enviado ao Brasil para ser o primeiro governador-geral do País. Na época, o Brasil ainda fazia parte de Portugal. Os prédios de Salvador imitavam os prédios das grandes cidades portuguesas, como Porto e Lisboa (capital de Portugal).

Ouro e nova capital

Por volta de 1700, descobriram ouro na região Sudeste. Com isso, várias pessoas começaram a migrar para as cidades da região, principalmente para o Rio de Janeiro. Porém, a grande riqueza da região causou a cobiça de outros países. Em 1711, uma esquadra com 17 navios e 6 mil homens franceses invadiu o Rio de Janeiro e a cidade foi saqueada. Com medo de novos roubos, o governo português decidiu, em 1793, transferir a capital de Salvador para o Rio de Janeiro – para poder tomar conta da cidade mais de perto e evitar novas invasões.

Em 1808, chega ao Brasil a corte portuguesa comandada por Dom João VI. Esse fato ajudou o Rio a se modernizar e se consolidar como coração (político, econômico e cultural) do Brasil. Porém, já nesse período, José Bonifácio de Andrade defendia que o Brasil deveria ter uma capital no interior do País para garantir a segurança da corte contra possíveis ataques marítimos. 

No entanto, esse desejo só foi realizado mais de cem anos depois, com a inauguração da moderna Brasília.

Foto do início de Brasília - Final anos 50

Durante vários anos pouco se falava na questão, e, na verdade, para tão arrojado plano, naquela época, seria necessário vencer as distâncias com razoáveis estradas de ferro até o mar, exigindo uma tecnologia de que não dispunha o Estado.

Muito embora a constituição de 1934 previsse a interiorização da capital federal e ordenasse que, “concluídos os estudos, serão apresentados à Câmara dos Deputados, a qual tomará, sem perda de tempo, as providências necessárias à mudança”, sobreveio a carta constitucional de 1937 e foram esquecidos tais propósitos. 

Em 09 de dezembro de 1955, o presidente da República em exercício, Nereu Ramos, através do decreto n.38.261 transforma a Comissão de Localização da Nova Capital do Brasil, em Comissão de Planejamento da Construção e da Mudança da Capital Federal, da qual foi presidente, de maio a setembro de 1956, o doutor Ernesto Silva, que, a 19 de setembro, lançou o concurso nacional do Plano Piloto de Brasília.

Hotel Brasília e Presidente JK- Anos 50 - Arquivo Publico DF

Em Jataí, no início de sua campanha eleitoral, Juscelino Kubitschek de Oliveira fora interpelado sobre o assunto da mudança da capital por um popular.

Foto da Família JK

O arquiteto Oscar Niemeyer foi escolhido para chefia do Departamento de Urbanística e Arquitetura, sendo encarregado de abrir concurso para escolha do plano-piloto; assim, em março de 1957, uma comissão julgadora constituída por sir William Holford, Stamo Papadaki, André Sive, Oscar Niemeyer, Luís Hildebrando Horta Barbosa e Paulo Antunes Ribeiro escolheu o projeto do arquiteto Lúcio Costa.

No dia 2 de outubro de 1956, em campo aberto, o presidente Kubitscheck assinou o primeiro ato no local da futura capital, lançou então a seguinte proclamação: “Deste planalto central desta solidão que em breve se transformará em cérebro das altas decisões nacionais, lanço os olhos sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada com fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino.”

No mesmo ano iniciaram-se os trabalhos de construção. Formou-se o Núcleo Bandeirante, onde se permitia maior liberdade à iniciativa particular e foi batizado com o nome de “Cidade Livre”. Especialmente do Nordeste, Minas Gerais e Goiás, principiaram chegar levas de trabalhadores.

Foto dos trabalhadores chegando a Brasilia Anos 50 - Arquivo Publico DF

Assim começamos essa bela série de matérias, que vai nos levar um pouco a história da monumental terceira capital do Brasil! Idealizada por gênios e que protagonizaram a expansão desse nosso gigantesco país. 

Não percam a próxima matéria!

Foto de Oscar Niemeyer e JK - Final anos 50

Fontes:

Arquivo Nacional

Arquivo Público Do Distrito Federal

Instituto Moreira Salles

Fundação Oscar Niemeyer

 

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