Douglas Delmar apresenta a escritora e pioneira feminista Ana de Castro

Ana de Castro Osório - Crédito Fundação Mário Soares

Ana de Castro Osório nasceu em Mangualde, em 1872. Sua aptidão para escrever veio cedo, impulsionada pelo ambiente familiar. É como se a escrita já fizesse parte de quem ela era. Seu irmão, Alberto Osório de Castro, era poeta. Seus dois filhos e netos também enveredaram pelos caminhos da escrita.

A carreira literária de Ana de Castro Osório começou em Setúbal, onde ela escrevia artigos e crônicas para o jornal Mala da Europa. Seu trabalho recebeu elogios do poeta e escritor Thomaz Ribeiro. A partir de 1897 começou a escrever e publicar obras didáticas, contos, romances, novelas e peças infantis. Foi precursora na literatura infantil em Portugal, criando a coleção de 18 volumes intitulada Para as Crianças. Em 1899 publicou o primeiro excerto do romance Ambições, que só seria editado em 1903. Foi o primeiro de uma série de histórias dirigidas ao público adulto.

Aos 25 anos, casou-se com o poeta e membro do Partido Republicano, Francisco Paulino Gomes de Oliveira, em Setúbal. Alguns anos antes, havia recusado o pedido de casamento de Camilo Pessanha. No entanto, manteve uma amizade com o poeta que duraria até a morte deste.

O poder masculino da sociedade portuguesa era dominante. No entanto, Ana de Castro Osório tinha proximidade com o campo republicano e, assim, defendeu seus ideais de igualdade de direitos entre homens e mulheres, refletindo tais ideias em suas obras literárias. Começou a se tornar uma das mais reconhecidas pioneiras em ativismo feminino. Fundou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e o Grupo de Estudos Feministas. Escreveu artigos e organizou reuniões. Tudo em prol dos direitos da mulher. Também colaborou na elaboração da Lei do Divórcio.

Ana de Castro Osório ainda jovem - Crédito Biblioteca Nacional de Portugal

Em 1905, escreveu o livro Mulheres Portuguesas, o primeiro manifesto feminista português, onde soube tecer os mais fortes argumentos para defender a autonomia e a causa das mulheres. Defendia que a educação era o “passo definitivo para a libertação feminina”. Em 1911, a lei portuguesa excluía as mulheres ao voto. Ana de Castro Osório rebelou-se e lutou pelo direito ao voto universal e também pela igualdade de salários. Não tolerava nenhuma atitude de discriminação. Ana de Castro também fazia críticas às mulheres portuguesas que escolhiam o silencio e não se impunham.

Em 1911, o marido foi nomeado cônsul em São Paulo. Ela acompanhou-o. Ministrou aulas e escreveu mais alguns livros, entre os quais Lendo e Aprendendo e Lição de História foram manuais adotados pelas escolas brasileiras e portuguesas. Voltou a Portugal em 1913. Dois anos mais tarde, o país entrou na Primeira Guerra Mundial. Um corpo expedicionário foi enviado para as trincheiras da Flandres. Com isso, Ana de Castro Osório criou as “Madrinhas de Guerra”, com o intuito de levar apoio moral às tropas.

Ana Osório de Castro faleceu em Setúbal, no ano de 1935, mas deixando um grande legado. Foi um exemplo de mulher dedicada a uma causa justa e nobre, dotada de uma mente à frente do seu tempo, contribuindo para a evolução da autonomia feminina e também para a educação. 

Ana de Castro Osório e seus dois filhos - Crédito Biblioteca Nacional de Portugal
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