Douglas Delmar apresenta Maria Severa Onofriano, a precursora do fado

Maria Severa - Crédito Wikipédia

Considerada o primeiro ícone fadista, Maria Severa morreu ainda jovem, aos 26 anos, em 1846. Porém, seu nome entrou para a história e deixou um grande legado para a música portuguesa. 

Filha de Severo Manuel, de etnia cigana e Ana Gertrudes Severo, natural de Ovar, Maria Severa nasceu em 1820 em Lisboa. Conta-se que a mãe, Ana Gertrudes, era uma conhecida e temida prostituta da Mouraria apelidada de “Maria Barbuda” e que a filha havia herdado seu temperamento forte e “briguento”. 

Maria Severa morou em vários bairros de Lisboa como Graça, Bairro Alto e Mouraria, sendo que foi neste último que viveu seus derradeiros dias.

Alguns relatos da época revelam que Maria Severa era uma moça linda, alta e dotada de cabelos muito negros, lábios rubros e, que carregava no olhar uma expressão indescritível. E foi sua beleza que arrebatou a atenção dos boêmios da capital, despertando paixões.

Algumas memórias deixadas por contemporâneos, afirmam que a belíssima Severa, além de cantar o fado, também dedilhava uma guitarra de cravelhas e compunha os poemas que costumava cantar. Percorria os bairros de Lisboa, animando as noites de muitas tabernas, o que fez crescer sua fama.

A beleza física aliada à voz e ao som da guitarra, conquistaram o Conde de Vimioso, um homem garboso e de boa figura na época que se tornou seu amante. Maria Severa apreciava corridas de touros, fato que também a aproximou do Conde, visto que esse era um cavaleiro tauromáquico. Os sentimentos despertados nessa relação foram temas de muitos fados. 

No entanto, o Conde de Vimioso era um homem de coração infiel e aventureiro e, acabou por se apaixonar por uma cigana, abandonando Maria Severa. Tal fato a deixou desnorteada. A essa altura, os sintomas da tuberculose já se apresentavam. Sua força e sua saúde estavam aos poucos se debilitando.

Cartaz do Filme A Severa - Crédito Wikipédia

Em 30 de novembro de 1846, Maria Severa morreu pobre e abandonada, em um mísero bordel da Rua do Capelão. Suas últimas palavras teriam sido: “Morro sem nunca ter vivido”.

Foi sepultada em vala comum, sem caixão, conforme era seu desejo manifestado nos seus próprios versos que cantava:

Tenho vida amargurada

Ai que destino infeliz!

Mas se sou tão desgraçada

Não fui eu que assim o quis.

 

Quando eu morrer, raparigas,

Não tenham pesar algum

E ao som das vossas cantigas

Lancem-me na vala comum.

Em Mouraria, na Rua do Capelão atualmente se encontra o Largo da Severa, onde está a casa que a fadista viveu. Na fachada há uma placa que foi descerrada pela também fadista Amália Rodrigues.

Inspirado pela vida da cantadeira, o escritor Júlio Dantas escreveu a peça de teatro A Severa em 1901, que mais tarde viria a ser transformada em romance, opereta e em filme, realizado em 1931. No filme Fados, de 2007, Maria Severa é interpretada pela fadista Cuca Roseta.

Placa em Memória de Maria Severa - Crédito Câmara Municipal de Lisboa
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