Douglas Delmar entrevista o poeta português Luis Miguel Guerreiro

Luis Miguel Guerreiro - Crédito Arquivo Pessoal

Nascido em Setúbal, LUIS MIGUEL GUERREIRO despertou o gosto pela escrita através de sua família. Afirma que faz “da escrita âncora e das palavras abrigo”. Embora não se considere escritor ou poeta, seus versos tem encantado muitos leitores pela internet e fora dela. Já contribuiu para diversas antologias poéticas e também cursos de escrita criativa. Conheça mais um pouco da trajetória desse poeta filho de alentejanos!

“Passam os dias, 

Os meses, os anos

E menos sei do que sabia

Não quero o saber do mundo

Só almejo…

Saber-me um dia”…

 

Luis M. Guerreiro

1 – Eu soube que seu bisavô foi poeta. Ele serviu de inspiração para você? De que forma? 

Foi sim. Um poeta popular. De enorme sensibilidade, escrevia sobretudo de forma biográfica, suas vivências, a família, como era a vida no Alentejo (uma região no sul de Portugal) e como ele própria sentia tudo quanto escrevia. Existe uma expressão simples, escrita por meu bisavô, que trago comigo sempre, e que procuro expressar na minha escrita – “à maneira que se sente, estas palavras são ditas” – Hilário Isidro

2 – Você esteve presente em diversas antologias poéticas. Conte-nos um pouco sobre elas e qual foi a sensação ao ver suas palavras imortalizadas no papel.

 Tenho tido o privilégio de colaborar junto com outros autores na composição de obras poéticas coletivas. Recordo a emoção da primeira participação, e da minha surpresa, aquando da resposta dos coordenadores da obra, informando de que os meus textos haviam sido selecionados para integrar a antologia.

3 – Seus versos expressam sentimentos de saudade, amor e erotismo. Além desses, quais outros temas você gosta de falar em suas poesias? Há alguma memória em especial que lhe inspira? 

Além dos temas que referiu, que de facto são uma marca da minha escrita, existem outros que abordo. Nomeadamente, a depressão, o desespero, a angústia. Gosto também de escrever fazendo alusão à natureza que me cerca. Vivo numa localidade lindíssima, Setúbal, uma cidade banhada pelo Rio Sado, ladeada pela Serra da Arrábida, e esta envolvência de ordem natural, faz-me escrever vendo aspectos metafóricos relacionados com os mesmos.

Luis Miguel Guerreiro - Crédito Vitor Costeira Fotografia

4 – Tens uma página na internet onde partilha seus poemas. Diga-nos, como é a reação do público em relação ao seu trabalho? E como você reage a elogios e críticas? 

A página na internet, mais especificamente no Facebook, com o meu nome Luís M Guerreiro (facebook.com/luismguerreiroescritor), tem sido uma agradável surpresa. Pessoas de todos os países de expressão portuguesa, demonstram seu apreço pela minha escrita, pelos pensamentos e reflexões. A receptividade e carinho demonstrados, tocam-me profundamente. As críticas, por mais que digamos, nunca nos agradam tanto quanto os elogios. Mas, sem elas, temos tendência a estagnar. A crítica, respeitosa e construtiva pode ser tão importante na evolução quanto o elogio.

5 – Dizem que a poesia nos faz ver o mundo com mais beleza e encanto. Partindo disso, qual é a importância da escrita em sua vida? 

A poesia é de quem a sente. Se a escrevi, e alguém a sentiu, ela não é mais apenas minha, é dessa pessoa também. Só vejo a poesia dessa forma. No despertar da emoção, do sentimento. Se não o faz, não é poesia. E esse tocar de emoções é a razão da escrita existir na minha vida.

6 – Além da poesia, tens alguma outra paixão? 

Tenho sim. A música é outra das minhas paixões. Toco piano e guitarra. Tenho algumas pequenas composições para desenvolver. Talvez um dia as publique também.

7 – Tem planos para novos projetos literários? 

Tenho o sonho, julgo que natural de quem escreve, de um dia lançar um livro a solo. É um projeto que tenho em mente e que aos poucos começa a ganhar forma.

8 – Referindo-se aos autores de Portugal, há algum escritor ou escritora que você admire ou que lhe inspire? 

Alguns, sim. Dos mais clássicos, o meu preferido, Luís Vaz de Camões, também Bocage, Ary dos Santos, Florbela Espanca e no Brasil, Vinicius de Moraes. No panorama atual, Manuel Alegre, Ana Acto, Susana Nunes, Isabel Bastos Nunes, Jorge Palma, Paulo Galheto, são alguns dos escritores que me despertam “coisas diferentes”. Não consigo isolar apenas um. Portugal é país de poetas e saúdo quem ousa fazê-lo.

9 – Sabemos que este ano de 2020 foi difícil para todos. Esse período de pandemia afetou sua criação literária? O que você espera do próximo ano que se aproxima? 

Confesso que não sei o que esperar. Todos fomos apanhados de surpresa. Se por um lado, tivemos o tempo que não tínhamos, a instabilidade vivida não permitiu que se libertassem as palavras, e os temas, com tanta fluidez. Ainda assim considero que tem sido de algum modo prolífico este período no âmbito da criação.

10 – Apesar dos dias turbulentos, a poesia sempre pode ser um bálsamo para alimentar a esperança e consolar a alma. Qual a sua mensagem àqueles que têm amor pela escrita e sonham em partilhar isso com o mundo? 

Existe uma expressão que criei e utilizo para mim muitas vezes. 

“Sou Poeta. Posso tudo…” 

E podemos sim. Poeta não é que escreve de forma irrepreensível. Poeta é o que sente. E se sente, pode tudo. Existe uma infinidade de mundos que pode criar e partilhar. Hoje sei, que outros, têm sensações iguais às minhas, têm sonhos iguais aos meus, têm medos como os que tenho. Desafio cada um, a abrir-se perante uma folha de papel. Talvez a cura e a esperança que tanto procura, estejam ali.

Universo Poético - Coletânea Poética da Lusofonia - Crédito Arquivo Pessoal
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