Nelma Canellas: descobrindo as diferenças entre Champagnes e Espumantes!

Espumante

A França e o champanhe – 1ªParte

Como percebemos, apenas os espumantes produzidos na região de Champagne podem ser denominados champanhes. Essa pequena região — que ocupa apenas 32 mil hectares — foi palco de algumas das principais inovações na produção de espumantes.

Foi lá que, nas últimas décadas do século XVII, o monge beneditino Dom Pérignon revolucionou a indústria vinícola para sempre ao aperfeiçoar os processos de elaboração. Ele conseguiu fazer com que as borbulhas originadas durante a fermentação se mantivessem no líquido, originando uma bebida alegre e delicada.

CHAMPAGNE

Porém, durante o longo trabalho de Dom Pérignon, alguns empecilhos foram encontrados. As garrafas de vidro da época não suportavam tamanha pressão interna, resultando em explosões frequentes. Observando este fato, ele começou a utilizar as garrafas de champanhe como as que conhecemos hoje, com vidro mais espesso, de fundo côncavo e selada com um lacre e rolhas de cortiça . 

Foi também na região de Champagne que a viúva de François Clicquot, Nicole Ponsardin desenvolveu um método para a retirada do fermento de dentro da garrafa (remuage), deixando-a límpida como a que bebemos hoje. Antes dela, os espumantes tinham uma coloração turva e opaca, além de um sabor acentuado de leveduras.

Por estes desafios históricos na elaboração de champanhes e pela qualidade singular das bebidas ali produzidas é que a região francesa ganhou seu posto de destaque no setor vitivinícola, chegando (em 1927) a ser a única autorizada a chamar os rótulos ali produzidos de champanhes.

CHAMPAGNE

A evolução dos estilos de espumante

Alguns séculos atrás, quando os primeiros espumantes foram produzidos, estava em alta no Velho Mundo o consumo de bebidas bastante adocicadas. Na época, eram adicionadas quantidades elevadíssimas de açúcar à bebida (cerca de 200 gramas por litro), próximas àquelas presentes nos refrigerantes modernos.

Finalmente, no século XIX, os ingleses estavam entre os maiores consumidores das casas de champanhe francesas. Cansados de tamanha doçura, os ingleses desejavam uma bebida mais sóbria, tornando-se mais condizente com a personalidade e o paladar britânicos.

Foi para esse público que Madame Louise Pommery criou os primeiros espumantes secos. Esses rótulos receberam a denominação Brut que, em francês, indica algo bruto, em seu estado natural. Apesar da denominação, essas garrafas ainda recebiam cerca de 20 gramas de açúcar por litro.

Com o passar do tempo, o paladar dos consumidores adaptou-se e essas concentrações foram caindo até que, hoje, segundo a legislação francesa, os espumantes brut possuem aproximadamente 12 gramas de açúcar por litro.

Espumante  

Os métodos de produção do espumante

Como sabemos, o vinho é a bebida produzida a partir da fermentação do mosto da uva. Durante esse processo, microrganismos chamados de leveduras — presentes naturalmente na casca da uva ou podendo ser adicionados — consomem os açúcares naturais da fruta, produzindo gás carbônico e álcool.

Mas você certamente já reparou que, ao abrir uma garrafa de vinho não espumante, não há presença alguma de gás. Isso acontece porque, via de regra, esse gás é perdido para a atmosfera durante a fermentação.

Assim, para criar as borbulhas tão desejadas nos espumantes, o vinho sofre uma segunda fermentação , na qual recebe a adição de um líquido açucarado chamado licor de tiragem. Além do açúcar, essa bebida tem a presença de leveduras fazendo com que produzam uma pequena quantidade de álcool e gás carbônico que, dessa vez, será retido. Após o término do açúcar, tendo em vista que as leveduras já o consumiram, o espumante deverá ser finalizado para chegar até os sortudos consumidores.

A finalização do espumante consiste em retirar os resíduos de leveduras e adicionar o licor de expedição para classificar os espumantes de acordo com a quantidade de açúcar dissolvida no líquido. Ressaltando, licor de tiragem é para gerar borbulhas (açúcar + leveduras) e o licor de expedição é para dosar a doçura no nosso paladar (somente açúcar, sem leveduras).

Após sabermos de todos estes detalhes, vale lembrar que, para a elaboração dos espumantes, podemos adotar três métodos: o método Chatman, o método Champenoise  — também chamado método Tradicional , e o método Asti, usado na produção do espumantes de Sobremesa (doces).

CHAMPAGNE
Compartilhe nas redes sociais
Publicação Anterior

Xandy Novaski: Jeniffer Setti, a Jey, lança música que exalta a mulher

Próxima Publicação

André Conrado apresenta São Paulo: A Grande Metrópole – Parte final

44 Comentários

Deixe um comentário.

O seu endereço de e-mail não será publicado.