André Conrado: Manaus, a capital da riqueza sem fim!

Vista de Manaus 1865 - credito Albert Firsh - Instituto Durango Duarte

Iniciando 2021 com os melhores votos para um ano muito abençoado, desembarcamos na capital do maior estado brasileiro! Manaus

Quando o Brasil passou a se tornar colônia portuguesa com a assinatura do Tratado de Tordesilhas, o território do Amazonas ainda estava sob domínio dos espanhóis.

Cantino planisphere- Meridiano de Tordesilhas -1502- Imagem Biblioteca Estense -Domínio Publico

Francisco de Orellana, em busca de ouro, foi o primeiro homem branco a explorar todo o comprimento do rio que, mais tarde, receberia o nome de Amazonas, que significa “ruído de águas, água que retumba” em idioma indígena.

Por volta de 1541, Orellana encontrou uma tribo de Icamiabas, índias guerreiras que protegiam a região e seus bens naturais, e acabou travando uma sangrenta batalha contra elas. Entretanto, as tropas espanholas foram facilmente derrotadas pelas estratégias belicosas da tribo.

O fato foi narrado ao rei da Espanha Carlos V, que ficou interessado em extrair as riquezas naturais do local. Motivado pelos relatos de Orellana, o rei ordenou uma nova expedição em 1561. Apesar de conseguir dominar o território, o comandante da missão Pedro de Ursua foi assassinado pelo sucessor Lope de Aguirre, que acabou tornando-se vítima de um delírio por conta do clima tropical. Segundo registros históricos, Aguire também foi responsável pela morte de sua filha de 15 anos, além de ter dizimado vários índios.

Com o êxito espanhol, diversas nações europeias tentaram adentrar o território amazonense para explorar a madeira local. Portugal, França, Holanda e Inglaterra se sentiram livres para invadir o Amazonas e extrair especiarias como cravo, guaraná e resinas – além da madeira.

A assinatura do Tratado de Madrid, em 1750, tiraria da Espanha o domínio da imensa área do Amazonas. Os portugueses trataram de construir fortalezas na região para evitar a invasão de estrangeiros, formando, em 1755, a Capitania de São José do Rio Negro. Desta forma, o território amazônico faria parte do Estado do Pará e tinha como capital a cidade de Barra do Rio Negro, onde fica a cidade de Manaus.

Fortaleza do Rio Negro 1756 - Arquivo Nacional

Após a proclamação da Independência, já no segundo império, D. Pedro II estabeleceu a Província do Amazonas e separou a região do estado do Pará. Com a ascensão do uso da borracha como matéria-prima, o rio Amazonas ficou aberto para navegações internacionais a partir de 1866.

Ciclo da Borracha - Inicio séc XX - A Nossa Amazônia

Sem trazer retornos financeiros a curto prazo, os investimentos em Manaus foram congelados por um tempo, suscitando em manifestações de pequenos grupos que habitavam a região. Os indígenas ainda eram maioria e estavam ameaçados por tropas de resgate escravocratas, muitas vezes chegando a ser cruelmente exterminados.

Foto Indigenas - Instituto Durango Duarte

No período de 1890 e 1910, a grande procura pela borracha atraiu imigrantes e povoados do Nordeste para a capital amazonense, que sofreu transformações significativas em infraestrutura e demografia. Foram construídos os primeiros sistemas de telefonia, bondes elétricos, um saneamento básico mais desenvolvido e um porto flutuante.(Foto 7 Palácio Manaus)

Depois da queda pela demanda de borracha, o Amazonas sofreu um déficit econômico que só seria novamente estabilizado por volta da década de 1950, com investimentos do Governo Federal. Em 1967, foi criada a Zona Franca de Manaus, que deu impulso à entrada de indústrias na região.

Maior estado do território brasileiro, o Amazonas, atualmente, tem 62 municípios e uma população de cerca de 2,4 milhões de habitantes.

Na próxima edição contaremos a história do belo Theatro Amazonas, símbolo do apogeu da riqueza amazonense!

Panorama de Manaus 1890 - crédito George Huebner - Brasiliana Fotográfica

Fontes: 

            Manaus Antigamente

            Instituto Durango Duarte 

            Arquivo Nacional

            Instituto Moreira Salles

            Braziliana Fotográfica

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