Ana Jardim: 'Era uma vez uma poetisa' - Parte I

Como primeira matéria de 2021, escolhi falar de alguém muito forte, simples, sincera, guerreira, sensível e exemplo, principalmente para as mulheres. 

Sua história é tão deslumbrante que vou contá-la aos poucos. 

Vamos lá? 

Sei que vão adorar!

Eis que há mais de um século, em 1889, nasceu Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, em Goiás Velho, antiga capital do estado de Goiás, na época do Império.

Apesar de ser filha de um desembargador, ela cursou apenas até a terceira série do curso primário. 

Mas isto não impediu que aos quatorze anos, Aninha começasse a publicar seus poemas e contos, usando o pseudônimo Cora Coralina, que adotou devido à pressão familiar.

Em 1910, seu conto Tragédia da Roça foi publicado no Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás. 

Em 1911, fugiu para o interior de São Paulo com o advogado divorciado Contídio Tolentino, com quem teve seis filhos, dos quais dois morreram ao nascer.

Em 1924, a família mudou para a capital do estado, onde Cora viveu a maior parte de sua vida.

Dez anos se passaram e, aos quarenta e cinco anos de idade, Cora Coralina ficou viúva e precisou começar a trabalhar para sustentar a família.

Com isto ela foi colaboradora do principal jornal do estado de São Paulo e começou a vender livros.

Esse trabalho reacendeu sua paixão pela literatura, mas a publicação do seu primeiro livro só aconteceria trinta anos mais tarde. “Poemas dos becos de Goiás e estórias mais.”

Carlos Drummond de Andrade classificou a obra como um livro comovedor e com uma linguagem simples e singela. 

O famoso escritor começou a chamá-la de Diamante goiano, o que bastou para que Cora Coralina alcançasse projeção nacional.

 A partir daí, a fama chegou rapidamente, mas não era este seu propósito.

Com os filhos já criados, em 1975, ela voltou a sua terra natal para inventariar os bens da família.

 O reencontro com o passado impulsionou seu desejo de ficar. 

Com poucos recursos, passou a se sustentar a partir da produção e venda de doces.

“Sou mais doceira e cozinheira do que escritora, sendo a culinária a mais nobre de todas as artes.” 

Cora Coralina, esta mulher que foi muito adiante de seu tempo, nos deixou muitos ensinamentos através de seus contos, poemas e poesias.

Eu quis começar o ano de 2021 falando dela, para nos ajudar na travessia destes tempos nebulosos com mais coragem e pureza na alma e no coração.

Que 2021 seja um ano de muita força, sabedoria, paz e união para todos os habitantes do planeta Terra.

Com todo o meu carinho,

Ana Jardim.

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