Xandy Novaski entrevista o chanceler, crítico de música erudita e acadêmico Luís Roberto Von Stecher Trench

LUÍS ROBERTO von STECHER TRENCH - Crédito Arquivo Pessoal

LUÍS ROBERTO von STECHER TRENCH é proponente de um trabalho raro na música. Chanceler, Crítico de Música Erudita e Acadêmico, ele tem sua assinatura em mais de vinte jornais (brasileiros e estrangeiros), com críticas traduzidas até para o russo e armênio. Foi diretor e presidente do júri da Associação dos Críticos de São Paulo (hoje como presidente do júri de música erudita) e também deixou sua marca registrada na Sociedade Brasileira de Musicologia. Atualmente preside as Academias de Música e de Musicologia do Brasil. Conheça um pouco mais sobre a trajetória desse profissional ímpar e sua importância para a arte em nosso país!

1 – Seu trabalho como chanceler e crítico tem, como proposta principal, notabilizar o músico erudito brasileiro. Como tem sido evidenciar o compositor, o maestro e o intérprete dessa vertente num país que não tem a música erudita como tradição?

Nós temos uma tradição musical que remonta o Século XVIII e já com prenúncios dos Séculos XVII e XVI. É um trabalho bastante extenuante. Não diria difícil porque, graças a Deus, as coisas sempre deram certo. Mas mesmo assim me dediquei com grande afinco. Modéstia parte é raro um trabalho como o meu na música brasileira. Os críticos antigos da época do Mário de Andrade, Renato Almeida, Luís Heitor, Caldeira Filho, tinham-se a análise como o ideal e é o que eu procuro continuar nos dias de hoje, embora solitário. Fui diretor e presidente do júri da Associação dos Críticos de São Paulo e, com muita obstinação, fiz centenas de indicações de música eruditas, maestros, regentes, principalmente compositores. Participei da Sociedade Brasileira de Musicologia, escrevi em mais de vinte e oito jornais, inclusive do exterior, fora a articulação que fiz junto a maestros, diretores de faculdades, músicos e intérpretes pra que fizessem música brasileira. É um trabalho único de quarenta anos pra cá. Depois que os grandes críticos morreram, creio que o único grande crítico foi o doutor José da Veiga Oliveira, e também no Rio de Janeiro o Eurico Nogueira França. 

 

LUÍS ROBERTO von STECHER TRENCH - Chanceler de Honra do Brasil 2012 - Crédito Arquivo Pessoal

2 – Quando ouvimos a música erudita, automaticamente o poder desse som nos leva à Europa. E por falar na música erudita brasileira, ela permaneceu durante muito tempo presa à matriz europeia. Quando foi que ela ganhou asas próprias?

Eu creio que essa matriz europeia foi até ao nosso favor, sempre um pouco desfigurada num bom sentido. Por exemplo, o padre José Maurício, que era contemporâneo exato de Beethoven, e foi nosso primeiro grande gênio, já fazia uma música no estilo de Mozart com veleidades brasileiras. Ele também era um mestre da modinha, escreveu a famosa “Beijo a mão que me condena”… Então, eu acho que nós sempre estivemos bem servidos nesse sentido de compositores que sempre fizeram a coisa à sua maneira com personalidade, mas com influência, o que se poderia dizer, na época, que era música brasileira. O padre José Maurício é do tempo de Dom João VI. Então, acho que pela época e tendo sido quem foi com essa bagagem toda de erudição europeia, ele foi muito brasileiro. Nesse sentido não temos o que reclamar. E a coisa continuou não tão europeia. Como você disse: matriz europeia, mas com muita brasilidade. Por exemplo, com Carlos Gomes, a coisa ali afunila muito, é bem brasileira. Não é só o assunto da ópera “O Guarani” que fez tanto sucesso e estourou no teatro Escala de Milão, que foi o templo da ópera, mas a própria música. O próprio Giuseppe Verdi dizia que havia ritmos originais naquela música. Então, Carlos Gomes era, na possibilidade da época, bastante brasileiro na sua linguagem musical. Era o máximo que um compositor poderia fazer naquele tempo. E olha que Carlos Gomes é o nosso orgulho perante o mundo. O que hoje é o Pelé para nós, Carlos Gomes foi à sua época. Seu nome projetou o Brasil no mundo inteiro pela primeira vez. Uma primazia histórica. E voltando aos compositores a posteriori e que teriam fixado mais o nacionalismo, devemos isso a dois: ao paulista Alexandre Levi e ao cearense radicado no Rio de Janeiro, que estudou na Europa e regeu a filarmônica de Berlim que é o Alberto Nepomuceno. Eles fixaram mais o nacionalismo no sentido da insistência dos assuntos nacionais, ritmos mais estilizados. E daí pra frente vem o gênio que abriu como furacão nacionalista, que foi Villa-Lobos.

3 – Você é Presidente das Academias de Música e da Musicologia do Brasil. É um patamar alcançado por poucos. Quais foram os percursos trilhados até chegar a esse escalão?

Os caminhos são: a honestidade, o conhecimento, estudo e cultura, erudição e idealismo. Estou aqui para construir um Brasil melhor. Não me adianta ver um país com baixa autoestima como a gente vê. Temos o ouro na mão, mas baixamos a cabeça para tudo que vem de fora, não valorizamos os grandes e perenes valores, e estamos atrás do besteirol que a mídia impõe. O brasileiro precisa acabar com o materialismo, pois existe algo muito maior que isso. Cada qual tem que fazer sua parte, na procura da melhoria para seu país, seu estado. Educação, profissionalismo, querer fazer algo bom, esse é o caminho. Em São Paulo sou um dos membros do Colégio de Consultoria de Cultura do Governo do Estado, são vinte e três anos na Associação de Críticos de Arte, hoje como presidente do júri de música erudita. Também no atual prêmio Carlos Gomes, do Estado de São Paulo eu indiquei muita gente.  Na banca julgadora do prêmio Eleazar de Carvalho nós cuidamos de jovens regentes, jovens maestros, intérpretes. Os jornais para quais escrevo, no Estado de São Paulo e em outros, os estrangeiros, alemão, japonês e italiano, há críticas minhas, algumas traduzidas até para o russo e armênio. Presido a Academia de Música do Brasil e a Academia de Musicologia do Brasil. Temos dezenas e dezenas de membros tops da música erudita nacional. Temos muito orgulho de presidir essas academias que estão tendo, cada vez mais, projeção nacional e internacional. É o bom nacionalismo, valorizar e mostrar para o mundo o que é nosso.

LUÍS ROBERTO von STECHER TRENCH e WAGNER TISO - Crédito Arquivo Pessoal

4 – Você também já presidiu importantes prêmios nacionais de música. O que falta, em sua opinião, para que o nosso jovem de hoje preste mais atenção na música erudita?

O jovem está bem ligado na música erudita. E eu tenho muito orgulho em participar disso. A divulgação que eu tenho feito pela internet tem alcançado dezenas de milhares de pessoas, e grande parte delas são os jovens. Eu tenho muitos amigos no Facebook e muitos seguidores. São nove perfis, trinta e cinco páginas, todas elas dedicadas a compositores mais dezenove grupos. Modéstia parte, a divulgação que estamos fazendo na internet há tantos anos, e também nos jornais, palestras, prêmios, rádio, televisão, tem influenciado muito nesse sentido. Fomos e ainda somos jovens. Estamos nisso há vinte cinco anos. Tem muito jovem atrás da boa música clássica e interessado na boa música clássica brasileira. Existem artistas que eu apoiei na época, como o célebre João Carlos Martins, que está fazendo uma baita divulgação junto à juventude, inclusive aos mais necessitados. As orquestras que ele arregimenta são basicamente feitas de jovens. Nós temos o Artur Moreira Lima que, com seu caminhão, seu piano, tem levado a música clássica para muitos rincões do Brasil. Acredito que, do Amazonas ao Rio Grande do Sul, de cada três jovens, pelo menos dois já tiveram acesso e sabem o que é música clássica. Isso não significa que todos gostem. E desses três, eu diria que pelo menos um gosta.

5 –  O Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) o teve como Presidente do Júri de Música Erudita por 23 anos. São nesses momentos que notamos o quanto esse gênero musical está enraizado na nossa terra, mesmo que poucos saibam de sua trajetória e importância. Por que a grande mídia não escancara toda essa dimensão, tão importante para nossos jovens e continuidade da música erudita?

Eu concordo contigo que a mídia não escancare o assunto, mas a mídia tem divulgado. A maioria das pessoas não lê. Todas as votações das quais eu participei como presidente, elas foram divulgadas na Folha, no Estadão, no O Globo. São muitos jornais e nem todo mundo tem tempo de ler todos os cadernos de cultura, então, a multimídia é enorme e o brasileiro tem um pouco de preguiça em ler. Eu não diria que está ruim a divulgação na grande mídia, mas poderia ser muito melhor. Sócrates dizia que a sabedoria faz a maiêutica na alma humana. Maiêutica é quando desperta a sabedoria que o discípulo já tem e não sabia. E a música clássica, e isso é a minha opinião, faz exatamente isso. Desperta coisas na alma da pessoa que ela nem sabia que tinha. O poder da música é imenso, e é um poder pedagógico. A música erudita é educativa, cem por cento. 

 

LUÍS ROBERTO von STECHER TRENCH e o Maestro ISAAC KARABTCHEVSKY - Crédito Arquivo Pessoal

6 – Por falar em mídia, sua colaboração na nossa imprensa como crítico (Folha da Tarde, O Estado de São Paulo, Correio Popular, Jornal Vale-paraibano) e também na estrangeira é notável. Como é levar a nossa música erudita para o conhecimento do mundo?

Para mim é uma atividade de imenso prazer, uma missão que Deus me deu e da qual eu venho desincumbindo com relativa facilidade. Nunca tive dificuldade de escrever. Meu pai me ensinou a escrever e ler aos quatro anos. Sempre li muito na infância. Tive uma vida de muito estudo. A expressão através da escrita, no meu caso, é ainda mais fácil do que a verbal. Então, me sinto em casa escrevendo, traduzindo em palavras e pedagogizando, ou seja, ensinando as pessoas toda essa importância da música erudita, o porquê de ela existir, o seu papel na sociedade, e inclusive lembrando a existência dela há muitos. Considero isso uma missão que Deus me conferiu. 

7 – Sua trajetória na música o tornou Imortal, tanto na Academia de Música do Brasil (na cadeira 01), cujo patrono é Heitor Villa-Lobos, quanto na Academia Internacional de Música na Cátedra, cujo patrono é Bidu Sayão. Explica pra gente: quais são as ações de um Imortal e que vão além do título?

Sou acadêmico imortal em três academias. Na verdade são quatro. Ocupo a cátedra cujo patrono é Villa-Lobos na Academia de Música do Brasil, ocupo a cátedra cujo patrono é Bidu Sayão na Academia Internacional de Música, ocupo a cátedra cujo patrono é Vasco Mariz, embaixador e musicólogo na Academia de Musicologia do Brasil, e também sou membro internacional do Núcleo Acadêmico de Letras e Artes de Lisboa. Existem outros títulos importantes: também sou membro do Comitê Internacional da Franz Liszt Foundation de Paris e, entre outros títulos internacionais, durante muito tempo eu exerci atividades na International Society the of Contemporânea Music (Sociedade Internacional de Música Contemporânea) que fica em Londres e continuo membro. Fora a ligação da gente com outras entidades. Por exemplo, na Unesco de Paris eu sou um membro amigo, diria correspondente.

MATÉRIA EM JORNAL ITALIANO SOBRE OS EMBAIXADORES DA MÚSICA - Crédito Arquivo Pessoal

8 – Você está em contato com os compositores, maestros e intérpretes da música erudita, mesmo que com o devido distanciamento social devido à covid-19. Como esse pessoal está se virando em tempos de pandemia?

A pergunta é muito extensa e subjetiva porque diz respeito à carreira individual de cada músico. Aqui no Brasil os músicos eruditos têm inúmeras atribuições. A pessoa tem que militar em diversos setores. Muitos ensinam em universidades ou são professores particulares, participam de produções de discos, arranjos, maestros que fazem arranjos para televisão, composição para filmes, salas de concertos, óperas, cantos, recitais dos mais diversos instrumentos… Então, é algo extremamente variegado. Muitos, nessa época de pandemia, têm, graças a Deus, o seu bom salário do qual não é negado. Outros são titulares e também não deixam de ganhar o seu dinheiro. O que acontece é que muitos que possuem uma situação instável ficam um tanto quanto à deriva. Mas eu quero crer, pelo que eu conheço, e conheço a maioria dos músicos, que a situação não esteja assim tão grave, pelo menos pra sessenta por cento. Esses quarenta por cento que estão mais atingidos pela situação, têm casa para morar, e etc. Em crise, entre quarenta e cinquenta por cento estão instabilizados. 

9 – A música erudita atravessou gerações, décadas e séculos. Ou seja, tem um poder atemporal. Podemos dizer que ela é IMORTAL?

Usando da franqueza pela qual me caracterizei como pessoa e crítico, eu diria que foi a coisa mais sábia que você mencionou nesta entrevista quando apontou sobre a imortalidade da música clássica. Conforme disse Cristo a Pilatos: “Tu o disseste!”. Ou seja, você falou! Realmente a música erudita tem o poder da imortalização de si própria que é uma coisa fantástica. Por exemplo, Johann Sebastian Bach, que nasceu em 1685 e faleceu em 1750, Beethoven que nasceu em 1770 e faleceu em 1827, Mozart que nasceu em 1757 e faleceu em 1791, morreu muito jovem, aliás, todos eles… Veja bem… Olha o tempo que passou e como eles estão presentes na vida de bilhões de pessoas no mundo inteiro! O poder de imortalidade da música clássica é único. Só ela tem isso entre todas as artes musicais do planeta, com todo amor e respeito a musica popular.  

MATÉRIA DE CAPA NO SEIKYO SHIMBUN DE TÓQUIO, UM DOS JORNAIS DE MAIOR TIRAGEM DO JAPÃO - Crédito Arquivo Pessoal
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