Xandy Novaski entrevista a atriz Ana Clara Brenandi

Foto: Arquivo Pessoal

ANA CLARA BRENANDI iniciou a carreira artística no Ballet. Ainda na infância marcou a região em que morava em Bangu com um pequeno circo improvisado. E hoje, vivendo uma das personagens centrais no filme “Rocinha – Toda História Tem Dois Lados”, Ana Clara entende os caminhos percorridos como um grande aprendizado que moldou a atriz até aqui. Conheça um pouco mais sobre sua carreira e seu novo trabalho na série “Sobrevivendo ao Inferno”, com exclusividade para a Revista do Villa!

Foto: Arquivo Pessoal

Não tem como iniciar a nossa entrevista sem apontar a sua personagem Milena no filme “Rocinha – Toda História Tem Dois Lados”. Como foi o processo de construção da personagem?

Então, a Milena é uma personagem grandiosa, ela foi crescendo dentro do filme. Mas antes de tudo, ela começou a crescer dentro de mim. A construção da personagem foi aos poucos, com cuidado, carinho, atenção, estudo e principalmente bastante respeito por essa personagem. Uma vez, conversando com uma pessoa especial onde eu estava passando por um momento difícil de construção desse personagem, eu falei que não tinha nada dela em mim, então, eu ouvi dizer, “Você pode achar não tem nada parecido com a Milena, mas já sentiu na sua vida pessoal todos os sentimentos que ela sente. Então vocês já têm muitas coisas em comum” Grande Sérgio Penna!

Essa intensidade da qual você transfere às suas personagens também poderá ser vista brevemente na série “Sobrevivendo ao Inferno”. Sei que não pode falar muito sobre a produção, mas conta pra gente: como surgiu o convite?

Realmente é incrível como eu coloco intensidade! Mas falando sobre a série, sim, sim e sim: é uma história impactante, uma personagem forte que vem com uma carga de intensidade muito grande e uma responsabilidade enorme também. Vamos falar sobre presídio feminino. O convite surgiu através do filme “Rocinha”. A diretora e autora do filme e da série me chamou para um teste e fez esse convite muito especial.

A atriz Ana Clara Bernandi em "Rocinha, toda história tem dois lados. Foto: Arquivo Pessoal

Como são realizadas as tomadas em tempos de pandemia?

Difícil e diferente. Com elenco reduzido e produção reduzida. Mais desgastante e cansativo. Sempre tomando cuidado. É engraçado que às vezes a gente esquece por uns segundos da pandemia e a produção já vem espirrando álcool no seu corpo todo, até no pé (Risos). Máscara só tira para gravar. No calor, é perrengue, ainda mais por estarmos gravando dentro da Rocinha. O cuidado é triplicado também.

Sua carreira começa com o Ballet. Quais são os diferenciais que a dança lhe trouxe para a carreira de atriz?


Sim, acho que tá tudo muito conectado. A arte em si é muito conectada com todas as partes que possui nela. A dança trouxe para mim grande parte de posição corporal, de disciplina (que é bem difícil) de delicadeza. Eu sou suspeita para falar sobre isso. Tudo é dança. Você abaixar para pegar um biscoito tá fazendo um movimento dentro da dança, um olhar, um passo diferente. Tudo é arte, o mundo ainda vai descobrir isso. É lindo!

O palco lhe deu de presente alguns musicais como “O Corcunda de Notre Dame” e “Peter Pan”. Como é trabalhar o corpo para interpretar, cantar e dançar, tudo ao mesmo tempo?


Eu, Ana, particularmente amo dançar cantar e atuar ao mesmo tempo, mesmo sendo bem complexo. Mas acho que quando você tá ali se entregando de cabeça e fazendo por amor tudo fica muito mais fácil e prazeroso. Nesses dois musicais eu só dancei e atuei. Não cantei. Porém, foram um dos presentes mais especiais que a arte me deu. Principalmente “Peter Pan” e olha que eu era uma FLOR (Risos). Fui linda e bela achando que ia ser a Sininho e voltei pra casa chorando por ser uma flor. Essa história é demais. Foi em 2005. Não esqueço. Logo depois inventei de fazer um espetáculo na minha rua que eu ia ser a Sininho e pronto (Risos).

Foto: Fer Suhett

A sua paixão pela arte é tamanha que, paralelamente ao Ballet, você agitava na região onde morava. Ou seja, chegou a construir um mini circo com a ajuda de seu pai. Como foi que essa maravilha foi erguida na sua e na vida de tantas crianças?


O circo, hahaha! O circo começou quando um circo (Koslov – acho que é assim que se pronuncia) foi até meu bairro, lá em Bangu onde eu morava e fui criada. Eu não sabia direito o porquê de sentir tanto amor e tanta vontade de ser a “Laura”, uma das meninas que faziam o número do trapézio. (Detalhe: o nome da minha cachorra, que anos depois eu coloquei de Laura, foi por conta dessa menina) Eu chorava querendo ir embora com eles, mas não existiam possibilidades disso, é claro. E também não existia a possibilidade de fazer aula de circo, por morar em Bangu e não achar escola de circo nem de teatro naquela época por lá. Tudo era muito longe e muito caro. Foi quando minha prima Letícia se apaixonou por um dos palhaços desse circo. BINGO! Eu não sou boba nem nada, aproveitei essa paixão e perguntei se ela queria fazer um circo igual, eu seria a Laura e ela o “Batatinha (Lucas)” o nome do palhaço. Ela aceitou na hora e começamos a preparar nosso circo. Fizemos teste com as crianças da rua. Montamos nosso circo, peguei roupa do Ballet, ela se pintava toda. Montamos com tudo com o que tínhamos em casa. Menos o trapézio improvisado pelo meu pai. Ah! E detalhe: aprendi a usar o trapézio sozinha, sem ferimentos (Risos). Ensaiava a semana toda depois da escola no trapézio e o número dos palhaços, que eram o Batatinha e o Rolinha. No caso o Rolinha era eu, hahahahaha! Eu fazia de tudo no nosso mini circo. As crianças ficavam loucas e iam assistir a gente, mesmo muitas vezes dando problema. E também começaram a se interessar e querer participar do nosso circo. Inclusive, eu e minha prima éramos o número mais esperado. As duas lá, duas palhaças. É uma história muito grande. Estou tentando resumir. Uma marca muito grande que todos lembram, da família à minha rua de Bangu.

Sabemos que há um poder do circo sobre as pessoas, algo mágico e insubstituível. Que magia é essa que só o circo tem que nos encanta e não há como fugir dela?


Eu não sei te responder. Quando é sentido é difícil de ser explicado. Mas eu acho que a gente não escolhe por essa “magia”, mas sim, ela nos escolhe para fazer parte dela e senti-la, porque não é qualquer um que sente o que de fato o circo passa para nós. Você apenas assistir é maravilhoso. Agora, você entrar dentro daquele espetáculo não tem palavra que defina. Realmente é mágico, encantador!

Bastidores do filme "Rocinha, toda história tem dois lados"

Você possui formação em Artes Cênicas tendo como alicerce escolas geridas por dois grandes atores e diretores que é a Cininha de Paula e o Wolf Maya. Estudar com quem entende de câmeras e televisão diminui o caminho na hora de fazer testes?

Não, não diminui o caminho de forma alguma. Inclusive, você se sente até mais cobrado por si mesmo. Pelo menos eu, Ana Clara. Estudar na Cininha de Paula e no Wolf Maya não trouxe nada além de estudo, aprendizados e bastante conhecimento. Talvez diminua o caminho pelo fato de você aprender tanto nessas escolas. Eu até hoje uso tudo que aprendi com eles. Tudo que sei profissionalmente falando, vieram deles. Sou grata por isso.

Quais são seus planos após a série e o filme?

Então, minha vida tá uma loucura, são tantas coisas acontecendo, tantas coisas mudando, meu primeiro trabalho profissional já vindo com uma das maiores personagens do filme, uma grande responsabilidade. A série, uma das protagonistas. Assim… Até agora minha ficha ainda não caiu e eu não sei como vai ser. Mas posso dizer que meus planos continuam os mesmos. Crescer mais e mais, conquistar trabalhos que sempre sonhei. Não parar, sabe?! Só penso em crescer profissionalmente e conseguir bastante trabalho. Entrego nas mãos Daquele que guia e sempre me guiou, o Dono da minha vida, Jesus Cristo. Ele sabe o que é melhor para mim e eu confio nos planos Dele sobre a minha vida. Toda honra e toda glória é dada a Ele.

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