André Conrado: Belém do Pará. A alegria e beleza da cidade morena! Parte 1

Vista da Provincia do Belém do Grão Pará - 1825 Fonte Spix e Martins - Arquivo Nacional

Nesta linda expedição a rica região norte do nosso país, iremos desembarcar na exuberante cidade das mangueiras, um verdadeiro sonho para quem gosta de história.

 Belém, a capital do Pará, completou 405 anos de fundação , fundado em 12 de janeiro de 1616 por portugueses, às margens da baía Guajará. É uma cidade histórica e portuária localizada na Amazônia Oriental,  ao extremo nordeste da maior floresta tropical do mundo. A terra do carimbó, das belas praias e do Círio de Nazaré, também é conhecida por ostentar construções centenárias e da ação de pessoas que não deixam esse belíssimo legado morrer.

A primeira rua de Belém e Forte do Presépio

Vista de arrimo na rua Siqueira Mendes - Séc XIX - Belém antiga - Instituto Durango Duarte

O centro histórico de Belém, no Pará, é um passeio pelo passado cultural do Brasil. Para começar um passeio turístico na cidade é preciso visitar a Rua Siqueira Mendes, localizada na Cidade Velha. O local é considerado o primeiro logradouro na antiga vila. A rua passa ainda pelos bairros Ponta Grossa e Cruzeiro.

Iniciamos por um passeio pela Cidade Velha de Belém também , o bairro possui construções que resistem ao tempo e mostram a beleza arquitetônica da Belle Époque. Ao lado da Rua Siqueira Mendes está o Forte do Castelo, conhecido também de Presépio, um marco da fundação de Belém. A obra foi erguida no século XVII e no início era de madeira. O nome Forte do Presépio se deu em alusão à partida da Frota de Castelo Branco do Maranhão em 25 de dezembro de 1615.

Foto do Forte do Castelo Inicio séc XX (Presépio) credito Universidade Federal do Pará
Mapa Colonial -Belém do Grão Pará - Séc XVII - Arquivo Nacional

A quantidade de nomes que o Forte do Presépio teve pode ser justificada pelos acontecimentos que caracterizaram sua fundação. Após vencer os franceses no Maranhão em novembro de 1615, os portugueses chegam à Amazônia já de olho na movimentação de ingleses e holandeses, que haviam iniciado aproximação com os indígenas para aproveitar o potencial da imensa região amazônica. A Coroa Portuguesa, então, confiou a Francisco Caldeira de Castello Branco, que ocupava o cargo de capitão-mor do Rio Grande do Norte, a missão de explorar a área assediada pelos estrangeiros. Por causa disso, ele recebeu o título de Descobridor e Primeiro Conquistador do Rio das Amazonas.

Imagem de Francisco Caldeira de Castelo Branco - Fundador da Cidade Belém do Pará

 Ao chegar a Belém vindo de São Luís do Maranhão, com três navios e 200 homens sob seu comando, Castello Branco identificou a necessidade de construir algum tipo de edificação que pudesse proteger sua tropa e a cidade em que acabava de ocupar. Tão logo chegou, começou a erigir uma fortificação de taipa e palha, guarnecendo-a com doze peças de artilharia. Nela colocou o nome de Forte do Presépio de Belém, um tributo ao dia de Natal, data em que saíra do Maranhão. No interior do forte foram construídos alojamentos para a guarnição, pois havia o temor de eventuais contratempos com os índios tupinambás, bem como a possibilidade de uma invasão dos ingleses e holandeses.

Houve um ataque em 1619, porém não veio dos estrangeiros, e sim dos povos nativos. Os tupinambás, aliados dos portugueses na sua chegada e também responsáveis pela construção do forte, avançaram contra o povoado tentando expulsar os conquistadores lusos, acusando-os de ter violentado suas mulheres e filhas. A luta varou a madrugada. De um lado, os índios e suas flechas venenosas e incendiárias; do outro, armas de fogo. O combate só terminou quando o cacique Guaimiaba morreu após ser atingido por um tiro de arcabuz. Depois desse episódio, o forte ganhou outro revestimento, de taipa de pilão. 

Imagem dos indios Tupinambás - séc XVII - Domínio Público - Arquivo Nacional

Nenhuma outra tentativa de invasão voltaria a acontecer. Em 1753, o Forte do Castelo funcionou pela primeira vez como hospital para atender mais de trezentas pessoas acometidas de um surto epidêmico. Seis anos depois, transformou-se em hospital militar, sendo conhecido como Hospital do Castelo. No século XIX, quando os paraenses resolveram se insurgir contra a elite portuguesa na revolta que ficou conhecida como Cabanagem, o forte, já em condições precárias de conservação, foi quartel dos insurgentes durante cinco anos (1835-1840).

Desenho de E. Riou - Denominada A Cabanagem( a partir do croquis de M.Biard) 1862. Domínio Público - Biblioteca Nacional Digital

Escavações arqueológicas recentes encontraram munições, cachimbos, moedas, entre outros objetos antigos, que hoje pertencem ao Museu do Encontro, outro ponto turístico do local. Outro achado relevante foram os indícios da existência da Capela de Santo Cristo, um dos símbolos das origens do Pará. O Forte do Presépio foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1962. 

Foto do Forte do Presépio(Castelo) Belém do Pará - 1925 - Arquivo Nacional
Foto dos objetos encontrados nas escavações arqueológicas - atual - Domínio Público

Na próxima edição desta bela viagem, continuaremos em outros importantes pontos históricos dessa rica cidade! Não percam! 

Fontes:

Fundação Joaquim Nabuco

Arquivo Nacional

Instituto Durango Duarte

Universidade Federal do Pará

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