André Conrado: Belém do Pará, a alegria e beleza da cidade morena! Parte 3

Panorama de Belém do Pará - Final do séc XIX - UFPA

Caminhos de Landi no Belém do Pará 

Retornando à mágica viagem na bela cidade morena, convido a todos para um passeio diferente por Belém. Que tal conhecermos a cidade pelos “olhos” e arquitetura de Antônio Landi?

Pintura de Giuseppe Antonio Landi séc XVII

Suas obras contam um pouco da história de Belém e sua evolução arquitetônica.

Mas quem foi Landi? Antônio José Landi ou Antônio Giuseppe Landi, italiano, nascido em Bolonha no ano de 1713, foi arquiteto, cartógrafo, astrônomo e desenhista, aos 19 anos foi premiado pela academia Clementina, mais importante instituição de Belas Artes de Bolonha à época.

Convidado pela coroa portuguesa, em 1753, sob o reinado de D. José I, como desenhista da comissão encarregada por Marquês de Pombal, para demarcar os limites amazônicos dos reinos de Portugal e Espanha. No retorno da expedição fixou-se em Belém iniciando sua grande história na capital Paraense levando o título de arquiteto régio, em 1774, e falecendo em 1791.

Com este brevíssimo histórico de Landi, iniciamos nossa jornada que inseriu novos padrões arquitetônicos à Belém. Primeiro pelas obras de incontestável beleza de Landi:

Igreja de Nossa Senhora de Santana

Igreja Nossa Senhora de Santana - Séc XIX - Arquivo Nacional

Erguida em 1727, a pequena paróquia de Campina, era a segunda paróquia de Belém na época colonial. Em 1761, foi iniciada a construção da atual Igreja de Santana, com projeto de Landi. Apresentando características neoclássicas e abóbada em ogiva, encimada por lanterna redonda coroada por cúpula e cruz, raridades nas igrejas brasileiras. Destacam-se a nave em cruz (indicando um compromisso entre a cruz grega e a cruz latina), o teto abobadado com pintura floral, com as paredes dos altares e da capela-mor revestidas de mármore. A igreja possui, ainda, precioso acervo, além de uma imagem de São Pedro, réplica da existente em Roma. Apesar das alterações feitas no século XIX, a igreja ainda é uma referência da época de sua construção. 

 Acredita-se que esta Igreja abrigue o local onde está o túmulo do arquiteto, apesar de não saber a localização. A igreja contém um relíquia barroca de prata com o osso de Santana em seu acervo, doada por Landi.

Palácio dos Governadores:

Palácio Lauro Sodré (atual Governadores) Séc XIX - IMS

Palácio Lauro Sodré, atual sede do Governo estadual, construído entre 1676 e 1680, em taipa-de-pilão com dois pavimentos, o palácio abrigava os governadores em inspeção à Capitania. Era chamado de “casa de residência”.  O Palácio – demolido em 1759 – foi reconstruído com projeto do arquiteto Antônio José Landi, no estilo clássico italiano. No início do século XX, com o advento do Ciclo da Borracha, o então governador Augusto Montenegro reformulou toda a primeira parte do palácio, dando-lhe as características do ecletismo. Essas modificações quebraram completamente a harmonia arquitetônica da edificação. Em 1971, foi restaurado pelo IPHAN e voltou à sua forma original. A capela interna projetada por Landi e localizada no térreo para aproveitar o vazio entre os dois pisos, apresenta retábulo barroco. Dessa capela, saiu a procissão da primeira Festa do Círio de Nazareth, em 08 de setembro de 1797. 

 A obra encomendada pelo Governador do Grão-Pará Manuel Bernardo de Mello de Castro, é considerada a maior obra civil de Landi. 

Casa das Onze Janelas

Casa das onze janelas -Final sec XIX -Arquivo Nacional

A Casa das Onze Janelas, Palacete das Onze Janelas ou Museu de Arte Casa das Onze Janelas é o museu de arte moderna e contemporânea mais importante de Belém do Pará. O ponto turístico foi construído na metade do século XVII, sendo a residência do senhor de engenho Domingos Da Costa Bacelar. O objetivo da construção da casa era servir de ponte entre o interior, onde morava, e Belém, utilizando especialmente nos fins de semana. Em 1768, o governo do Grão-Pará comprou a casa, que passou por mudanças feitas pelo arquiteto italiano Antônio José Landi, para abrigar o Hospital Militar, recebendo o nome de Hospital Real após as adaptações do projeto por Landi. A proposta do arquiteto foi de uma varanda com vista para o rio Guajará.

O estilo neoclássico adotado proporcionava dois pavimentos com onze aberturas simétricas em sua fachada principal, que no decorrer da reforma de Landi, frontões ladeados de obeliscos foram inseridos. Não há uma garantia precisa sobre as mudanças realizadas ao longo dos anos, mas há a suposição de que Landi alterou o formado original da casa, que era retangular, para um formato em “L”, adicionando um corpo lateral. Antônio Landi também foi responsável por amplas propostas de projetos na Amazônia durante o período colonial. Atualmente, o circuito Landi foi elaborado em sua homenagem. Seu objetivo é divulgar a arquitetura da época de ouro belenense, divulgando autenticidade à cidade, evidenciando seus patrimônios históricos. O hospital funcionou até 1870, depois a casa passou a ter diversas funções militares, acolhendo o Corpo da Guarda e a Subsistência do Exército até o final do século XX.

Planta Casa das Onze Janelas (Hospital) Séc XIX -UFPA

No decorrer da renovação do centro histórico de Belém, com o projeto Feliz Lusitânia, a Casa das Onze Janelas, em 2002, virou um museu de arte moderna e contemporânea.

Casa das Onze Janelas atual - Dominio Público

Palacetes de Belém 

Palacete Pinho

Palacete Pinho atual - Domínio Público

É um dos belos exemplares  característicos que marcaram, no fim do século XIX, o ápice econômico proveniente do Ciclo da Borracha. Desde o início da sua ocupação pela família do comendador José de Pinho, responsável por sua construção, foi palco de constantes manifestações culturais. Apresenta uma arquitetura comum em Portugal nos séculos XVII e XVIII, mas rara no Brasil, com influência dos palácios e vilas italianas do século XVI. Possui planta é em “U”, com o pátio aberto na frente (uma proposta barroca) e limitado por uma grade como nos similares portugueses.  Na parte mais elevada do prédio (a camarinha) há o revestimento de azulejos e lambrequins. Pertenceu a família até 1978. Hoje restaurado, pertence a prefeitura da cidade.

Palacete Bolonha

Palacete Bolonha séc XX - Belém antiga

O Palacete Bolonha, segundo relatos familiares, foi a promessa e testemunho de amor de Francisco Bolonha a sua esposa, Alice Tem Brink Bolonha, que não queria deixar a capital do pais, o Rio de Janeiro, e vir morar em Belém. Construído na primeira década do século XX, tinha o que de mais moderno a tecnologia e o dinheiro podiam comprar. Com cinco pavimentos, incluindo a mansarda, sob a qual o engenheiro criou espaços que usava como deposito. Nesse pavimento, existe um mirante para visualizar a cidade . A rede de energia foi executada com eletrodutos de cobre embutidos nas paredes, inovacao na época com sistema de quadros com circuitos, tomadas, interruptores e disjuntores. A energia trifásica era fornecida pela Para Electric Railways and Lighting Company, Limited. As redes de água fria e quente atendiam todos os andares do palacete com tubos e conexões de ferro fundido. Havia caixas de descargas externas em metal importada da Inglaterra. Não faltava Gás encanado ( isso. Belém tinha em 1900) e mesmo um inédito refrigerador elétrico com grande capacidade. O mais curioso dessa história, é que você passa tão rápido na esquina da Rua José Malcher com a Dr. Moraes que já nem vê um espetáculo da cidade! Não perca, Pare, Olhe! Nem que seja para contemplar tal prova de amor…

Na última edição dessa bela e rica série de matérias, vamos aportar na grande ilha de Marajó , finalizando com a alegre música típica da região: o carimbó!

Fontes:

Arquivo Nacional
Instituto Moreira Salles
UFPA
Braziliana Fotográfica

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