Douglas Delmar entrevista o poeta português João Barreiros

João Barreiros - Crédito Arquivo Pessoal

João Barreiros nasceu em 1970 em Carrapatelo, concelho de Marco de Canaveses, mas foi registado oficialmente na freguesia de Nogueira do Cravo no concelho de Oliveira. Dono de uma escrita sensívelmente humana, já integrou diversas antologias poéticas e também possui 3 livros lançados. Confira um pouco da escrita desse poeta lusitano!

Poema “O amanhã nunca seria” de João Barreiros. 

A vida é um momento 

O que fica para além

Não sabes nem ninguém.

Por isso sente cada sentimento

Que alguém te queira dar,

Tenta nunca os desperdiçar.

Preserva o bem, despreza o mal,

Vais sentir a vida de outra maneira

Aonde amor será a tua razão primeira.

Tudo existe com ele, por ele e por nós,

Sem ele, tu não eras e em nós nada existia.

A vida não tinha todos nós e o amanhã nunca seria.

1  – Como a poesia surgiu em sua vida? Alguém o incentivou a escrever?

Sabes, a poesia para mim existe com uma resposta a algo, é nessa necessidade que a poesia surge.

Comigo ela surgiu como disse atrás por uma necessidade, é certo que já tinha noção da forma como a mensagem poética podia ter para mim ou para outro alguém, pelo que li de alguns poetas, como Pablo Neruda, Fernando Pessoa ou Vinícius de Moraes.

A minha insegurança fez-me procurar nessa força, a força para chegar ao coração desse alguém. À vinte e sete anos houve um momento da minha vida que tive a necessidade de falar com alguém, pelo amor e pela emoção do “tocar” o desconhecido pela força da palavra poética.

2 – Seus poemas são repletos de sentimentos e muitos apresentam o tema do amor, descrito em suas várias nuances. Partindo disso, você se considera um poeta romântico?

Sou um pouco, até porque como disse no começo desta conversa contigo, a minha escrita poética começou com e pelo amor.

Depois dessa direi primeira fase, posso te dizer que a necessidade que me leva a falar do amor nas suas várias nuances, vai mais num sentido de humanidade, e o apelo que tento fazer a mim e a todos na procura do nosso Amor nessa Humanidade, porque creio que podemos e devemos através desta imensa força que é a mensagem poética, apelar aos nossos sentidos na procura sistemática pelo nosso semelhante.

Perante isto eu sou um romântico pela humanidade e pelo amor ao homem, enquanto ser “humano”.

Secção de Autografos livro Se Eu Pudesse Amava-te - Crédito Arquivo Pessoal

3 – A saudade também se faz presente em seus versos, especialmente, a da infância. Há alguma memória do passado que o inspire na hora de escrever?

Como te posso descrever, a minha infância ainda hoje é uma constante referência no que escrevo, pela felicidade que senti e que foi promovida por muitas pessoas que fizeram dela uma marca que perdura em mim.

Muitas dessas pessoas por razões diversas são hoje saudade, pelas sementes que em mim deixaram e que são luz pelo seu amor e a humanidade, dai serem realmente uma fonte de inspiração na minha poesia.

4 – Você tem três livros lançados: “A Viagem”, “Vice-Versa” e “Se Eu Pudesse Amava-te”. Conte-nos um pouco sobre eles. E que você sentiu ao ver seus versos alçando voo e alcançando vários leitores?

Como te disse, comecei esta “viagem” pelo simples facto de vencer a dificuldade de falar com alguém. Nunca esperei ou simplesmente pensei que alguma vez pudesse ver alguns dos meus poemas num livro. Foi e é uma emoção, sinto-me eternamente grato por esses momentos que espero voltar a repetir.

Falando agora particularmente dos livros, passo a falar no meu primeiro livro “A Viagem”. É muito pessoal, posso te disser que é uma autobiografia da minha vida, dai o seu título.

O livro “Vice-Versa” é já o começo da minha deriva, na procura de uma escrita menos pessoalizada aonde tento procurar os outros em mim, transportando os seus sentimentos e fazendo deles os meus.

Por último, o livro “Se eu pudesse amava-te”, é como o título indica, a plena integração do caminho que procurava pela escrita poética, a vontade imensa de amar humanamente todos, o homem é a minha fonte de inspiração na sua humanidade.

5 – Fernando Pessoa dizia que todo poeta é um fingidor. Você concorda? Porque?

Sim concordo!

Douglas, direi até que existe quase um paralelismo entre o ser poeta e palhaço.

Mesmo quando a tristeza nos invade temos que fazer rir, temos que dar força, temos que fazer acreditar, porque só serás um poeta, quanto teu coração for maior que a tua caneta.

6 – Além da poesia, quais outras atividades lhe agradam?

Douglas, eu trabalho na construção, pelo que sempre gostei de ver nascer a criação humana nessa vertente, poder participar em projetos que procuram melhorar a vida do homem e a sustentabilidade da vida no nosso planeta é algo que me agrada profundamente.

No entanto, não posso esconder que houve uma fase da minha vida que tinha um amor profundo pela representação e pela arte teatral. Ser outro em mim, é algo também cativante. Gostei de representar em algumas peças que participei nas escolas aonde andei.

Livros A Viagem e  ViceVersa - Crédito Arquivo Pessoal

7 – Há algum escritor/escritora de Portugal que você admire?

Sim. Como disse anteriormente, gosto muito de Fernando Pessoa, assim como Florbela Espanca. Considero pessoas notáveis no seu tempo, muitas das vezes não muito compreendidas, porque viveram muito à frente no seu tempo, pelo seu pensar e pela forma como viveram.

8 – Escrever, para muitos, é uma forma de acalmar as emoções e dar vazão aos sentimentos. Sendo assim, a poesia modificou sua vida de alguma forma? Qual seria a importância dela para sua vida?

Douglas, para mim a escrita é a forma de poder sentir equilíbrios. Tento muitas das vezes seguir o que escrevo, para tentar sempre saber qual dos caminhos devo trilhar na procura de melhorar a forma de estar comigo e com o meu semelhante.

A escrita modificou sem dúvida a minha vida, a forma como a sinto e a forma como me dou. Ela é um elemento de superação quando existe algo que corre menos bem, ela é o braço para levantar, é a força para voltar a tentar.

9 – E tem planos para um novo livro?

Sim, tenho, pois tenho muito material escrito, que creio ser importante ver a luz do dia e ser a luz de muitos dos meus leitores e seguidores.

10 – João Barreiros, obrigado por compartilhar com a Revista do Villa um pouco da sua caminhada poética. Para finalizar, deixe uma mensagem aos nossos leitores.

Agradeço desde já está oportunidade que a Revista do Villa me deu, para poder mostrar a pessoa por de trás da escrita.

A todos os meus amigos, conhecidos, leitores e a todos vós, agradeço a vossa companhia e amizade, prometo continuar a dar pela escrita poética um extra de superação a todos para continuar está jornada que é a vida.

A Todos o Meu BEM HAJAM!

João Barreiros (Eu pessoa)

Redes Sociais

www.facebook.com/pages/João-Barreiros/1475763699337179

Capa do livro Se Eu Pudesse Amava-te - Crédito Arquivo Pessoal
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